Estudante de Engenharia é solto após ser pego com 3 mil arquivos de abuso infantil

Um estudante de Engenharia de Software da UFMS, de 25 anos, foi solto no último sábado (29), um dia após ser preso em flagrante com mais de 3 mil arquivos de abuso sexual infantil armazenados em celulares. A decisão de liberdade provisória foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, que, ao invés da prisão preventiva solicitada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o magistrado considerou que o jovem é primário e não possui antecedentes criminais, fatores que levaram à decisão de não manter a prisão.

Estudante de Engenharia solto com tornozeleira eletrônica

A soltura do estudante, identificado como João Pedro Souza de Arruda dos Santos, ocorreu após audiência de custódia. O juiz homologou a prisão em flagrante, mas negou o pedido do MPMS para a conversão em prisão preventiva. A defesa do estudante alegou a ausência dos requisitos legais para a prisão mais severa, pedindo a concessão de liberdade provisória ou medidas cautelares menos restritivas.

Investigação aponta para posse de material ilícito

João Pedro foi preso na manhã de sexta-feira (28), em Campo Grande, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A investigação teve início após sistemas de monitoramento detectarem conexões utilizadas na troca de arquivos de abuso sexual infantil por redes P2P. Segundo o MPMS, uma pasta protegida nos aparelhos do estudante continha milhares de fotos e vídeos com cenas de abuso contra crianças e adolescentes.

Durante a abordagem policial, o investigado teria confessado o crime, conforme relato citado pelo órgão ministerial. No entanto, durante o interrogatório formal, João Pedro permaneceu em silêncio. A quantidade de arquivos e o método empregado na posse do material levaram o MPMS a sustentar que a conduta não se tratava de um fato isolado, mas sim de uma “rotina organizada, consciente e estruturada para o consumo do material ilícito”, inserida em um contexto de exploração sexual infantojuvenil no ambiente digital.

MPMS argumenta risco de reiteração e ocultação de provas

Os promotores de Justiça responsáveis pelo caso, Felipe Almeida Marques, Michel Maesano Mancuelho e Juliano Albuquerque, integrantes da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC), argumentaram que o estudante possuía conhecimentos especializados em informática que poderiam facilitar a repetição do crime e a ocultação de provas. Eles afirmaram que o investigado demonstrava “consciência da ilicitude, vontade deliberada de ocultação e risco concreto de comprometimento da colheita probatória”.

Para o MPMS, a soltura de João Pedro representaria um risco concreto de exclusão ou alteração dos arquivos, além da continuidade da prática criminosa. Por esses motivos, o órgão pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva, visando garantir a ordem pública e a instrução criminal. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação do MPMS em casos de crimes cibernéticos é fundamental para a proteção de vítimas.

Decisão judicial foca na ausência de provas de envolvimento em rede

O juiz José Henrique Kaster Franco, ao analisar o caso, ponderou que as provas reunidas até o momento não justificavam a manutenção da prisão preventiva. Ele destacou que não havia informações robustas de que o investigado participasse de uma rede criminosa ou atuasse na produção e comercialização do conteúdo. “Não há, neste momento, indicativos de que o custodiado estivesse produzindo, difundindo, adquirindo, comercializando ou de qualquer outra forma explorando material de natureza pornográfica”, escreveu o magistrado.

O juiz ressaltou que os elementos disponíveis apontavam, primordialmente, para a posse do material em seu aparelho celular. A condição de primário, a ausência de antecedentes criminais, o fato de ser estudante universitário e possuir endereço conhecido foram fatores considerados na decisão. “A prisão preventiva exige fundamentação concreta e individualizada, não se mostrando adequada quando ausentes elementos que evidenciem, neste momento, risco efetivo à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal”, afirmou.

Monitoramento eletrônico e continuidade da investigação

Apesar da soltura, o juiz determinou que João Pedro utilize tornozeleira eletrônica por 180 dias. Ele também deverá manter seu endereço atualizado e comparecer a todos os atos processuais. A tornozeleira poderá ser retirada ao fim do prazo, caso não haja nova determinação judicial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação sobre o caso continua e os dispositivos apreendidos passarão por perícia técnica para a análise completa do conteúdo e a identificação de possíveis conexões.

A decisão judicial reforça a importância da análise criteriosa dos elementos de prova antes da decretação de prisões preventivas, especialmente em casos que envolvem crimes cibernéticos. A manutenção das medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico, busca equilibrar a necessidade de garantia da ordem pública e da instrução processual com os direitos individuais do investigado, enquanto a investigação prossegue para elucidar todos os fatos. O caso serve como um alerta sobre a gravidade do armazenamento e posse de material de abuso sexual infantil.