Dourados declarou situação de emergência em saúde pública nesta sexta-feira (20) devido ao alarmante avanço da chikungunya. A decisão, oficializada pelo prefeito Marçal Filho (PSDB), visa agilizar o acesso a recursos federais e intensificar as ações de combate à epidemia que assola a área urbana e a Reserva Indígena do município. A medida, válida por 90 dias, surge após um cenário preocupante com registro de mortes e centenas de casos confirmados, além da suspeita de subnotificação.
A Prefeitura de Dourados, em resposta à crescente ameaça da chikungunya, tomou a drástica medida de decretar emergência em saúde pública. A decisão foi consolidada após uma reunião estratégica com autoridades de saúde, incluindo representantes da Força Nacional do SUS. O foco principal é viabilizar a liberação de fundos do Ministério da Saúde para intensificar o controle da doença, que já ceifou vidas e se espalha rapidamente. Conforme informado pela assessoria da prefeitura, a declaração de emergência é crucial para direcionar os esforços de maneira mais eficaz contra a epidemia.
O decreto, publicado em edição suplementar do Diário Oficial do Município, fundamenta-se na Lei Federal nº 13.301/2016, que permite a adoção de medidas excepcionais diante do risco iminente à saúde pública causado pela proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da chikungunya. A situação se tornou insustentável com o aumento expressivo de casos, sobrecarregando as unidades de saúde e elevando a preocupação com a capacidade de atendimento.
O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, que acompanha de perto a situação em Dourados, endossou a necessidade urgente da decretação de emergência. Ele destacou que a epidemia exige ações enérgicas e coordenadas para frear sua disseminação, que, segundo o prefeito Marçal Filho, iniciou na Reserva Indígena e já alcança bairros próximos, gerando apreensão.
Avanço da Doença e Impacto na Reserva Indígena
A preocupação maior reside na Reserva Indígena, onde já foram registrados quatro óbitos e 274 casos confirmados de chikungunya. Três pessoas permanecem internadas, evidenciando a gravidade da situação nesses assentamentos. A expansão da doença para o perímetro urbano de Dourados, com um número crescente de infectados e maior demanda por atendimento médico, foi um dos principais fatores que levaram à decretação de emergência.
A prefeitura ressaltou que a expansão da transmissão para além do território indígena, o aumento na procura por consultas e a pressão sobre a rede assistencial, com risco de saturação de leitos e outros recursos, foram determinantes para a tomada de decisão. O secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, alertou que o surto já afeta regiões como Jockey Clube, Jardim dos Estados, Piratininga, Caiuás e Novo Horizonte, indicando a rápida disseminação do vírus.
Força Nacional do SUS e Alerta de Subnotificação
Para reforçar o combate, a Força Nacional do SUS já iniciou suas atividades em Dourados com uma equipe de sete profissionais, com previsão de ampliação para 21 integrantes a partir de domingo (22). Rodrigo Stabeli, representante da Força Nacional, sinalizou a possibilidade de subnotificação de casos, pois muitos pacientes com sintomas iniciais de chikungunya podem ter sido diagnosticados erroneamente como dengue. A principal distinção entre as doenças reside na intensidade das dores articulares.
Stabeli enfatizou a importância da colaboração da população na eliminação de focos de água parada, ressaltando que uma dedicação de apenas 10 minutos semanais por morador pode reduzir significativamente a incidência da doença. Ele também fez um alerta crucial: a vacina contra a dengue não oferece proteção contra a chikungunya, exigindo medidas de prevenção específicas para cada enfermidade.
Rede de Saúde Sob Pressão e Riscos Futuros
A médica Lúcia Silveira, especialista em chikungunya, avalia que, embora a rede de saúde local ainda consiga absorver a demanda atual, existe um risco iminente de agravamento nas próximas semanas. Dourados, por ser referência para 35 municípios da região, pode enfrentar um aumento de casos provenientes de cidades vizinhas, intensificando a pressão sobre seus serviços de saúde. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação exige vigilância constante e ações preventivas em larga escala.
O prefeito Marçal Filho declarou em entrevista ao Campo Grande NEWS que a situação é extremamente grave e que medidas enérgicas são indispensáveis para conter o avanço da doença. Ele reiterou a necessidade de união de esforços entre poder público e sociedade para superar este desafio sanitário. A atuação da Força Nacional do SUS, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS, é um passo importante para fortalecer o enfrentamento à chikungunya em Dourados.
A medida de emergência terá validade de 90 dias, com possibilidade de prorrogação mediante avaliação técnica da Secretaria Municipal de Saúde. A comunidade é instada a redobrar os cuidados e a buscar informações atualizadas sobre prevenção e combate à chikungunya, uma vez que a doença exige atenção contínua e um esforço coletivo para sua erradicação.

