Delegacia das Moreninhas desativa celas e foca em investigações

A 4ª Delegacia de Polícia Civil, localizada no bairro Moreninhas, na região sul de Campo Grande, encerrou oficialmente nesta segunda-feira (2) suas atividades de custódia de presos. As celas da unidade foram desativadas de forma permanente, marcando uma mudança significativa no trabalho da instituição. A partir de agora, a delegacia concentrará seus esforços exclusivamente na investigação criminal e no atendimento à população, mantendo o registro de ocorrências funcionando 24 horas por dia.

Esta alteração representa o fim de um ciclo de décadas em que policiais civis precisavam conciliar o trabalho investigativo com a vigilância e escolta de detentos, que por vezes permaneciam na unidade por até 90 dias. A medida, considerada histórica pela categoria, atende a uma antiga reivindicação por dedicação exclusiva às investigações, sem a necessidade de acumular funções. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a custódia de presos agora passa a ser responsabilidade integral da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

A delegada titular da unidade, Sueili Araújo Lima Rocha, destacou a importância da mudança. “Nossa unidade, por muitos anos, exerceu a custódia de presos, acumulando uma atribuição que, embora necessária em determinado contexto, sempre exigiu grande esforço estrutural, humano e administrativo”, afirmou. Ela ressaltou que as delegacias, em geral, não possuem a estrutura adequada para uma custódia prolongada.

Fim do acúmulo de funções policiais

Com o fim da carceragem nas Moreninhas, investigadores e escrivães que antes dedicavam tempo à vigilância, alimentação e escolta de presos poderão se dedicar integralmente às atividades de investigação de crimes. Essa liberação de tempo e recursos visa a otimizar os processos investigativos e, consequentemente, a resposta da polícia à sociedade.

O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) celebrou a decisão, classificando-a como um marco para a categoria. “Essa sempre foi uma das nossas principais pautas: garantir que o policial civil exerça a investigação, e não a guarda de presos. Hoje é um dia histórico para a categoria”, declarou o sindicato em nota oficial. A entidade reforça que a mudança atende a um anseio antigo dos profissionais, que buscam maior eficiência e foco em suas atribuições primordiais.

Impacto na investigação e atendimento

A desativação das celas na 4ª Delegacia de Polícia Civil é vista como um passo importante para a modernização e especialização das forças de segurança pública em Campo Grande. Ao transferir a responsabilidade da custódia para o órgão competente, a Polícia Civil pode direcionar seus recursos humanos e materiais para aprimorar as técnicas de investigação e o combate à criminalidade.

O registro de ocorrências, serviço essencial para a população, continua operando normalmente 24 horas. Essa garantia de atendimento ininterrupto assegura que os cidadãos continuem tendo acesso aos serviços da delegacia para registrar boletins de ocorrência e buscar auxílio em situações de crime. O Campo Grande NEWS checou que a estrutura de atendimento ao público permanece inalterada, focando na agilidade e eficiência.

Uma luta antiga por melhores condições de trabalho

A reivindicação para que delegacias deixassem de realizar a custódia de presos é antiga e baseada na premissa de que a função de investigar crimes é distinta da função de guardar detentos. A sobrecarga de trabalho gerada pelo acúmulo dessas funções impactava diretamente a produtividade e a qualidade das investigações. Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, a falta de estrutura adequada para custódia prolongada em delegacias também era um fator preocupante.

Essa reorganização, portanto, não beneficia apenas os policiais civis, mas também a eficiência geral do sistema de justiça criminal. A expectativa é que, com maior foco nas investigações, haja uma melhora na elucidação de crimes e na identificação de responsáveis. O Campo Grande NEWS, sempre atento às mudanças que impactam a segurança pública local, destaca a relevância desta iniciativa para a comunidade.

Agepen assume a custódia integral

Com a desativação das celas na 4ª Delegacia, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) assume a responsabilidade total pela custódia de presos na região. Essa centralização visa a garantir um tratamento mais adequado aos detentos, com infraestrutura e pessoal especializados, além de liberar a Polícia Civil para suas atividades-fim. A colaboração entre as instituições é fundamental para o sucesso dessa nova dinâmica.

A medida reflete um esforço conjunto para otimizar os recursos públicos e aprimorar a segurança em Campo Grande. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a investigação e o atendimento à população, enquanto a Agepen se fortalece em sua missão de administrar o sistema penitenciário. O portal Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos desta importante mudança no cenário da segurança pública.