A votação do polêmico projeto que propõe a terceirização de unidades de saúde em Campo Grande foi adiada na sessão desta quinta-feira (30). A decisão ocorreu após a apresentação de diversas emendas por vereadores, o que exige uma nova análise antes da deliberação em plenário. A expectativa é que o projeto retorne para discussão na próxima semana.
O adiamento acontece em um momento de intensa mobilização e debate na cidade, envolvendo trabalhadores da área da saúde, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e entidades representativas. O vereador Landmark Rios (PT), que se posiciona contrário à proposta desde o início, ressaltou a importância da pausa para um debate mais aprofundado.
“Estamos falando de uma decisão que impacta diretamente a vida de quem depende do SUS todos os dias. Isso não pode ser decidido às pressas e nosso posicionamento sempre foi contra”, declarou o vereador. Conforme informações divulgadas, o projeto, apesar de ter reunido as 20 assinaturas necessárias para tramitar em regime de urgência, não chegou a ser votado.
Landmark reforça críticas e alerta para riscos da terceirização
O vereador Landmark Rios tem sido uma voz ativa contra a terceirização da saúde desde que o tema foi introduzido ao Conselho Municipal de Saúde pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, no mês passado. Ele participou de audiências públicas, visitou unidades de saúde e dialogou com profissionais e pacientes para compreender os potenciais impactos da medida.
Para Rios, a alteração no modelo de gestão não é a solução para os entraves da saúde pública. “O problema não é o SUS. O problema é gestão. Não adianta mudar o modelo sem corrigir aquilo que está errado na aplicação dos recursos”, argumentou o parlamentar. Essa visão se alinha com preocupações levantadas por diversos setores da sociedade.
Contexto de denúncias e investigações amplia o debate sobre a saúde pública
A discussão sobre a terceirização ocorre em um cenário já delicado para a saúde pública de Campo Grande. Nos últimos meses, vieram à tona denúncias de possíveis irregularidades que somam cerca de R$ 156 milhões na área da saúde. Esse caso foi encaminhado à Câmara pelo Conselho Municipal de Saúde, com o apoio do mandato do vereador Landmark.
O vereador também acionou o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que iniciou uma investigação sobre as supostas irregularidades. Mais recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) também passou a apurar indícios dessas falhas, conforme o Campo Grande NEWS checou. A transparência e a correta aplicação dos recursos públicos na saúde são pontos cruciais para a confiança da população no sistema.
Relatório aponta falhas em contratos e reforça preocupações com modelo de gestão
Um relatório apresentado nesta semana pelo Conselho Municipal de Saúde trouxe à tona indícios de falhas na execução de um contrato com a empresa Produserv, responsável por serviços terceirizados em algumas unidades de saúde. Essa constatação reforça as preocupações levantadas por Landmark e outros críticos sobre a eficiência e a fiscalização dos contratos de terceirização.
Esses apontamentos, segundo o Campo Grande NEWS apurou, alimentam o debate sobre a necessidade de uma gestão mais eficiente e transparente, em vez de uma simples mudança no modelo de contratação de serviços. A comunidade aguarda com expectativa os desdobramentos das investigações e a decisão final sobre o futuro da gestão das unidades de saúde.
A posição contrária do vereador Landmark Rios, que tem se dedicado a investigar e expor as fragilidades do sistema, ganha força com as novas informações. A busca por soluções que realmente melhorem o atendimento e a gestão dos recursos públicos é o principal objetivo, e o adiamento da votação parece ser um passo na direção de um debate mais qualificado, como defende o parlamentar. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a comunidade de Campo Grande espera por respostas concretas e soluções duradouras.

