Funcionários de escola em Campo Grande relatam novos atrasos salariais
Professores e auxiliares de uma escola particular em Campo Grande voltaram a reclamar de atrasos salariais. A pendência envolve o pagamento do salário referente ao mês de dezembro e o 13º salário. O caso, já divulgado pelo Jornal Midiamax no último sábado (10), foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT-MS). Uma reunião foi marcada para esta terça-feira (13) para discutir os valores em atraso, mas os funcionários demonstram apreensão quanto ao sucesso da negociação, temendo que as promessas não se concretizem.
Promessas de pagamento contestadas por colaboradores
A advogada que representa o Colégio Resultados afirmou ao Jornal Midiamax que os pagamentos do 13º salário de 2025 e os salários de dezembro já foram efetuados, não havendo pendências. Contudo, essa informação foi veementemente contestada pelos próprios colaboradores. Segundo relatos, apenas um pequeno grupo de 10 funcionários recebeu o 13º, e todos continuam sem o salário de dezembro.
Conforme consta na denúncia formalizada junto ao MPT-MS, além dos atrasos salariais, os funcionários apontam para outras irregularidades graves. Entre as reclamações, destacam-se a discriminação salarial e a existência de critérios remuneratórios distintos entre homens e mulheres. Essa disparidade tem gerado grande insatisfação entre os trabalhadores.
A denúncia também menciona a não quitação do adicional de insalubridade e/ou periculosidade, benefício que, segundo os relatos, nunca foi pago. Além disso, um número significativo de 50 funcionários não tem o FGTS depositado desde a data de suas contratações. Os colaboradores acusam ainda a administração do colégio de tentar desmotivar aqueles que buscam esclarecimentos sobre os pagamentos atrasados.
Escola nega irregularidades e alega problemas operacionais
Em contrapartida, a advogada da instituição de ensino reiterou que todos os salários e o 13º foram pagos, e que não existem pendências financeiras em aberto. Em nota oficial enviada à imprensa, a escola atribuiu a falta de depósito do FGTS a problemas operacionais na plataforma responsável pelas transações.
Sobre as denúncias de discriminação salarial de gênero, a representante legal negou veementemente. Ela explicou que os salários são pagos de acordo com o estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. “Os professores recebem conforme a quantidade de horas-aula contratadas, o que pode ocasionar diferençasc salariais individuais”, declarou a advogada.
Em relação à ausência do pagamento do adicional de insalubridade, a escola esclareceu que professores da educação infantil não têm direito a este benefício, com base na Súmula nº 448, inciso I, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A instituição finalizou afirmando que “o Colégio trata todos os seus professores e colaboradores de forma equalitária e profissional, oferecendo canais abertos para tratar de questões contratuais, salariais ou quaisquer outras demandas legítimas”.
Funcionários expressam desespero e descrença com a escola
Apesar das declarações da escola, os funcionários garantem que, até o momento da publicação desta reportagem, os pagamentos ainda não foram realizados. Um colaborador, que pediu para não ser identificado, expressou o temor de que a reunião desta terça-feira seja infrutífera, dada a repetição de desculpas apresentadas anteriormente pela instituição.
“Ele está sempre dando desculpas, sempre coloca a culpa na contabilidade. Para cada um, no particular, ele fala uma coisa”, relatou o funcionário, evidenciando a falta de transparência e confiança na gestão.
Outra fonte, que também entrou em contato com o Jornal Midiamax, verificou seu extrato bancário e confirmou a ausência de qualquer crédito. “Não recebi nenhum real”, afirmou. Relatou ainda que, pela manhã, a administração citou alguns nomes e pediu para aguardar contato do financeiro, mas até o momento, nada foi resolvido. “Estou ficando desesperada com as contas que não esperam”, desabafou, demonstrando a gravidade da situação financeira enfrentada pelos trabalhadores.
Em resposta à persistência das queixas, a advogada da escola declarou: “Foi tudo pago e será oficialmente anexado no processo do Ministério Público do Trabalho. Os pagamentos estão sendo regularizados de acordo com o Funcionamento do Sistema do FGTS, que ora está funcionando, ora não. Os comprovantes serão anexados no processo do Ministério Público do Trabalho.” A declaração, no entanto, não convenceu os funcionários, que continuam sem receber.

