O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou em Campo Grande que o principal obstáculo econômico para o Brasil é a **redução do custo do dinheiro**, ou seja, dos juros. Segundo ele, para destravar investimentos e impulsionar o desenvolvimento, é essencial que o país se prepare para um mundo mais instável, com menor globalização e acirrada disputa econômica entre potências. Essa preparação, segundo Durigan, exige uma combinação estratégica de responsabilidade fiscal, barateamento do crédito, fortalecimento das instituições e uma política industrial que proteja a produção nacional, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Em sua visita à capital sul-mato-grossense, Durigan enfatizou a necessidade de o Brasil não se desenvolver sem sua indústria. Ele ressaltou que o alto custo do crédito é o maior entrave, impedindo o país de gerar empregos qualificados e agregar tecnologia à economia. O ministro participou de reuniões com empresários e sindicalistas, visitou órgãos governamentais e palestrou na Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), reforçando a importância da aproximação entre governo e iniciativa privada.
A visão do ministro se alinha a um movimento global de proteção à produção nacional. Durigan citou o exemplo dos Estados Unidos, que têm adotado medidas para proteger sua indústria diante da concorrência chinesa, indicando que o livre mercado absoluto já não é mais a regra nas principais economias. Para o Brasil, isso significa a possibilidade de utilizar instrumentos como financiamento público, medidas antidumping e proteção comercial em setores estratégicos, como a indústria automotiva e de veículos elétricos.
Contudo, Durigan fez questão de afastar a ideia de um Estado excessivamente intervencionista. Ele defende a construção de um **Estado forte e uma iniciativa privada forte**, pois entende que o desenvolvimento não ocorre de forma unilateral. A busca é por um equilíbrio que potencialize ambos os lados.
Juros Elevados: O Principal Vilão Econômico
O ministro da Fazenda classificou o **alto custo do dinheiro** como o maior problema econômico do Brasil. Juros elevados, segundo ele, afetam negativamente famílias, empresas, produtores rurais e o próprio governo, ao encarecer o financiamento da dívida pública e desestimular investimentos produtivos. A necessidade de criar condições para a queda gradual do crédito é vista como fundamental.
O objetivo é direcionar mais recursos para a produção, inovação e geração de empregos, em vez de apenas para aplicações financeiras. Durigan também destacou que a continuidade do ajuste fiscal é uma condição necessária para abrir espaço para a queda dos juros e para ampliar os investimentos públicos em áreas consideradas estratégicas para o país. A responsabilidade fiscal, segundo ele, não implica em redução das políticas sociais.
Reforma Tributária e Otimização de Incentivos
O sistema tributário brasileiro foi criticado pelo ministro como complexo, burocrático e inadequado para uma economia moderna. Durigan considera a simplificação tributária uma mudança estrutural necessária para aumentar a competitividade do país, mesmo reconhecendo os desafios da transição. A reforma tributária, portanto, é vista como um passo crucial.
Ele também justificou a revisão de benefícios fiscais federais, especialmente as subvenções ligadas a incentivos estaduais de ICMS. O ministro argumenta que os incentivos federais devem estar atrelados a investimentos efetivos, e não se tornarem meras renúncias tributárias sem contrapartida econômica clara. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa medida visa garantir maior eficiência no uso dos recursos públicos.
Equilíbrio Fiscal e Programas Sociais
Durigan defendeu o equilíbrio fiscal, afirmando que a responsabilidade nas contas públicas não significa o corte de políticas sociais essenciais. Programas como o Bolsa Família, segundo ele, devem permanecer como instrumentos permanentes de proteção social, mas precisam ser constantemente aprimorados para estimular a inserção no mercado de trabalho e aumentar sua eficiência geral.
O governo, conforme o ministro, evitou medidas fiscais com caráter eleitoralista. Eventuais desonerações, se ocorrerem, devem ser temporárias e acompanhadas por compensações nas receitas públicas, garantindo a sustentabilidade fiscal do país. O Campo Grande NEWS apurou que essa postura visa consolidar a confiança na economia brasileira.
Instituições Fortes para um Crescimento Sólido
Um dos pontos mais enfáticos da fala de Durigan foi a relação entre crescimento econômico, preservação das instituições democráticas e segurança jurídica. Ele alertou para o risco de enfraquecimento institucional, citando o caso do Banco Master como um exemplo da importância de fortalecer os órgãos de controle.
Investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, precisam de previsibilidade e confiança no funcionamento do Judiciário e das demais instituições. Discursos que atacam ou deslegitimam essas instituições, segundo o ministro, comprometem o ambiente de negócios e afastam investimentos. A estabilidade institucional é, portanto, um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável.
Compromisso com o Fortalecimento da Indústria
O ministro reafirmou o compromisso em ampliar o diálogo com o setor industrial, considerando a indústria um elemento essencial para o avanço do Brasil em tecnologia, inovação, produtividade e soberania econômica. Durigan concluiu que o país não construirá um projeto de desenvolvimento sustentável sem fortalecer sua base industrial, um ponto crucial para o futuro da nação.

