A morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, ocorrida em abril de 2026, em Campo Grande, pode ter tido uma motivação financeira. Essa é a principal linha de investigação apontada pela delegada responsável pelo caso, Analu Ferraz. Durante audiência sobre o crime, a delegada detalhou indícios que reforçam essa tese, incluindo o uso de recursos da vítima pelo namorado, Gilberto Jarson, de 50 anos, e o porte de arma vinculada à família dela. Conforme o Campo Grande NEWS checou, peritos já descartaram a hipótese de suicídio, e o suspeito apresentou versões contraditórias sobre os fatos.
Subtenente da PM: Dinheiro e arma em foco na investigação
A audiência, que contou com oitiva de sete testemunhas, incluindo familiares do réu, foi presidida pelo juiz de Direito Aluízio Pereira dos Santos na 2ª Vara do Tribunal do Júri. A delegada Analu Ferraz explicou que a análise preliminar do celular da vítima revelou indícios de que mensagens haviam sido apagadas, o que levantou suspeitas sobre a comunicação do casal.
Segundo a delegada, a subtenente Marlene enfrentava dificuldades financeiras. Documentos encontrados durante a investigação apontam para empréstimos que resultavam em um salário líquido de cerca de R$ 2,5 mil mensais, um valor considerado baixo para o tempo de carreira da policial. Esse cenário financeiro, na visão da delegada, pode ter sido um fator determinante na dinâmica do relacionamento.
A vítima demonstrava um forte envolvimento emocional com o namorado, o que pode ter levado à aceitação de certas situações. “Pelos relatos dos filhos e de amigos, tive a percepção de que Gilberto surgiu na vida dela como alguém que lhe oferecia companhia e estabilidade emocional”, pontuou a delegada Analu Ferraz. Ela também mencionou que o réu costumava andar armado e utilizava a arma registrada em nome de um familiar da vítima, conforme relatos informais de moradores da região.
Ausência de interação digital levanta suspeitas
Um ponto que chamou atenção na investigação foi a ausência de interações digitais entre o casal. Apesar de estarem juntos há cerca de um ano e meio, não foram encontradas mensagens, fotos ou vídeos trocados entre eles, apenas dois registros de ligações. Essa falta de comunicação virtual contrasta com a proximidade que um relacionamento amoroso costuma ter.
Comportamento do réu no dia do crime é questionado
O comportamento de Gilberto Jarson no dia da morte de Marlene também é um ponto crucial. Relatos indicam que ele foi visto com a arma em mãos e se movimentando pela residência. Um perito que esteve no local considerou a dinâmica observada incompatível com a hipótese de suicídio. A delegada enfatizou que a investigação foi conduzida com cautela, considerando todas as hipóteses possíveis.
Filho relata mudanças na subtenente após início do relacionamento
O filho da vítima, Marcus Vinícius, descreveu que sua mãe passou por mudanças significativas após o início do relacionamento. Ele observou que Marlene, antes alegre e extrovertida, tornou-se mais afastada, fechada e triste. O filho também relatou que o réu demonstrava ciúmes, inclusive da convivência da mãe com os próprios filhos. Nos últimos meses, Marlene expressava o desejo de terminar o relacionamento, mas hesitava em fazê-lo.
Marcus Vinícius também mencionou a situação financeira da mãe. Em conversas com o casal, ele ouviu que Gilberto pretendia iniciar negócios e que parte dos empréstimos feitos por Marlene teria sido destinada a esse fim. Após a morte, a família descobriu que o volume de dívidas era maior do que o imaginado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, amigos próximos também relataram sinais de controle e possessividade por parte do réu, além de ciúmes excessivos e comportamento opressor.
Marlene de Brito Rodrigues: uma pioneira da PM
O crime ocorreu no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande. Marlene de Brito Rodrigues era uma das pioneiras da Polícia Militar feminina no estado e atuou em unidades importantes da corporação. Ela foi encontrada morta de farda, caída perto da janela da sala de sua residência. O Campo Grande NEWS destaca a importância histórica da subtenente para a força policial.
No dia do crime, um policial militar que passava pela região ouviu o disparo e entrou na residência, encontrando Gilberto Jarson com um revólver calibre .38 nas mãos. O suspeito chegou a ligar para a Polícia Militar, para o próprio cunhado e para seu advogado logo após o tiro. As versões apresentadas por ele na delegacia foram contraditórias e contestadas por testemunhas e vizinhos, que relataram histórico de brigas frequentes e barulhentas na residência.

