Diretor de hospital assina acordo com MPMS para evitar pena por armas dias antes de nova prisão na Operação Dirty Pix

Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, foi preso nesta quarta-feira (7) na segunda fase da Operação Dirty Pix. A prisão ocorreu dois dias após Breure firmar um acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para evitar uma ação penal relacionada à posse irregular de armas e munições, descobertas na primeira etapa da investigação. O pedido de aprovação do acordo foi protocolado na Justiça na terça-feira (6), véspera da sua nova detenção, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Pelo Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), Jacob Meeuwis Breure concordou em abrir mão da fiança de R$ 15.180, paga em novembro de 2025, e se comprometeu a adquirir cinco kits de jogos educativos para doação à rede de ensino de Sidrolândia. Este acordo, contudo, limita-se ao caso das armas e munições apreendidas e não abrange as suspeitas de desvio de recursos públicos destinados ao hospital, que somam mais de R$ 18 milhões em convênios.

A nova fase da Operação Dirty Pix resultou na prisão preventiva de Breure, além de uma policial civil e um assessor político. A operação cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em diversas cidades de Mato Grosso do Sul, mirando empresas ligadas a Jacob Meeuwis Breure e a residência de sua contadora.

Armas e munições encontradas em novembro de 2025

As armas e munições em questão foram localizadas em 18 de novembro de 2025, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência de Jacob Meeuwis Breure. Foram encontrados um baú de madeira com uma pistola Taurus PT 57S, calibre 7,65 milímetros, e 69 munições em uma gaveta. Entre as munições, estavam calibres .38, 7,65, 6,35 e .357, além de uma pistola CZ 92, calibre 6,35 milímetros.

Na ocasião, Jacob Meeuwis Breure alegou que o armamento pertencia ao seu sogro falecido e que sua esposa o guardava por valor sentimental. Ele confirmou ser o proprietário do baú, mas negou conhecimento sobre a presença das armas e munições no local. O delegado responsável arbitrou fiança de R$ 15.180, que foi paga, resultando na liberdade de Breure no mesmo dia.

Um cartucho calibre .357, considerado de uso restrito, foi registrado no despacho policial. No entanto, o delegado optou por não aplicar o enquadramento mais grave, argumentando se tratar de uma única munição sem arma compatível entre as apreendidas. A juíza confirmou a regularidade do flagrante e determinou o arquivamento daquele procedimento, mas a investigação sobre o armamento prosseguiu em inquérito próprio.

Esposa de Breure também firmou acordo com o MPMS

Em depoimento prestado em dezembro de 2025, Laura Ynes Yule Fernandes Breure, esposa de Jacob Meeuwis Breure, confirmou que as armas e munições eram do seu pai, falecido cerca de quatro anos antes. Ela assinou um acordo separado com o MPMS, comprometendo-se a comprar e doar uma coleção literária para a rede de ensino. Jacob e Laura concordaram em abrir mão das armas e munições, que serão encaminhadas ao Comando do Exército.

Jacob Meeuwis Breure também buscou a Justiça para reaver celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos na primeira fase da Dirty Pix. A defesa argumentou que os aparelhos estavam retidos há mais de nove meses e eram essenciais para suas atividades pessoais, empresariais e para a administração do hospital, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS.

Segunda fase da Dirty Pix e suspeitas de desvio de milhões

A segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada nesta quarta-feira, resultou na prisão preventiva de Jacob Meeuwis Breure, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva. A operação envolveu mandados de prisão e busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

As investigações apontam para um esquema de desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar. O esquema envolveria a administração do hospital e a empresa fornecedora, com suspeitas de pagamento de vantagens indevidas a vereadores. O dinheiro seria transferido por Pix, diretamente ou via terceiros, com pagamentos de até R$ 100 mil a vereadores em 2022.

Com o aprofundamento das apurações, o MP identificou indícios de reprodução do esquema em outros convênios da entidade responsável pelo hospital, totalizando mais de R$ 18 milhões em recursos investigados. Os planos de trabalho continham informações fraudulentas, com superfaturamento e direcionamento de contratações. Parte dos recursos teria sido desviada e redistribuída a agentes políticos, articuladores e intermediários, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Investigadores também apontaram o uso do poder financeiro do grupo para obstruir as apurações. Durante a cobertura da operação nesta quarta-feira, representantes do hospital se recusaram a comentar o caso com a imprensa.