Delegado alega problemas de saúde, mas segue preso por desvio de drogas

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso na Operação Infiltrados do Gaeco e apontado como líder de um esquema de desvio de drogas apreendidas, **alegou problemas cardíacos e de ansiedade** durante sua audiência de custódia neste sábado (26). Apesar das alegações, a justiça determinou que ele **permanecerá preso**. A audiência ocorreu no Fórum de Campo Grande, e o delegado foi encaminhado para a sede da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul).

A defesa de Hoffman informou que pretende entrar com um pedido de revogação da prisão na próxima semana, mas ainda não teve tempo de analisar todos os autos do processo. Outros seis investigadores, também alvos da Operação Infiltrados, passaram por audiências de custódia e tiveram suas prisões mantidas. Todos os envolvidos foram **afastados compulsoriamente** de suas funções e respondem a processos administrativos disciplinares, que podem levar à demissão do serviço público, independentemente das ações penais.

A Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco, investiga o **desvio de drogas apreendidas** e o desaparecimento de entorpecentes de depósitos policiais antes da incineração. As investigações iniciaram em 2025 após suspeitas de que parte significativa das cargas apreendidas acabava sumindo ou sendo substituída. A ação cumpriu 64 ordens judiciais, incluindo 24 prisões preventivas, duas temporárias e 38 de busca e apreensão em diversas cidades de Mato Grosso do Sul.

Defesa alega problemas de saúde e busca liberdade

Durante a audiência de custódia, que visa analisar a legalidade da prisão, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa apresentou atestados médicos que comprovam, segundo seus advogados, que ele sofre de problemas cardíacos e ansiedade. A defesa, representada por Amilton Ferreira e José Roberto Rosa, teve acesso aos autos na noite de sexta-feira (25) e planeja apresentar o pedido de revogação da prisão ainda nesta semana. O delegado foi levado à sede da Corregedoria-Geral da Polícia Civil após a audiência.

O advogado Amilton Ferreira declarou ao Campo Grande NEWS que a defesa ainda está analisando a vasta documentação do caso e que o pedido de liberdade será protocolado assim que os trâmites legais permitirem. A situação de Hoffman e dos demais investigadores presos é delicada, com a polícia civil e o Ministério Público atuando firmemente contra o suposto esquema de corrupção.

Outros Investigadores Presos e Afastados

Além de Hoffman, outros seis investigadores foram detidos e passaram por audiência de custódia: Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Marcos André Santos Chaves. Todos são acusados de envolvimento no esquema de desvio de drogas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, todos eles tiveram o afastamento compulsório publicado no Diário Oficial do Estado na manhã de sexta-feira (25).

As publicações no Diário Oficial detalham o recolhimento das carteiras funcionais, armas de fogo e bens de patrimônio público dos servidores. Além disso, suas senhas e logins de acesso aos sistemas policiais foram suspensos imediatamente, e férias programadas foram canceladas enquanto durarem as prisões. A medida visa garantir a integridade das investigações e evitar qualquer interferência por parte dos acusados.

Operação Infiltrados: A Investigação do Desvio de Drogas

A Operação Infiltrados é o resultado de uma investigação minuciosa que começou no final de 2025. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) suspeitou que uma parte considerável das drogas apreendidas em operações policiais acabava sumindo dos depósitos ou sendo substituída antes da destruição oficial. A operação cumpriu 64 ordens judiciais, com foco em desarticular uma rede criminosa que atuava dentro da própria polícia.

Durante as buscas, equipes estiveram na residência do delegado Hoffman, apontado como o principal articulador do esquema, mas ele não foi encontrado. Hoffman se apresentou espontaneamente na Corregedoria da Polícia Civil na tarde de quinta-feira (24), antes de ser formalmente preso. A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) confirmou que todos os envolvidos responderão a processos administrativos disciplinares.

Em nota, a Sejusp informou que os servidores já eram monitorados e investigados internamente. Um ex-policial, Paulo Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba”, já havia sido demitido em agosto após ser preso por envolvimento em um esquema de desvio de mercadorias. Apesar de ter sido absolvido pela Justiça Federal em outro caso, ele se tornou alvo da operação do Gaeco, demonstrando a amplitude das investigações. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos deste caso que abala a segurança pública do estado.