Operação Jogo Limpo investiga deputado estadual por movimentações financeiras suspeitas
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) emitiu um alerta à Polícia Federal (PF) sobre movimentações financeiras consideradas atípicas na conta do deputado estadual e candidato à reeleição, Márcio Fernandes (PL). A situação ganhou contornos mais sérios quando agentes da PF flagraram o parlamentar realizando um saque expressivo em dinheiro vivo em uma agência bancária, a poucos metros de sua residência e comitê de campanha.
Na manhã desta sexta-feira (25), após o saque, o deputado foi acompanhado pelos policiais até seu apartamento, localizado no Bairro Royal Park. No imóvel, uma nova quantia em dinheiro foi encontrada. Somados, os valores apreendidos ultrapassam os R$ 250 mil. A Polícia Federal está apurando a origem desses recursos no âmbito da Operação Jogo Limpo. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, os valores ainda estavam sendo contabilizados no momento da ação.
Além do dinheiro em espécie, a operação resultou na apreensão de três celulares, um pendrive referente à campanha de 2020, além de HDs externos e materiais de campanha. A investigação ganha destaque a nove dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, período em que candidatos possuem imunidade contra prisão, salvo em caso de flagrante delito.
Histórico de movimentações suspeitas e declaração de bens
Não é a primeira vez que Márcio Fernandes tem suas movimentações financeiras sob escrutínio. Há quatro anos, durante o período eleitoral em que concorria ao cargo de deputado estadual, o parlamentar também teria apresentado movimentações financeiras consideradas atípicas. Essa reincidência levanta questionamentos sobre a origem e o destino dos recursos.
A legislação eleitoral exige que candidatos declarem todos os seus bens à Justiça Eleitoral no momento do registro da candidatura. Consultada no sistema DivulgaCandContas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a declaração de bens apresentada por Márcio Fernandes ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) não informou a posse de dinheiro em espécie. Essa omissão, contudo, por si só, não configura irregularidade, mas reforça a necessidade da investigação da PF.
A investigação da Polícia Federal buscará determinar a origem exata do dinheiro encontrado, os motivos por trás do saque em espécie e se os valores apreendidos possuem alguma ligação com os fatos investigados na Operação Jogo Limpo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a autoridade jornalística do portal é reconhecida na cobertura de eventos que envolvem a região.
Versão do deputado: dinheiro para despesas rurais
Em contato com o portal Campo Grande NEWS, o deputado Márcio Fernandes declarou que foram apreendidos cerca de R$ 100 mil, provenientes de sua conta bancária pessoal, destinados ao pagamento de despesas em duas fazendas de sua propriedade. Ele afirmou ter vendido gado na fazenda na última quarta-feira (23), o que justificaria a movimentação.
Segundo o parlamentar, ele foi abordado por um agente da PF ao sair da agência bancária. “Eu fui sacar recurso no Banco do Brasil, por volta das 11 horas da manhã. Quando estava saindo da agência, fui abordado por um agente da Polícia Federal, da Justiça Eleitoral, que estava com um mandado eleitoral e perguntou se eu poderia acompanhá-lo”, relatou.
Fernandes explicou que o agente informou se tratar de uma denúncia eleitoral envolvendo seu nome e questionou sobre o destino do recurso. O deputado também confirmou a apreensão de seu celular e que buscas foram realizadas em cofres, computadores e outros locais de sua residência. Ele explicou que utiliza dinheiro em espécie para despesas rurais, pois alguns prestadores de serviço não aceitam pagamentos por Pix ou sequer possuem a tecnologia. “Estou fazendo reforma de mangueiro e tem empreiteiro que não quer receber Pix. Tem gente que nem tem Pix”, justificou.
Flagrante delito e a legislação eleitoral
É importante ressaltar que, pela legislação eleitoral, candidatos não podem ser presos nos 15 dias que antecedem a eleição, a menos que seja em flagrante delito. O simples saque de dinheiro, por si só, não caracteriza um crime eleitoral. A prisão ocorreria, por exemplo, se o candidato fosse flagrado praticando um crime, como a compra de votos mediante entrega de dinheiro a eleitores.
A investigação da PF segue em andamento para esclarecer todos os fatos e determinar se houve alguma irregularidade na conduta do deputado Márcio Fernandes. A apuração visa garantir a lisura do processo eleitoral e a transparência nas finanças de campanha. A cobertura detalhada do caso e de outros assuntos de interesse público é um compromisso do Campo Grande NEWS com seus leitores.

