Déficit de silos em MS: R$ 6,1 bilhões perdidos na safra

A falta de silos em Mato Grosso do Sul causou um prejuízo bilionário na safra 2024/2025. Estima-se que os produtores do estado deixaram de ganhar R$ 6,1 bilhões devido à incapacidade de armazenar adequadamente a produção de soja e milho. Esse cenário força a venda dos grãos em momentos de baixa no mercado, comprometendo a rentabilidade e o planejamento financeiro das propriedades rurais.

Agro de MS perde R$ 6,1 bilhões por falta de silos

O agronegócio de Mato Grosso do Sul sofreu um duro golpe na safra 2024/2025, com um custo de oportunidade estimado em R$ 6,1 bilhões. Esse montante representa receitas que não foram capturadas pelos produtores devido à significativa limitação na capacidade de armazenagem de grãos no estado. Deste total, a soja é a cultura mais afetada, respondendo por R$ 4,7 bilhões, enquanto o milho representa R$ 1,4 bilhão em perdas. Esses números evidenciam a vulnerabilidade da oleaginosa às oscilações de mercado e à insuficiência de estruturas de estocagem.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, um estudo técnico realizado pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) revelou que a capacidade de armazenamento atual do estado soma 16,39 milhões de toneladas, enquanto a produção atingiu a marca de 24,26 milhões de toneladas. Essa discrepância cria um deficit considerável, forçando os produtores a venderem suas safras em períodos de maior oferta e, consequentemente, preços mais baixos. O município de Maracaju, um dos maiores produtores de grãos do estado, lidera o ranking dos mais afetados, com perdas estimadas em R$ 708,5 milhões, seguido por Ponta Porã e Sidrolândia.

Apesar de um aumento de 10,93% na capacidade de armazenagem entre 2024 e 2025, o deficit persiste e se torna um gargalo estrutural para o desenvolvimento do setor. A venda antecipada compromete o fluxo de caixa das propriedades e limita a capacidade de negociação dos produtores, que não conseguem esperar por melhores cotações no mercado.

Déficit estrutural compromete rentabilidade

A falta de armazenagem adequada obriga os produtores a comercializarem sua produção no exato momento da colheita. Nesse período, a oferta de grãos no mercado se eleva significativamente, pressionando os preços para baixo e, consequentemente, reduzindo a rentabilidade das propriedades rurais. Essa dinâmica, segundo a Aprosoja/MS, fragiliza o planejamento financeiro e a sustentabilidade das atividades agropecuárias.

A produção conjunta de soja e milho em Mato Grosso do Sul na safra analisada foi de 24,26 milhões de toneladas, enquanto a capacidade estática de armazenagem é de apenas 16,39 milhões de toneladas. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda uma capacidade de armazenagem equivalente a 120% da produção anual. Seguindo este parâmetro, o estado apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas, o que representa 43,7% da capacidade ideal necessária.

Municípios mais afetados pela falta de silos

O levantamento da Aprosoja/MS detalha os municípios mais impactados pela carência de silos. Maracaju lidera com R$ 708,5 milhões em perdas, seguido por Ponta Porã (R$ 457,9 milhões), Sidrolândia (R$ 401,2 milhões), Dourados (R$ 318,6 milhões) e São Gabriel do Oeste (R$ 265,7 milhões). Juntos, estes cinco municípios concentram mais de R$ 2,15 bilhões em perdas. Maracaju, por si só, responde por mais de 11% do custo de oportunidade total, evidenciando o grave descompasso entre a produção e a capacidade de estocagem na região.

Jorge Michelc, presidente da Aprosoja/MS, ressalta que a venda forçada no período de colheita prejudica o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa. “Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro”, afirma. Ele defende que a armazenagem seja vista como um instrumento de gestão econômica essencial.

Expansão da capacidade é reativa, aponta estudo

Apesar de um crescimento expressivo na capacidade de armazenagem nos últimos anos, o estudo aponta que essa expansão tem sido reativa, acompanhando o ritmo da produção, e não antecipada. Entre 2014 e 2025, a capacidade estática de Mato Grosso do Sul praticamente dobrou, passando de 8,97 milhões para 16,39 milhões de toneladas. Somente entre 2024 e 2025, houve um acréscimo de 1,6 milhão de toneladas, um aumento de 10,93%.

Mateus Fernandes, economista da Aprosoja/MS, explica que esse comportamento mantém o deficit estrutural. “Historicamente, o deficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal”, destaca.

O montante perdido na safra 2024/2025 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no estado. Conforme informações divulgadas pela Aprosoja/MS, esse volume seria suficiente para financiar investimentos em novas estruturas de armazenagem. A entidade defende a ampliação de políticas públicas, linhas de crédito e incentivos fiscais para a construção de silos, especialmente nos municípios com maior deficit de capacidade. A análise do Campo Grande NEWS reforça a urgência de soluções para o setor.

A entidade, que atua na defesa dos produtores de grãos, conforme o Campo Grande NEWS checou, busca soluções para mitigar esses prejuízos. A falta de investimento em infraestrutura de armazenagem, como silos, impacta diretamente a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense no cenário nacional e internacional. A expansão da capacidade de estocagem é vista como um passo crucial para garantir maior segurança e rentabilidade aos produtores, fortalecendo a economia do estado. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos dessa questão fundamental para o futuro do agro em Mato Grosso do Sul.