Apesar dos esforços para aumentar a cobertura vacinal, incluindo um Dia D com unidades abertas e pontos de vacinação estratégicos, a procura por imunizantes em Campo Grande segue abaixo do esperado. Profissionais de saúde relatam movimento tímido, e autoridades apontam a rotina corrida e a desinformação como os principais entraves para a adesão da população.
Desafios na Cobertura Vacinal em Campo Grande
No último sábado (22), Campo Grande mobilizou 18 unidades de saúde e três pontos extras para o Dia D de vacinação. A iniciativa visava atualizar a caderneta de imunização, especialmente de crianças e adolescentes. No entanto, o movimento registrado foi considerado baixo pelas autoridades de saúde. A Secretaria de Saúde do município estima que, em algumas faixas etárias, entre 20% e 30% da população não esteja com a vacinação em dia, um índice preocupante para a saúde pública.
Conforme informações divulgadas, a campanha estadual de atualização da caderneta segue até 1º de setembro, com foco prioritário em menores de 15 anos. O objetivo é identificar e aplicar doses atrasadas ou esquemas incompletos, garantindo a proteção contra diversas doenças. A importância da vacinação para a prevenção de surtos e a redução da sobrecarga no sistema de saúde foi reforçada pela prefeita Adriane Lopes.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, destacou que a vacinação é uma ação contínua e fundamental para a atenção básica. Ele ressaltou que, mesmo fora das campanhas específicas, unidades de saúde funcionam aos fins de semana, oferecendo imunizantes. A desinformação sobre a segurança e eficácia das vacinas, aliada à correria do dia a dia, são apontadas como os principais obstáculos a serem superados para reverter o cenário de baixa adesão, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Rotina Corrida: O Principal Vilão da Vacinação
Para muitos moradores, a falta de tempo durante a semana é o principal motivo para adiar a atualização da caderneta de vacinação. Nathalia Flores Martins, 31 anos, recepcionista, aproveitou o Dia D para levar o filho ao posto. Ela, que se mudou recentemente para a região, ressaltou como a mobilização aos sábados facilitou a tarefa, que muitas vezes se torna impossível de realizar durante o horário de trabalho.
Thamiris de Oliveira, 34 anos, artesã, compartilhou uma experiência semelhante. Ela utilizou o mutirão para resolver pendências de vacinação do filho e também para se imunizar contra a gripe. “A gente trabalha, tem a rotina e a escola das crianças, então muitas vezes não consegue ir durante a semana. Ter um evento como esse no sábado ajuda bastante”, afirmou.
A professora Evellyn Virgini Ortigoza, 29 anos, levou a filha Elloá Luiza, 10 anos, para receber as vacinas contra gripe e HPV. A menina demonstrou consciência sobre a importância da imunização: “Acho importante porque ajuda a gente a não ficar doente e também prepara o nosso organismo para prevenir doenças. É uma forma de se proteger”, disse.
Desinformação: Um Inimigo Invisível das Vacinas
Além da rotina, a desinformação representa um grande desafio para a saúde pública. Jaqueline Vilhaga Ribeiro, 36 anos, encarregada de obras, acredita que informações falsas sobre os imunizantes afastam parte da população. “A pessoa acaba passando uma versão errada da vacina, acha que a vacina faz mal. Mas, se ela fizesse mal, as crianças não estariam com a saúde tão elevada”, ponderou.
Ela enfatizou que o hábito de manter a vacinação em dia é algo aprendido em família. Sua mãe sempre reforçou a importância de estar com a caderneta atualizada para evitar doenças. A filha Agnes, de 6 anos, respondeu de forma direta quando questionada sobre a ausência de vacinação: “morto”.
Ana Paula de Souza Mendes, 38 anos, dona de casa, também esteve no posto com os filhos. Ela ressaltou que acompanha o calendário de vacinação e busca informações sobre novos imunizantes, como a Pneumo 20. Contudo, ela mencionou a resistência do marido em se vacinar, atribuindo-a ao medo de injeção, um receio comum entre alguns homens, conforme relatado pela própria Ana Paula.
Frio e Baixa Procura: Um Cenário em Campo Grande
No Jardim Noroeste, um dos bairros mais populosos de Campo Grande, o movimento em uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) durante a manhã do Dia D estava abaixo do esperado. O técnico em enfermagem Rudson Cedrão informou que apenas 14 pessoas haviam procurado o local até aquele momento. Ele sugeriu que o frio da manhã pode ter influenciado a baixa adesão inicial, com expectativa de aumento no período da tarde.
“Às vezes essa procura também hoje diminuída até agora é por causa do tempo. O frio, o pessoal fica um pouco mais em casa. Agora, quando saiu o sol e começou a esquentar, provavelmente a procura vai ser bem grande agora no período da tarde”, disse Cedrão. A mobilização ofereceu vacinas contra Covid-19, gripe e outras previstas no calendário nacional. O Campo Grande NEWS apurou que a campanha estadual, com foco em menores de 15 anos, continua até 1º de setembro em todos os municípios de Mato Grosso do Sul.
A importância de manter a caderneta em dia foi reforçada em todas as ações, visando garantir a proteção da população contra doenças que podem ser prevenidas pela imunização. O Campo Grande NEWS destaca que a informação correta e o acesso facilitado aos serviços de saúde são cruciais para combater a desinformação e aumentar a cobertura vacinal.

