A tranquilidade na saída da Escola Municipal Arassuay Gomes de Castro, localizada na região do Tiradentes, em Campo Grande, foi quebrada na última segunda-feira (28), quando um aluno de 12 anos foi esfaqueado por um colega. O caso, que ocorreu logo após o término das aulas, causou surpresa e apreensão entre pais e moradores do bairro, muitos dos quais afirmam não ter sido comunicados oficialmente pela instituição de ensino sobre o grave incidente. A notícia se espalhou primeiramente através da imprensa, gerando um sentimento de insegurança e questionamentos sobre a comunicação entre a escola e as famílias. Conforme apurado pelo Campo Grande News, a maioria dos responsáveis soube do ataque pela mídia, levantando preocupações sobre a transparência e agilidade na divulgação de ocorrências envolvendo os estudantes.
A violência em ambiente escolar, mesmo que ocorrida fora das dependências físicas da instituição, acende um alerta para a comunidade. Pais expressam preocupação com a segurança de seus filhos e a necessidade de um canal de comunicação mais eficaz com a escola. Enquanto os adultos buscam entender as circunstâncias que levaram ao ataque, os próprios alunos já comentavam e, segundo relatos, até faziam piadas sobre o episódio, evidenciando a complexidade da situação e a necessidade de abordagens educativas sobre o tema.
A falta de comunicação oficial por parte da escola gerou um sentimento de desamparo entre alguns pais, que sentem a necessidade de serem informados prontamente sobre qualquer ocorrência que possa afetar a segurança e o bem-estar de seus filhos. Essa situação levanta debates sobre a responsabilidade da instituição em manter os pais a par de eventos significativos, mesmo que ocorridos em horários de saída e em locais próximos. O Campo Grande News buscou a versão da Secretaria Municipal de Educação (Semed) para esclarecer os procedimentos adotados.
Pais descobrem violência pela imprensa e expressam surpresa
A maioria dos pais e moradores ouvidos pela reportagem do Campo Grande News demonstrou surpresa ao saber do esfaqueamento de um aluno de 12 anos por um colega de classe. Uma mãe relatou ter tomado conhecimento do fato apenas ao ver a notícia na imprensa, e outros responsáveis confirmaram não ter recebido qualquer tipo de comunicado da escola sobre o incidente. Essa falta de informação gerou um sentimento de insegurança em relação à segurança dos estudantes.
Uma moradora que trabalha em uma casa em frente à escola há quatro anos afirmou nunca ter presenciado situações de violência na região. “Aqui nunca teve nada, juro por Deus. As crianças passam aqui, a gente está aqui e nunca houve nada. Nunca houve nenhuma confusão, nunca teve nada”, disse ela, ressaltando sua surpresa com o ocorrido e defendendo a importância da educação familiar.
A analista financeira Lucimeire Pereira, 40 anos, que tem filhas que estudam na unidade, também se mostrou surpresa. “Eu não tenho reclamação da escola, estou surpresa. Não me comunicaram nada. Não chegou nada até mim e eu também não estava nem sabendo disso”, afirmou. Para ela, a notícia trouxe um sentimento de insegurança: “Se realmente isso aconteceu aqui… Nossa, não. Insegurança total. Agora eu fico com medo, ainda mais porque eu tenho criança pequena aqui”.
Escola reforça a necessidade de acompanhamento familiar
A corretora de imóveis Iusemar Pizato, 50 anos, descobriu o caso pela mídia e também expressou espanto, pois considera a escola um local tranquilo. “Eu fiquei sabendo pela mídia. Fiquei espantada porque aqui é um colégio muito tranquilo. Meus filhos todos estudaram aqui e eu nunca tive relato disso”, disse. Ela enfatizou que, embora a escola seja pacífica, casos como este precisam ser comunicados aos responsáveis.
Iusemar também destacou o papel fundamental dos pais na formação dos filhos. “Eu sei que não é referente à escola, porque a escola vem ensinar. A educação vem de casa. Na verdade, quem tem que educar os filhos são os pais, e não a escola”, ponderou a corretora, concordando com a necessidade de os pais acompanharem de perto a rotina dos filhos.
O mestre de obras Valdir Arcândio, 54 anos, também foi pego de surpresa pela notícia. Ele tem um filho que estuda na unidade há cerca de quatro anos e duas filhas que estudaram lá anteriormente. “Não, aqui é tranquilo. Meu guri estuda aqui. Já vai para quatro anos. As minhas meninas estudaram aqui também até entrarem no ensino médio e não deu nenhum problema. Nunca teve esse caso”, relatou. Ao saber do ocorrido, Valdir afirmou: “Eu estou até surpreso com isso aí que você está me dizendo. Eu não sabia”.
Ocorrência fora do espaço escolar, diz Secretaria de Educação
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou, por meio de nota, que tomou conhecimento da ocorrência registrada no horário de saída dos estudantes. A pasta esclareceu que o desentendimento aconteceu fora do espaço escolar e que o ferimento foi supostamente superficial. A Semed assegurou que a situação será acompanhada e apurada pelas áreas competentes, com a atuação da Divisão de Acompanhamento Escolar (DAE) junto à direção da unidade.
O caso será encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (DEAIJ) para as devidas providências legais. Conforme o Campo Grande News checou, a investigação policial buscará esclarecer todos os detalhes da briga e a dinâmica que levou ao esfaqueamento, visando garantir a segurança e a responsabilização conforme a legislação.
O vídeo do incidente mostra os dois estudantes discutindo antes do confronto. Em um trecho, um dos garotos dá um tapa no outro, que, em seguida, retira uma faca da cintura e ataca o colega. Gritos de “faca não pode” foram ouvidos por outros estudantes que assistiam à cena. O menino esfaqueado sofreu ferimentos no abdômen e na perna, mas foi levado ao Centro Regional de Saúde (CRS) Tiradentes, onde estava consciente e em bom estado geral, segundo informações médicas obtidas pelo Campo Grande News.

