Empresas trocam brindes comuns por peças indígenas com história e valor

Empresas que buscam brindes corporativos com significado e impacto social estão descobrindo uma alternativa inovadora: peças de artesanato indígena, produzidas por comunidades locais. Essa iniciativa, que vai além do simples presente, transforma a arte tradicional em um veículo de valorização cultural, geração de renda e fortalecimento de laços entre o mercado e as aldeias.

O projeto Ituketi, idealizado por estudantes da UFMS em Aquidauana, é um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova tendência. Ao encomendar um brinde por meio do projeto, as empresas recebem não apenas uma escultura ou objeto decorativo, mas também a história por trás da peça e de quem a produziu. Cada item é acompanhado da foto do artesão indígena e de um certificado de origem, garantindo autenticidade e conexão.

Arte indígena ganha mercado e reconhecimento

A proposta do Ituketi é clara: eliminar intermediários e assegurar que o valor integral da obra chegue diretamente às mãos de quem a criou. Essa abordagem não só amplia a renda nas aldeias, mas também eleva o status da arte tradicional, transformando-a em um poderoso instrumento de valorização cultural e de criação de oportunidades.

O projeto se destaca por repassar 100% do valor das vendas aos artesãos indígenas, além de garantir o reconhecimento de seu trabalho. Paulo Henrique Tavares, presidente do time Enactus Aquidauana e líder do projeto Ituketi, ressalta a importância dessa transparência: “O mais importante para nós é que o artesão indígena receba 100% do valor da sua obra, além de ter reconhecimento”.

O Ituketi já conquistou parcerias com grandes empresas, como Cargill e Sumitomo Chemical, além de agências de comunicação de São Paulo. Em breve, um site dedicado exclusivamente à arte e cultura indígena do Pantanal será lançado, onde cada artesão parceiro terá um espaço para compartilhar sua trajetória e processo criativo, ampliando ainda mais o alcance e a visibilidade dessas produções.

Enactus Brasil impulsiona o empreendedorismo social

Essas iniciativas são parte integrante do Enactus Brasil, uma organização que conecta universitários a comunidades para desenvolver projetos de empreendedorismo social. O Evento Nacional Enactus Brasil (ENEB), realizado em Campo Grande, reuniu cerca de 800 participantes, entre estudantes, professores e executivos, para apresentar e debater soluções inovadoras para desafios sociais e ambientais.

Pela primeira vez, a região Centro-Oeste sediou o ENEB, um marco para o empreendedorismo social universitário no Brasil. O evento não apenas expõe projetos como o Ituketi, mas também promove a troca de experiências e a formação de novas lideranças com propósito.

Diversidade de projetos transforma comunidades

Além do Ituketi, o time Enactus Aquidauana desenvolve outros projetos focados em comunidades indígenas. O Koyonoatí apoia a criação de hortas agroflorestais, integrando a produção de alimentos à merenda escolar e incentivando a formação de cooperativas. Já o Yukureâti trabalha na preservação da língua Terena por meio de jogos pedagógicos e livros didáticos, em colaboração com professores indígenas.

Em Nova Andradina, o projeto Macavida transforma a macaúba, fruto nativo do Cerrado, em produtos alimentícios, conciliando preservação ambiental, bioeconomia e fortalecimento da agricultura familiar. João Vitor Ribeiro, presidente do time Enactus UFMS Nova Andradina, destaca o papel da Enactus em transformar ideias em negócios de impacto.

Em Campo Grande, o projeto PantaMel apoia ribeirinhos na produção e comercialização de mel, buscando a Identificação Geográfica do Mel do Pantanal. O projeto Zuri, em parceria com uma comunidade quilombola, desenvolve misturas para bolo com frutos do Cerrado, fortalecendo a identidade cultural e incentivando a conservação de espécies nativas.

Impacto social e metas globais

O professor Geraldino Araújo, conselheiro do time Enactus UFMS Campo Grande, enfatiza o protagonismo dos estudantes na geração de impacto social positivo. Os projetos da Enactus Brasil, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, já impactaram diretamente mais de 97 mil pessoas em todo o país.

O ENEB também definiu a equipe que representará o Brasil na Enactus World Cup 2026, que acontecerá pela primeira vez no país, em São Paulo. Essa competição mundial reunirá participantes de mais de 30 países, evidenciando o alcance e a relevância do empreendedorismo social brasileiro no cenário global.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, iniciativas como essas demonstram um caminho promissor para empresas que buscam não apenas brindes, mas conexões autênticas e um compromisso genuíno com o desenvolvimento social e a valorização cultural. A arte indígena, carregada de história e significado, emerge como uma escolha poderosa para marcas que desejam expressar seus valores e contribuir para um futuro mais justo e sustentável.