Enfermeira improvisa extensao de 50 metros e salva paciente em apagao

Em uma demonstração de resiliência e dedicação à profissão, a enfermeira Milena Cristina Gunther Rego protagonizou uma corrida contra o tempo para garantir a sobrevivência de seu paciente, Alessandro Moreira dos Reis, durante um apagão que deixou o bairro Carandá Bosque sem energia elétrica. A profissional, que cuida de Alessandro há cinco anos, mobilizou vizinhos e improvisou uma solução engenhosa para manter os equipamentos médicos do paciente em funcionamento, evitando uma remoção hospitalar que poderia ser arriscada.

Enfermeira improvisa extensao de 50 metros e salva paciente em apagao

O temporal que atingiu Campo Grande deixou a região do Carandá Bosque às escuras, um cenário que se tornou crítico para Alessandro Moreira dos Reis, um paciente acamado e dependente de aparelhos para sobreviver. Milena Rego, sua enfermeira de confiança, agiu prontamente para evitar que Alessandro fosse submetido a uma transferência hospitalar desnecessária e potencialmente traumática. A alternativa encontrada foi uma extensão de energia de 50 metros, conectada à rede elétrica de vizinhos solidários, que garantiu o suporte vital do paciente por impressionantes 28 horas.

A decisao de nao remover o paciente

Alessandro, que está acamado há 12 anos e necessita de equipamentos para respirar e receber cuidados diários, encontrava-se clinicamente estável. Para Milena, a ideia de levá-lo ao hospital unicamente por causa do apagão representava uma remoção sem indicação clínica, que poderia expô-lo a riscos desnecessários. “Eu não olho só para a doença do paciente. Eu olho para o ser humano que ele é”, declarou a enfermeira, enfatizando sua abordagem humanizada.

A preocupação da enfermeira ia além da estabilidade clínica. Alessandro, apesar de suas limitações, é consciente e se comunica com a equipe. A possibilidade de ser removido de casa o deixou apavorado. “Ele ficou muito apavorado com essa situação de ter que sair de casa”, relembrou Milena. A manutenção do ambiente domiciliar era, portanto, crucial para seu bem-estar emocional.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a casa de Alessandro possui uma estrutura comparada a uma “mini-UTI”, com equipamentos de alta complexidade e assistência domiciliar contínua. A remoção de um paciente nessas condições exige transporte especializado e pode expô-lo a infecções hospitalares, algo que Milena buscou evitar a todo custo.

A corrida por uma solucao improvisada

Ao chegar para realizar a troca de uma sonda, Milena encontrou a residência de Alessandro sem energia. Os aparelhos possuem baterias internas, mas com autonomia limitada, o que tornava a busca por uma fonte de energia alternativa uma urgência. A enfermeira percebeu que uma rua lateral ainda contava com luz e, após descartar a ideia de emendar várias extensões devido aos riscos, decidiu por uma solução mais robusta.

Milena comprou 100 metros de fio e, com a ajuda de outro enfermeiro, montou uma extensão de aproximadamente 50 metros. Essa solução improvisada, embora atípica, era a única maneira de contornar a emergência. A iniciativa demonstra a expertise e a capacidade de adaptação da profissional em situações críticas.

A colaboração dos vizinhos foi fundamental para o sucesso da operação. Um morador permitiu que o cabo atravessasse seu imóvel, e outros auxiliaram com escadas para que o fio passasse por cima de muros e janelas até chegar ao quarto de Alessandro. “Os vizinhos são maravilhosos. Foram muito bondosos, generosos, prontos a ajudar”, relatou Milena, destacando a solidariedade da comunidade.

28 horas de luz e esperança

A energia elétrica só retornou por volta das 23h de sexta-feira (11), após quase 28 horas de dependência da ligação improvisada. Durante todo esse período, Alessandro permaneceu em casa, sem apresentar intercorrências clínicas. A enfermeira reconhece que o desfecho poderia ter sido diferente caso a energia não fosse restabelecida a tempo, forçando a remoção do paciente.

A dedicação de Milena vai além do plantão. Ela acompanha Alessandro há cerca de cinco anos, construindo um vínculo forte e de confiança. Essa relação, baseada no cuidado humanizado e na expertise profissional, conforme o Campo Grande NEWS apurou, foi crucial para que ela tomasse a iniciativa e buscasse soluções alternativas.

Amor pela profissao e cuidado humano

A voz de Milena embarga ao falar sobre sua profissão e a relação com Alessandro. Para ela, a enfermagem transcende os procedimentos técnicos e envolve o cuidado com o ser humano em sua totalidade. “Antes de eu ser uma profissional, eu sou ser humano também”, disse emocionada, explicando a motivação por trás de sua ação.

A enfermeira acredita que o impacto que os profissionais de saúde causam na vida das pessoas vai além do tratamento. “Ninguém vai lembrar de mim só pelo meu profissional. Ele vai lembrar pelo impacto que a gente causa sobre a vida das pessoas. E trazer amor, trazer cuidado, trazer bem-estar, trazer acolhimento”, concluiu, exemplificando o verdadeiro significado de cuidar.

Essa história, que foi noticiada pelo Campo Grande NEWS, ressalta a importância da dedicação dos profissionais de saúde e da solidariedade comunitária em momentos de crise, demonstrando que o cuidado e a empatia podem fazer toda a diferença na vida de pacientes em situação de vulnerabilidade.