Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

Dario Durigan assume o Ministério da Fazenda em um momento delicado para as contas públicas brasileiras. Em seus primeiros dias no cargo, ele já precisou anunciar um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no orçamento de 2026, um valor considerado modesto por analistas diante da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal. O novo ministro herda desafios estruturais da gestão de Fernando Haddad, somados a pressões emergenciais típicas de um ano eleitoral, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

Ministro da Fazenda em meio a aperto fiscal e ano eleitoral

A gestão de Dario Durigan na Fazenda começa sob o signo da contenção de gastos e, ao mesmo tempo, da necessidade de implementar medidas de impacto imediato. O bloqueio orçamentário foi uma resposta à necessidade de manter as despesas dentro do limite de crescimento real de 2,5% acima da inflação, estabelecido pelo arcabouço fiscal. A meta oficial de superávit primário para 2026 é de R$ 3,5 bilhões, mas o próprio governo projeta um déficit de R$ 59,8 bilhões ao considerar precatórios e gastos fora do limite.

O cenário é complexo, com o governo tentando equilibrar a austeridade fiscal com demandas sociais e econômicas urgentes. A pressão por gastos é uma constante, e Durigan precisa navegar por essas águas turbulentas com habilidade para manter a confiança do mercado e a estabilidade econômica.

A equipe econômica, sob o comando de Durigan, projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões para 2026. No entanto, essa estimativa não considera precatórios e outros gastos que, segundo o próprio governo, levariam a um déficit primário de R$ 59,8 bilhões. Essa disparidade evidencia a magnitude do desafio fiscal que o novo ministro precisa enfrentar, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

Medidas emergenciais e pressão por gastos

Enquanto anuncia cortes, Durigan articula medidas para lidar com questões imediatas. Uma delas é a criação de um subsídio para o diesel importado, com custo estimado em R$ 3 bilhões, a ser dividido entre União e estados. A medida provisória (MP) foi editada para conter a alta dos combustíveis, influenciada pelo aumento dos preços internacionais do petróleo.

Outra frente de atuação é o combate à inadimplência, que afeta mais de 27% da renda das famílias brasileiras, segundo o Banco Central. O plano do governo pode envolver renegociação de crédito sem custo público, mas há o risco de novas despesas caso subsídios sejam ampliados. A chamada “taxa das blusinhas”, sobre compras internacionais de até US$ 50, também gera debate, pois sua redução, especialmente em ano eleitoral, pode impactar a arrecadação, que foi de R$ 5 bilhões em 2023.

Desafios de credibilidade e baixo crescimento

Especialistas apontam que os desafios de Durigan refletem limitações da gestão anterior. Virene Matesco, doutora em Economia e professora da FGV, destaca a dificuldade do governo em cumprir suas próprias metas fiscais. “O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”, afirma Matesco. A fragilidade do arcabouço fiscal e o aumento da dívida pública, que atingiu 78,7% do PIB, minam a confiança na política econômica e limitam a margem de manobra do ministro, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.

A rigidez orçamentária e o avanço dos gastos obrigatórios restringem o espaço para investimentos, resultando em um cenário de baixo crescimento. “Existe uma crise de credibilidade fiscal”, alerta Matesco, ressaltando o desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.

André Nassif, economista e professor da UFF, atribui parte das dificuldades a metas fiscais excessivamente ambiciosas definidas no início da gestão Haddad. Originalmente, o governo visava déficit zero em 2024 e superávits crescentes nos anos seguintes. Mudanças posteriores nas metas, como prolongar o déficit zero para 2025 e reduzir a meta de superávit para 2026, geraram apreensão no mercado financeiro.

Nassif sugere que o mercado aceitaria um pequeno déficit em 2025, desde que houvesse um compromisso claro com a redução do rombo fiscal. O aperto fiscal, segundo ele, limitou os investimentos públicos a cerca de 2,3% do PIB, patamar insuficiente para sustentar um crescimento econômico mais robusto e mantém o país em um ciclo de “stop and go”.

Com medidas emergenciais em curso e uma margem fiscal estreita, o principal desafio de Durigan será reconstruir a credibilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. Essa equação complexa, herdada da gestão anterior, permanece em aberto, exigindo do novo ministro uma atuação estratégica e eficaz para estabilizar a economia brasileira.