Escolas de MS trocam celular por tecnologia e revolucionam o ensino

O celular agora descansa na mochila, mas a tecnologia invadiu as salas de aula das escolas estaduais de Mato Grosso do Sul. Uma revolução silenciosa está em curso, impulsionada por um investimento massivo em ferramentas digitais que prometem modernizar o aprendizado e engajar os estudantes de forma inédita. A rede pública sul-mato-grossense optou por um caminho próprio: restringir o uso de smartphones durante as aulas, mas expandir drasticamente o acesso a recursos tecnológicos focados exclusivamente no desenvolvimento educacional.

Tecnologia assume o protagonismo no aprendizado em MS

Em 2025, Mato Grosso do Sul destinou mais de R$ 100 milhões para a educação tecnológica em suas escolas estaduais. Essa injeção de recursos permitiu a substituição de celulares em sala por equipamentos de ponta, como lousas interativas, plataformas digitais de ensino e kits de robótica. Alunos de diversas cidades, incluindo Campo Grande, Dourados e Aquidauana, já vivenciam essa transformação, com estudantes do 5º ano participando ativamente da Olimpíada Brasileira de Robótica.

Essa mudança estratégica surge em um momento de intenso debate nacional sobre os efeitos do uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. A rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul, no entanto, encontrou uma solução que equilibra a necessidade de foco com as oportunidades oferecidas pela era digital.

Os resultados já são palpáveis. Na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, a estudante Emily de Oliveira, do 3º ano do Ensino Médio, relata uma experiência de aprendizado muito mais dinâmica. Ela compara a atual realidade com sua antiga escola particular, que ainda utilizava projetores comuns. Agora, uma lousa interativa de 75 polegadas transforma o conteúdo tradicional em algo visualmente estimulante e participativo.

Lousas interativas: o futuro da apresentação de conteúdo

Mapas ganham vida, gráficos são atualizados em tempo real, vídeos enriquecem as explicações, e o aprendizado transcende os limites do quadro negro e dos livros didáticos. “As aulas estão mais interessantes”, comemora Emily, evidenciando o impacto direto da tecnologia na sua motivação e compreensão.

Essa cena em Campo Grande é um reflexo de uma mudança mais ampla que está redesenhando a educação pública no estado. A regulamentação do uso de celulares em 2025 levantou a questão crucial: seria possível diminuir as distrações sem sacrificar os benefícios da tecnologia? A resposta veio com investimentos substanciais e uma reorganização pedagógica que reposicionou a tecnologia como ferramenta central e planejada para o aprendizado.

No primeiro ano da nova política, mais de R$ 100 milhões foram aplicados na modernização da infraestrutura tecnológica das escolas estaduais. Esses fundos possibilitaram a aquisição de novos equipamentos, a expansão de laboratórios de informática, a renovação do parque tecnológico e a implementação de plataformas digitais de ensino. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a tecnologia deixou de ser um recurso individual, dependente do dispositivo de cada aluno, para se tornar uma ferramenta coletiva e integrada ao processo pedagógico.

Plataforma de protagonismo digital: conteúdo confiável e acessível

Um dos pilares dessa transformação é a plataforma de protagonismo digital, que oferece conteúdos alinhados ao currículo escolar e um ambiente seguro para os professores enriquecerem suas aulas. A professora de inglês Luzimar Cristiane destaca que essa iniciativa é fundamental para reduzir desigualdades. “É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. Para o estudante, é a garantia de que o acesso à educação digital não depende dos celulares, depende da escola”, afirma.

A mudança também fortalece o papel do professor, que agora dispõe de mais recursos para apresentar o conteúdo em diversas linguagens, combinando textos, imagens, vídeos, mapas e atividades interativas. O aprendizado se torna mais envolvente, e os docentes ganham novas formas de estimular a participação dos alunos. O Campo Grande NEWS aponta que essa abordagem inovadora prepara os estudantes para os desafios do século XXI.

Robótica educacional: construindo o futuro com as próprias mãos

Mas a revolução digital não se limita às lousas eletrônicas. Em Dourados, ela ganha forma, movimento e inteligência. Na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, o estudante Sidney Matheus Ferraz Sanchez, do 9º ano, construiu seu primeiro robô com kits educacionais. “A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, relata entusiasmado.

Experiências como essa aproximam os alunos de áreas estratégicas para o futuro, como programação, engenharia e inovação. Conceitos antes abstratos tornam-se concretos e atraentes através da prática, despertando o interesse por disciplinas como matemática e física. Desde 2022, a robótica educacional tem se expandido na rede estadual, com kits que permitem aos alunos desenvolver projetos próprios, estimulando o raciocínio lógico, a criatividade e o trabalho em equipe.

Em Aquidauana, a Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro implementou a robótica recentemente, e os resultados já são notáveis. Em menos de dois meses, alunos do 5º ano foram inscritos na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). Pietro Miguel da Rocha Ferreira, um dos participantes, compartilha sua surpresa e entusiasmo: “Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”.

As histórias de Emily, Sidney e Pietro, embora distintas, revelam uma transformação comum. Em Campo Grande, a tecnologia torna as aulas mais interativas; em Dourados, auxilia na construção de robôs; e em Aquidauana, abre portas para competições nacionais e desperta novas vocações. O elo entre essas experiências é o uso intencional da tecnologia, focado em melhorar a aprendizagem, ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho pedagógico. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, essa abordagem representa um avanço significativo na educação pública do estado.

Neste novo cenário, o celular perde seu protagonismo. A escola assume a vanguarda na formação digital dos jovens, oferecendo acesso estruturado, orientação e oportunidades de aprendizado. A tecnologia continua presente, talvez mais do que nunca, mas agora está integrada às lousas, laboratórios, plataformas digitais e oficinas de robótica, conectando conhecimento, criatividade e inovação. É nesse ambiente que a educação pública de Mato Grosso do Sul aposta para preparar seus estudantes para um mundo cada vez mais digital.