Uma operação de combate ao contrabando de medicamentos, focada em produtos para emagrecimento, anabolizantes e peptídeos, resultou na apreensão de uma tonelada desses itens nos Correios de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A ação, denominada Visa-Protege, retirou de circulação produtos avaliados em R$ 10 milhões, que seriam distribuídos para diversas regiões do país, com um foco especial em cidades do Nordeste brasileiro. A Vigilância Sanitária estadual tem intensificado as inspeções, identificando estratégias criativas dos infratores para burlar a fiscalização.
Operação Visa-Protege combate o contrabando de emagrecedores
A Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul, em uma operação conjunta com os Correios, apreendeu uma quantidade expressiva de medicamentos ilegais. A ação, que visa coibir o tráfico de substâncias controladas e sem registro sanitário, já confiscou uma tonelada de produtos, majoritariamente emagrecedores, anabolizantes e peptídeos. O valor estimado dos itens apreendidos, considerando o preço de venda ao consumidor, ultrapassa os R$ 10 milhões. Esses medicamentos, muitas vezes de uso restrito e com necessidade de prescrição médica, eram enviados de forma irregular, escondidos em objetos do cotidiano.
O gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, destacou que a força-tarefa tem como objetivo principal impedir o fluxo desses produtos no mercado. “Nosso foco não é a tecnologia em si, mas o uso irregular dela. Estamos falando de medicamentos sem registro, sem controle sanitário, transportados de forma inadequada, para uso sem acompanhamento médico”, explicou Pirolo. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a operação tem sido diária, com a inspeção de todas as encomendas provenientes de cidades de fronteira através de raio-X.
Estratégias criativas para driblar a fiscalização
Os criminosos têm demonstrado engenhosidade ao tentar esconder os medicamentos proibidos. Diversas estratégias foram identificadas pela equipe de fiscalização, que incluem a ocultação das ampolas e frascos dentro de objetos como bonecas, sanduicheiras, air fryers, garrafas térmicas, livros e até mesmo em embalagens de creme para cabelo. Essa prática visa disfarçar a natureza do conteúdo e evitar a detecção pelos fiscais e cães farejadores.
Além do disfarce em objetos, os remetentes também optam por enviar os produtos em pequenas quantidades, distribuindo o material em diversas encomendas. A intenção é não levantar suspeitas de grandes volumes. No entanto, segundo Matheus Pirolo, outros fatores como o padrão das embalagens, a caligrafia nas etiquetas e declarações de conteúdo inconsistentes acabam denunciando a fraude. “Quem vai mandar um creme de cabelo para Vitória da Conquista, na Bahia? Ainda mais sendo remetente pessoa física. Aí entra no raio-X e a imagem acusa as ampolinhas em 3D. Na verdade, o que os infratores pensam ser disfarce, para a fiscalização, é justamente o que levanta a suspeita”, relatou Pirolo.
Medicamentos apreendidos serão incinerados
Todo o material apreendido pela operação Visa-Protege está sob a custódia da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e passará por um processo de incineração nas próximas semanas. A ação será realizada em conjunto com a Polícia Civil. Além da destruição dos produtos, os dados dos remetentes e destinatários estão sendo compilados e serão encaminhados às autoridades policiais para que as devidas investigações sejam realizadas. O objetivo é identificar e responsabilizar os envolvidos na cadeia de contrabando e distribuição desses medicamentos ilegais.
Riscos à saúde e penalidades legais
Os medicamentos apreendidos representam um sério risco à saúde pública. Em sua maioria, são produtos emagrecedores que exigem prescrição médica e acompanhamento rigoroso. O uso inadequado, sem supervisão profissional, pode levar a graves problemas de saúde. “Medicamento emagrecedor é sujeito a controle especial, avaliação e prescrição médica, de preferência endocrinologista e retenção de receita em farmácias e drogarias, portanto não pode ser comercializada online, jamais em redes sociais ou por pessoas físicas”, alertou Pirolo. Ele enfatizou que esses medicamentos causam alterações substanciais no organismo e possuem contraindicações que só um especialista pode avaliar. A linha entre o remédio e o veneno, segundo o gerente, é a dose que o paciente suporta sem efeitos colaterais graves.
As penalidades para quem comercializa e distribui esses produtos irregularmente são severas. Estabelecimentos como clínicas e farmácias podem ser multados em até R$ 30 mil, além de sofrerem interdição e a perda dos produtos. Pessoas físicas e responsáveis técnicos envolvidos na prática podem responder criminalmente, com risco de prisão e até mesmo a perda do registro profissional. A intensificação das apreensões ocorre em um momento em que a Anvisa impôs restrições a determinadas marcas de medicamentos emagrecedores, aumentando a busca por alternativas ilegais no mercado clandestino. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação reflete uma preocupação crescente com a saúde da população e a segurança dos medicamentos em circulação no país. O Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos desta e de outras operações de combate à irregularidade de produtos.

