O despachante David Cloky Hoffman Chita, que permaneceu foragido por dois anos, compareceu nesta quarta-feira (data da audiência) à 3ª Vara Criminal de Campo Grande para sua primeira audiência de instrução. Ele é apontado como o líder de um esquema criminoso que teria desviado recursos e liberado irregularmente veículos com restrições administrativas no Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MS). O caso, que corre em segredo de justiça, envolve também uma ex-servidora do órgão e outros dois despachantes.
A fraude, que veio à tona após denúncia interna de um servidor, consistia na liberação de veículos com pendências administrativas, mediante o pagamento de propina. O servidor identificou 29 liberações suspeitas em fevereiro de 2024, utilizando seu login e senha, mesmo em dias em que não estava no órgão. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as liberações indevidas ocorreram em 9 e 15 de fevereiro daquele ano, com registros genéricos como “OK VISTORIA”.
A investigação apontou que um computador ligado à ex-servidora comissionada, Yasmin Osório Cabral, foi utilizado para 27 liberações irregulares em um único dia. Documentos de 25 veículos haviam sido baixados por David Chita, além de Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira, todos ligados ao mesmo escritório de despachante, um dia antes das fraudes. A defesa de Yasmin nega a participação dela, alegando que há documentos e testemunhas que comprovam sua inocência.
Yasmin foi presa em julho de 2024, mas obteve prisão domiciliar após descobrir gravidez. A defesa dela destacou que outras oitivas estão previstas e que a versão da defesa já consta nos autos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ex-servidora responde ao processo em prisão domiciliar.
Despachante foragido alega receio e problemas de saúde
David Cloky Hoffman Chita, que esteve foragido por dois anos, teve seu período de reclusão justificado por seu advogado, Mateus Tomazini dos Santos. Segundo ele, o receio da prisão e **graves problemas de saúde**, que demandam uso contínuo de medicamentos, motivaram a fuga. O advogado negou a existência de qualquer negociação de delação premiada e afirmou que rumores externos têm prejudicado o andamento do caso. Pedidos de habeas corpus já foram apresentados pela defesa.
Outros réus e suas defesas
Além de Chita e Yasmin, também são réus no processo os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. Hudson responde em liberdade, mas com medidas cautelares que o impedem de se aproximar do Detran ou atuar em procedimentos do órgão. Seu crachá funcional foi recolhido.
O advogado de Hudson, Mikhail Monteiro, avaliou a audiência de forma positiva e sustenta que **não há provas de envolvimento do cliente**. Segundo ele, apenas uma testemunha mencionou o nome de Hudson, sem atribuir crime. A acusação aponta inserção de dados falsos e organização criminosa, mas a defesa argumenta que Hudson atuava como preposto, sem acesso ou função para cometer as fraudes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Hudson está submetido a medidas cautelares.
Defesa de Edilson não se manifesta
A defesa do despachante Edilson Cunha Nogueira não se manifestou após a audiência. O processo, que investiga a liberação irregular de veículos com restrições administrativas mediante pagamento de propina, segue em segredo de justiça. A investigação detalhada, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, revelou um padrão de conduta que ligava os acusados ao escritório de despachante investigado.
O esquema aponta para a **inserção de dados falsos no sistema do Detran/MS**, com o objetivo de burlar a fiscalização e liberar veículos que possuíam impedimentos legais. A rapidez com que as liberações ocorriam e a utilização de logins de terceiros levantaram suspeitas iniciais que desencadearam a investigação interna e, posteriormente, a ação penal. A participação de cada um dos envolvidos ainda será detalhada ao longo do processo judicial.

