Mato Grosso do Sul está em alerta máximo. Com 10.041 casos confirmados de chikungunya e 30 mortes registradas neste ano, o estado intensifica a preparação de seus profissionais de saúde para enfrentar os impactos do fenômeno El Niño. A expectativa é que o evento climático agrave o cenário epidemiológico, elevando os riscos de surtos de arboviroses e problemas respiratórios.
Saúde pública em alerta com El Niño
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) iniciou uma série de capacitações focadas em simular situações de emergência. O objetivo é preparar as equipes para um possível aumento de pacientes com quadros respiratórios, especialmente durante os períodos de queimadas, e, subsequentemente, para o crescimento da demanda por atendimento de pessoas com sintomas de dengue e chikungunya. Essas ações percorrerão as nove regiões de saúde do estado, abrangendo os 79 municípios sul-mato-grossenses.
Conforme a SES, os treinamentos visam capacitar os profissionais a tomarem decisões rápidas e eficazes diante da sobrecarga dos serviços de saúde. Medidas como a reorganização de equipes, transferência de pacientes e a ampliação da capacidade de atendimento estão sendo discutidas e simuladas. A preparação também considera outros cenários climáticos adversos, como ondas de calor, períodos de estiagem prolongada e chuvas intensas, que podem influenciar a proliferação de vetores.
A iniciativa do Mato Grosso do Sul ocorre em linha com os alertas emitidos pelo Ministério da Saúde, que advertiu estados e municípios sobre o risco iminente de aumento na transmissão de arboviroses. Projeções da Fiocruz, como a do InfoDengue, indicam um potencial de 1,7 milhão de casos de dengue no Brasil até 2027, um número que pode ser atualizado. Acompanhando de perto a situação, o Campo Grande NEWS checou os dados mais recentes sobre a incidência dessas doenças no estado.
Chikungunya e dengue em alta em MS
Até o dia 19 de agosto, Mato Grosso do Sul já contabilizava 10.041 casos confirmados de chikungunya, com um total de 12.663 casos prováveis. A doença já causou 30 mortes em 2024, distribuídas em 10 cidades. Em relação à dengue, foram registrados 1.978 casos confirmados e 4.667 prováveis. Uma morte por dengue foi confirmada em Bonito, e outros dois casos seguem em investigação, segundo informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.
Capacitação abrangente e focada
A série de capacitações, coordenada pela SES, começou nesta quinta-feira (20) e se estenderá pelas nove regiões de saúde. A primeira etapa concentrou-se em municípios da Região Centro, próximos a Campo Grande, com uma atividade específica planejada para a Capital devido ao grande número de profissionais de saúde. Em seguida, os treinamentos seguirão para outras regiões, como a Norte, com referência em Coxim, e a Centro-Sul.
Um ponto crucial da preparação será a capacitação do dia 31 de agosto, voltada para profissionais que atendem populações consideradas mais vulneráveis, incluindo indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Participam dessas atividades representantes da Vigilância em Saúde, Atenção Primária, hospitais e gestores municipais, garantindo uma abordagem integrada.
Impactos do clima na saúde
A preparação leva em conta que diferentes eventos climáticos podem gerar impactos distintos e, por vezes, sucessivos na saúde da população. Períodos de seca e queimadas, por exemplo, tendem a agravar problemas respiratórios. Por outro lado, a intensificação das chuvas favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. Mesmo em períodos secos, os ovos do mosquito podem resistir em recipientes e eclodir com o contato com a água, reforçando a importância da eliminação constante de possíveis criadouros, como alertado pelo Campo Grande NEWS.
A SES também está elaborando um manual específico para orientar os profissionais de saúde no atendimento relacionado a eventos climáticos. A Defesa Civil contribuirá com informações sobre o uso de alertas meteorológicos nas capacitações, enquanto a Vigilância Epidemiológica reforçará os procedimentos de notificação e identificação de mudanças no perfil dos atendimentos. A colaboração intersetorial é fundamental para a eficácia dessas ações preventivas.
Recomendações para a população
Diante do cenário, a população sul-mato-grossense é orientada a adotar medidas preventivas essenciais para evitar a proliferação do Aedes aegypti e a consequente disseminação das arboviroses. Essas recomendações incluem:
Manter caixas-d’água e reservatórios de água sempre bem fechados, eliminar recipientes que possam acumular água parada, como pneus, garrafas e vasos de plantas, limpar regularmente os bebedouros de animais e manter quintais e áreas externas livres de objetos que possam servir como criadouros para o mosquito.

