Dólar fecha perto de R$ 5,15 com aversão a risco e bolsa em queda

O mercado financeiro brasileiro encerrou a segunda-feira (14) sob forte pressão, impulsionado pela aversão ao risco global e por fatores internos. O dólar à vista avançou 0,49%, aproximando-se da marca de R$ 5,15, enquanto a bolsa de valores, medida pelo Ibovespa, recuou 0,91%. A combinação de tensões geopolíticas, o avanço do preço do petróleo e incertezas no cenário político doméstico criaram um ambiente de cautela para os investidores.

Dólar sobe e Ibovespa cai com aversão a risco

A moeda estadunidense chegou a registrar altas mais expressivas durante o dia, alcançando o pico de R$ 5,183 pouco antes do meio-dia. Essa valorização inicial refletiu o comportamento do dólar no exterior, onde a busca por ativos considerados mais seguros aumentou diante do cenário de incertezas. A alta do petróleo Brent, que chegou a cotar US$ 109,80 no pico da manhã, também contribuiu para a pressão sobre o real.

No entanto, o dólar reduziu parte de seus ganhos no período da tarde. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de negociações com o Irã trouxeram algum alívio às preocupações com a oferta global de petróleo, o que ajudou a moderar a alta da moeda americana. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas fortes, apresentava alta de 0,41% no fim da tarde, indicando um comportamento positivo da moeda americana no cenário internacional.

No Brasil, as incertezas políticas ganharam destaque. A divulgação de pesquisas eleitorais e a instabilidade em torno de decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) adicionaram volatilidade ao mercado. O caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, com análise prevista pelo plenário do STF para a terça-feira (15), gerou atenção adicional. Além disso, desdobramentos de investigações relacionadas ao Banco Master também foram monitorados de perto pelos agentes financeiros.

Juros e expectativas econômicas

No mercado de juros futuros, as expectativas apontavam para uma possível redução do diferencial entre as taxas de juros brasileiras e americanas. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) se reunirá na quarta-feira (17) para definir a política monetária nos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro projeta a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic. Essa dinâmica pode influenciar o fluxo de investimentos no país.

Bolsa brasileira sente o peso do cenário global e local

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão em queda de 0,91%, aos 185.500,88 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 24,4 bilhões. A desvalorização foi puxada, em grande parte, por ações de mineradoras, afetadas pela queda nos contratos futuros de minério de ferro na China. O ambiente de incertezas políticas no Brasil também pesou sobre o desempenho do índice.

No cenário internacional, as preocupações com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial também impactaram o sentimento dos mercados. Em Nova York, o índice S&P 500 registrou uma queda de 0,48% no fechamento do pregão. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a busca por segurança em ativos globais contribuiu para a pressão sobre os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

Petróleo em alta e preocupações com inflação

O preço do petróleo Brent foi um dos principais vetores de pressão nos mercados. A alta inicial, próxima de 5%, foi motivada por novos ataques a infraestruturas energéticas na Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou o dia em alta de 1,02%, cotado a US$ 105,68. O contrato acumula ganhos expressivos no mês e no ano, superando 15% em setembro e cerca de 75% em 2023.

A persistente alta do petróleo eleva as preocupações com a inflação em diversas economias, o que pode ter um impacto direto nas decisões de política monetária dos principais bancos centrais. Esse cenário mantém o tema no centro das atenções do mercado financeiro nesta semana. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a volatilidade nos preços das commodities é um fator a ser observado de perto por investidores e analistas.