Um marco na paisagem urbana de Campo Grande, o Edifício José Abrão, carinhosamente lembrado como o antigo “Hotel Americano”, foi oficialmente tombado como patrimônio histórico do município. A publicação do decreto no Diário Oficial, nesta segunda-feira (16), formaliza a proteção a este imóvel de valor inestimável para a cidade.
A decisão, que atende a uma determinação judicial do fim de 2022, movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), visa salvaguardar não apenas a estrutura física do edifício, mas também o rico acervo cultural e histórico que ele representa para o centro de Campo Grande. O prédio, localizado no cruzamento das ruas 14 de Julho e Marechal Cândido Mariano Rondon, é um testemunho vivo da evolução da capital sul-mato-grossense desde sua fundação.
Com o tombamento, o Edifício José Abrão e todo o seu terreno passam a ter um regime especial de proteção, impedindo intervenções que descaracterizem ou destruam seu valor. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, qualquer alteração na construção, seja na fachada, cobertura ou em outras partes significativas, exigirá autorização prévia da Gerência de Patrimônio Cultural e licenciamento da prefeitura. A demolição ou destruição do prédio estão estritamente proibidas.
Preservação arquitetônica e visual garantida
A proteção estende-se também à área de entorno do edifício, com a criação de uma zona de proteção visual. O objetivo é assegurar que a visibilidade do Edifício José Abrão na paisagem urbana seja mantida, evitando que construções ou instalações futuras obstruam sua imponência. Desta forma, novas edificações na área não poderão ultrapassar a altura do prédio tombado, e elementos que causem poluição visual, como painéis e cartazes em excesso, serão coibidos.
O decreto estabelece regras claras para a preservação, visando manter a integridade do patrimônio. Intervenções como pinturas ou reformas sem o devido aval são proibidas, e o descumprimento pode acarretar sérias consequências. O proprietário será obrigado a restaurar o imóvel com recursos próprios em caso de danos não autorizados, além de estar sujeito a multas.
História e importância do Edifício José Abrão
O Edifício José Abrão, construído entre 1939 e 1940, tem um lugar de destaque na história de Campo Grande. Ele foi o primeiro prédio de três pavimentos da cidade, um feito arquitetônico para a época. Sua estrutura, que ainda preserva características originais, é um convite a uma viagem no tempo, contrastando com o dinamismo comercial da rua 14 de Julho.
Por muitos anos, o prédio abrigou o “Hotel Americano”, um ponto de encontro e hospedagem que marcou gerações de campo-grandenses e visitantes. A memória afetiva da cidade está intrinsecamente ligada a este imóvel, que agora tem sua existência assegurada para o futuro. O tombamento, aprovado pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais e pelo Conselho de Proteção ao Patrimônio Histórico, consolida o reconhecimento de seu valor.
Com a oficialização do tombamento, o Edifício José Abrão será incorporado ao Livro de Tombo de Artes Aplicadas do município, um registro formal da importância cultural e histórica do bem. A medida reforça o compromisso da gestão pública com a preservação da identidade e da memória de Campo Grande, conforme destacado pelo Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre o patrimônio local.
O decreto publicado no Diário Oficial, como confirmou o Campo Grande NEWS, detalha as normas e proibições para garantir a conservação do edifício. As sanções para quem desrespeitar as regras incluem a obrigação de reconstrução ou restauração às custas do infrator, além de multas que podem chegar ao dobro do valor do dano causado. Em casos de infrações menores, como pinturas não autorizadas, a multa será de 50% do valor da obra ou do material retirado.
A proteção do Edifício José Abrão é um passo fundamental para a **valorização do patrimônio histórico de Campo Grande**. A expectativa é que essa medida inspire a conservação de outros imóveis de valor cultural na cidade, fortalecendo a identidade e o turismo local. O tombamento não é apenas um ato burocrático, mas um compromisso com as futuras gerações, garantindo que a história e a arquitetura que moldaram Campo Grande continuem a inspirar e encantar.

