Delcídio propõe tecnologia e gestão fiscal para MS: “Não fui santo”

Delcídio Amaral, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PRD, participou de uma sabatina promovida por seis veículos de comunicação do estado, onde apresentou suas propostas para diversas áreas, incluindo finanças públicas, meio ambiente, educação, saúde, segurança e desenvolvimento econômico. Em suas declarações, o ex-senador criticou a gestão fiscal atual e apostou no uso da tecnologia como ferramenta para o desenvolvimento do estado, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS. Ele defendeu a revisão do ICMS, a regionalização da saúde e o reforço da segurança pública com o uso de inovações tecnológicas.

Delcídio Amaral detalha plano de governo e critica gestão fiscal do MS

O engenheiro eletricista, pecuarista e ex-senador Delcídio Amaral, aos 71 anos, apresentou um plano de governo abrangente durante a sabatina Frente a Frente. Ele abordou a crítica situação fiscal de Mato Grosso do Sul, que segundo ele, registrou um déficit nominal de quase R$ 500 milhões no segundo bimestre e acumula uma dívida de R$ 10 bilhões. Amaral enfatizou a necessidade de uma reestruturação organizacional e a revisão de incentivos fiscais, garantindo o cumprimento de contratos, mas exigindo contrapartidas das empresas que investem no estado.

“Estamos em uma situação difícil do ponto de vista fiscal. Isso é inegável”, afirmou Delcídio, destacando que o próximo ano será desafiador devido a fatores econômicos. Ele propõe incentivar empresas de menor porte, que são as maiores geradoras de empregos, e ressaltou a importância de um planejamento de longo prazo para o estado, algo que, segundo ele, tem faltado. A meta é criar um “Estado cidadão, fraterno e solidário”, conforme relatou o Campo Grande NEWS.

Finanças públicas e revisão tributária

Em relação à política fiscal, Delcídio Amaral propôs uma revisão da política do ICMS, que representa R$ 12 bilhões em arrecadação, mas que, segundo ele, não tem apresentado as devidas contrapartidas. Ele acredita que o imposto atual tem afugentado investimentos e defende um ajuste na carga tributária, avaliando cada setor individualmente. “Primeiro, faria uma revisão da política do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e dos incentivos”, declarou.

O candidato também mencionou a necessidade de aumentar a arrecadação incentivando quem mais contrata, focando em pequenas e médias empresas. Ele lamentou que o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste não tenha recebido a atenção devida. Delcídio Amaral ressaltou que, embora venha de setores privados onde o planejamento de longo prazo é crucial, a função de planejamento no setor público parece ter desaparecido, com ações ocorrendo “aos solavancos”.

Tecnologia e desenvolvimento econômico

Delcídio Amaral defende a criação de um polo tecnológico em Mato Grosso do Sul, inspirado em modelos de sucesso como o de Santa Catarina. Ele argumenta que, apesar de grandes empresas se instalarem no estado, a mão de obra qualificada muitas vezes vem de fora, o que impede a distribuição de renda e o desenvolvimento local. “Profissionais formados em tecnologia estão indo embora para São Paulo, Florianópolis e Curitiba porque não existe um projeto estruturado aqui”, lamentou.

O candidato propõe transformar os gastos com a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em despesas obrigatórias para garantir o financiamento contínuo da instituição, vista como um vetor fundamental para a qualificação profissional, especialmente na área de tecnologia. Ele enfatizou a importância de integrar governo, universidades, escolas técnicas, produtores e industriais em um projeto de Estado, não de grupo.

Saúde regionalizada e segurança com inteligência

Na área da saúde, Delcídio Amaral propõe a regionalização do atendimento em 14 microrregiões, criticando a concentração de serviços em Campo Grande e o colapso de unidades como a Santa Casa. Ele questiona o modelo de parcerias público-privadas (PPPs) na saúde, argumentando que, em muitos casos, o Estado entrega os ativos e paga uma empresa para gerenciar uma estrutura já existente. “A saúde está um caos”, pontuou.

Para a segurança pública, o candidato defende o uso de câmeras corporais em uniformes policiais e o investimento em inteligência e tecnologia, como o sistema Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras). Ele acredita que a integração entre as forças de segurança e o uso de drones e centrais de comando são essenciais para combater o crime em uma fronteira extensa como a de Mato Grosso do Sul. “Onde está a segurança baseada em inteligência?”, questionou.

Meio ambiente e neutralidade de carbono

Quanto ao meio ambiente, Delcídio Amaral, que se declara pantaneiro, defende o desenvolvimento de Corumbá como um modal logístico, incluindo a Rota Bioceânica, e o uso do Rio Paraguai para transporte. Ele vê o Pantanal como um exemplo de sustentabilidade, onde a atividade econômica coexiste com a preservação. No entanto, sobre a política de neutralidade de carbono até 2030, ele se mostrou cético, afirmando que haverá uma transição energética, mas o petróleo continuará relevante por ser uma fonte ainda barata.

“Isso é um desejo, mas não vai acontecer”, disse sobre a meta de carbono zero até 2030. Ele propõe uma transição que passe pelo gás natural antes de uma incorporação completa de fontes renováveis. A declaração foi feita em resposta a perguntas do JD1 Notícias, que, assim como o Campo Grande NEWS, acompanhou a sabatina de perto.