Endividamento Familiar Igualou Recorde em Janeiro, Cartão de Crédito Lidera Dívidas

Famílias Brasileiras Enfrentam Nível Recorde de Endividamento

O cenário financeiro das famílias brasileiras atingiu um ponto crítico em janeiro de 2024, com o percentual de lares endividados chegando a 79,5%. Este índice iguala o recorde histórico registrado em outubro do ano anterior, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A modalidade de dívida mais recorrente é o cartão de crédito, presente em 85,4% dos lares endividados. Apesar do alto endividamento, um dado positivo surge com a queda da inadimplência pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 29,3%.

A pesquisa, que ouviu aproximadamente 18 mil famílias em todo o país, aponta que o endividamento é mais acentuado entre as famílias com renda de até três salários mínimos. Nesse grupo, 82,5% estão endividadas, e um percentual preocupante de 38,9% se encontra em situação de inadimplência. A CNC projeta que o endividamento familiar possa alcançar 80,4% em junho deste ano, indicando a persistência do desafio financeiro.

O levantamento da CNC detalha que o comprometimento médio com as dívidas é de 7,2 meses, demonstrando o longo caminho para a quitação dos débitos. Em média, 29,7% da renda familiar é destinada ao pagamento dessas obrigações, com cerca de 19,5% das famílias destinando mais da metade de sua renda mensal para honrar esses compromissos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a pesquisa abrange dívidas como cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos e imóveis, oferecendo um panorama abrangente da saúde financeira do país.

Cartão de Crédito: O Principal Vilão do Endividamento

Entre as diversas modalidades de dívidas que afligem as famílias brasileiras, o cartão de crédito se destaca como o principal responsável pelo endividamento. De acordo com a pesquisa da CNC, esta forma de crédito está presente em 85,4% das famílias que possuem dívidas. Logo em seguida, aparecem os carnês de loja, o crédito pessoal e os financiamentos, que também contribuem significativamente para o quadro geral.

O cenário de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, exerce uma pressão considerável sobre o orçamento das famílias. Juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e desaceleram a atividade econômica, embora sejam um instrumento para conter a inflação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa conjuntura impacta diretamente a capacidade de pagamento das famílias, tornando o controle financeiro um desafio ainda maior.

Inadimplência Apresenta Queda Pelo Terceiro Mês Consecutivo

Apesar do avanço no endividamento, um raio de esperança surge na queda da inadimplência. O índice de famílias com contas em atraso diminuiu pelo terceiro mês consecutivo, registrando 29,3% em janeiro, uma redução em relação aos 30,5% observados em outubro. Este movimento positivo é mais sentido entre famílias com rendas mais altas, enquanto as de menor renda continuam a enfrentar maiores dificuldades.

Entre os domicílios com rendimento de até três salários mínimos, a inadimplência atinge 38,9%, um percentual consideravelmente maior do que os 14,9% registrados entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos. O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas chegou a 64,8 dias, e 12,7% das famílias declararam não ter condições de quitar seus débitos vencidos. A expectativa da CNC é de que a inadimplência continue em queda gradual, podendo atingir 28,9% no primeiro semestre, acompanhando a tendência de redução da taxa Selic.

Projeções Futuras e Impacto da Taxa Selic

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o endividamento das famílias brasileiras deve continuar em alta ao longo do primeiro semestre de 2024, podendo atingir 80,4% em junho. Essa projeção reflete a persistência dos desafios econômicos e a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar o problema.

A taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, tem sido mantida em patamares elevados para combater a inflação. Apesar de seu papel no controle inflacionário, juros altos encarecem o crédito e podem desacelerar o crescimento econômico e a geração de empregos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estabilidade e a previsibilidade econômica são cruciais para aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e promover um ambiente mais favorável ao controle das dívidas.