Curso de marido de aluguel tem fila de espera e 50% de mulheres

Marido de aluguel: curso gratuito com 50% de mulheres e fila de espera

A busca por capacitação profissional e independência em reparos domésticos impulsionou a criação do curso de “marido de aluguel” em Campo Grande. A primeira turma, com 25 alunos, concluiu as 40 horas de formação em elétrica, hidráulica e pequenos reparos. O curso, oferecido gratuitamente em parceria entre a Funsat e o Senai, na região das Moreninhas, superou as expectativas de procura, formando duas listas de espera para as próximas turmas. O que mais chamou a atenção foi a composição da turma, com metade dos participantes sendo mulheres, um reflexo da crescente busca feminina por habilidades técnicas e novas oportunidades de renda.

A iniciativa visa atender a uma demanda popular por serviços de manutenção rápida e também por qualificação profissional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a arquiteta Caroline Marques, professora do Senai, foi a responsável por ministrar as aulas no período noturno, um horário pensado para facilitar a participação de quem trabalha durante o dia. Essa flexibilidade, aliada à gratuidade, tornou o curso um atrativo para um público variado, que busca desde a autonomia em casa até a entrada no mercado de trabalho.

A procura pelo curso de “marido de aluguel” demonstra um interesse crescente em habilidades práticas e na resolução de problemas cotidianos. A formação abrange desde a troca de uma tomada até reparos em chuveiros e torneiras, serviços que, embora simples, demandam conhecimento técnico. A presença feminina expressiva na turma e a longa fila de espera evidenciam a relevância da capacitação e o potencial de mercado para esses profissionais. O Campo Grande NEWS acompanhou a conclusão da primeira turma e os depoimentos dos alunos e professores revelam os diversos motivos que levam as pessoas a buscarem esse tipo de formação.

Professora mulher comanda turma de “marido de aluguel”

A frente da primeira turma do curso de “marido de aluguel” estava a arquiteta e professora do Senai, Caroline Marques. Ela conduziu as aulas noturnas para um público que, após um dia de trabalho, buscava adquirir novas competências. “A gente tenta deixar a aula um pouco mais divertida. Eles vieram para aprender uma nova profissão, para poder entrar no mercado e conseguir um diploma também”, explicou Caroline, destacando o cansaço natural dos alunos e a importância de tornar o aprendizado engajador.

Caroline ressalta que os alunos buscam o curso por diversos motivos. “Tem gente que necessita de reparos rápidos”, afirmou. Muitos procuram a capacitação para realizar manutenções em suas próprias residências, ganhando autonomia e conhecimento para avaliar serviços contratados. Outros veem na formação uma porta de entrada para o mercado de trabalho, buscando uma nova profissão ou uma fonte de renda extra. A versatilidade do “marido de aluguel” permite atender a essas diferentes necessidades, realizando desde pequenos consertos elétricos e hidráulicos até a instalação de luminárias e tomadas.

Fila de espera e alta procura por qualificação

A demanda pelo curso foi tão grande que a Funsat, responsável pela organização das turmas, já possui duas listas de espera. O presidente da Funsat, João Henrique, informou que o curso atende a uma solicitação direta da população. “Existe uma procura do mercado de trabalho mesmo, das próprias empresas e das pessoas”, disse João, evidenciando a relevância da capacitação para a empregabilidade.

A busca por cursos práticos como o de “marido de aluguel” tem crescido, especialmente entre aqueles que buscam uma segunda fonte de renda. “Essas áreas que requerem algumas habilidades mais técnicas, como indústria e construção civil, estão chamando mais atenção do público, muitas delas para ter uma renda extra”, explicou João. Essa modalidade de trabalho permite que pessoas com emprego formal realizem serviços em meio período, aumentando seu rendimento financeiro.

Metade da turma é feminina: mulheres buscam independência e renda extra

Um dos dados mais surpreendentes divulgados pelo Campo Grande NEWS é que 50% dos participantes dos cursos de “marido de aluguel” são mulheres. Esse número reflete uma tendência de busca por qualificação em áreas tradicionalmente dominadas por homens. A presença feminina demonstra o desejo por independência e a vontade de adquirir habilidades para resolver problemas domésticos sem depender de terceiros, além de abrir novas oportunidades de trabalho e geração de renda.

Antonio Marcos Farias, que já atua na área, buscou o curso para aprimorar seus serviços. “A gente nunca sabe tudo, sempre há espaço para evoluir”, comentou. Ele destacou a importância da localização acessível e do horário noturno para sua participação, permitindo que ele se capacite sem prejudicar sua jornada de trabalho. “Mais do que ganhar agilidade, o grande diferencial aqui é elevar a qualidade do serviço prestado”, afirmou Antonio, que planeja usar o conhecimento adquirido para expandir seu negócio no futuro.

Novos cursos e parcerias para expandir capacitação

Diante do sucesso da primeira turma, a Funsat já planeja a ampliação da oferta de cursos. A próxima capacitação anunciada é a de manutenção de ar-condicionado. João Henrique ressalta a importância das parcerias, como a com o Senai, para viabilizar a oferta de treinamentos que o poder público sozinho não conseguiria realizar. “É uma expertise do Sistema S, a questão da indústria, a questão da construção civil”, pontuou.

Essas colaborações permitem que a Funsat alcance um público maior e atenda à crescente demanda por qualificações técnicas e profissionais. A iniciativa de oferecer cursos como o de “marido de aluguel” reforça o compromisso com a formação de mão de obra qualificada e com o desenvolvimento socioeconômico da comunidade, abrindo caminhos para que mais pessoas possam conquistar sua independência financeira e profissional.