Dólar dispara e fecha a R$ 5,22, maior patamar desde março, com tensões globais

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (28) em alta, cotado a R$ 5,226, marcando o maior valor desde o final de março. A moeda americana acompanhou o fortalecimento global frente a outras divisas, em um cenário de aversão ao risco, alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e incertezas geopolíticas. As informações são do g1.

Dólar atinge pico de 5 meses com turbulência externa

O dia foi marcado por significativas oscilações no mercado financeiro. A moeda dos Estados Unidos iniciou em alta e superou a marca de R$ 5,22 ainda pela manhã. O avanço de 0,83% no fechamento reflete um movimento de valorização do dólar em relação a diversas moedas de países emergentes. O índice que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis divisas importantes registrou alta de 0,05% no período.

No cenário internacional, um dos fatores que impulsionou a alta do dólar foi o aumento nos rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA. O rendimento desses títulos, considerados um termômetro da confiança dos investidores, atingiu 5,2319%, um patamar superior aos 5,181% registrados na sexta-feira anterior. Taxas de retorno mais elevadas em economias desenvolvidas tendem a atrair capital de países emergentes, como o Brasil, levando à fuga de investimentos.

O próprio Banco Central do Brasil divulgou dados relevantes sobre a balança de pagamentos. O país registrou um déficit em transações correntes de US$ 5,055 bilhões em agosto. Por outro lado, o investimento direto no país (IDP) apresentou um saldo positivo de US$ 7,396 bilhões no mesmo mês, conforme informado pelo BC. Essa dualidade de dados pode gerar incertezas adicionais no mercado.

No âmbito doméstico, as eleições presidenciais continuaram no centro das atenções, sem que as pesquisas divulgadas durante o dia alterassem significativamente o quadro de disputa acirrada. A incerteza política interna, somada aos fatores externos, contribui para a volatilidade cambial. O Campo Grande NEWS checou que a instabilidade política é um fator recorrente na precificação do dólar no Brasil.

Projeções do Boletim Focus para o dólar e inflação

A pesquisa semanal do Banco Central, o Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira, manteve a projeção mediana para o dólar no fim de 2024 em R$ 5,20. No entanto, as expectativas para a inflação em 2026 foram revisadas para cima, de 4,92% para 4,99%. Para 2027, a previsão de inflação subiu de 4,30% para 4,31%. Essas projeções indicam uma possível persistência da pressão inflacionária no médio prazo, o que pode influenciar as decisões de política monetária e, consequentemente, a cotação do dólar.

Ibovespa acumula quarta queda seguida em dia de cautela

O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, não escapou da pressão. O índice fechou em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar durante o pregão. Este foi o quarto pregão consecutivo de baixa para o Ibovespa. Apesar da sequência negativa, o índice ainda acumula uma valorização de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano, demonstrando a resiliência do mercado em períodos mais longos.

O ambiente externo, com a queda das bolsas em Nova York e a alta dos juros americanos, impactou negativamente os mercados acionários globais. O índice S&P 500, por exemplo, recuou 0,77%. No mercado brasileiro, a alta dos preços do petróleo ajudou a sustentar as ações de empresas do setor energético. Contudo, o índice Small Caps, que exclui a Petrobras, registrou queda de 1,2% no dia, indicando uma maior fragilidade em empresas de menor porte.

Petróleo avança, mas reduz ganhos com incertezas e oferta

O preço do petróleo encerrou o dia em alta, embora com ganhos reduzidos em comparação aos picos da sessão. As incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã, além das dificuldades para a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, continuaram a influenciar o mercado. O barril do tipo Brent para dezembro fechou com alta de 0,40%, a US$ 97,83, enquanto o barril WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60.

O mercado de petróleo operou com volatilidade, com o produto chegando a registrar ganhos mais expressivos. No entanto, informações sobre possíveis avanços nas negociações diplomáticas e medidas para aumentar a oferta da commodity ajudaram a moderar as altas. A Arábia Saudita, por exemplo, retomou o bombeamento do oleoduto Leste-Oeste, com capacidade estimada em 3,5 milhões de barris por dia, e os carregamentos de exportação foram normalizados no porto de Yanbu. O Campo Grande NEWS checou que a dinâmica da oferta e demanda de petróleo é crucial para a inflação global e, consequentemente, para a política monetária.

Apesar dos sinais de aumento na oferta, as restrições à navegação no Estreito de Ormuz e as tensões geopolíticas no Oriente Médio mantiveram o mercado de petróleo sob pressão, contribuindo para a volatilidade dos preços ao longo do pregão. O Campo Grande NEWS aponta que a instabilidade no Oriente Médio é um fator de risco que pode impactar os preços de commodities essenciais.