CPI do Tapa-buraco: Câmera de Campo Grande terá disputa acirrada por vagas

CPI do Tapa-buraco: Câmera de Campo Grande terá disputa acirrada por vagas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-buraco, na Câmara Municipal de Campo Grande, já acirra os ânimos entre os vereadores. Com pelo menos 12 parlamentares demonstrando interesse em ocupar as cinco vagas disponíveis, a disputa por um lugar na comissão promete ser intensa. A composição final ainda aguarda análise da Procuradoria da Casa e as indicações das bancadas, que deverão seguir a proporcionalidade partidária.

O requerimento para a criação da CPI reuniu 24 assinaturas, evidenciando o amplo apoio e a urgência percebida pelos vereadores em investigar as questões relacionadas à manutenção das vias públicas. A expectativa é que a comissão traga respostas concretas para a população de Campo Grande, que clama por soluções efetivas para o problema dos buracos.

Segundo o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), o elevado número de interessados exige um processo cuidadoso de negociação. “Temos mais de 12 vereadores interessados nas cinco vagas. Isso acaba exigindo mais tempo de organização, para que nenhum vereador seja tolhido de participar da CPI. Sei que existe uma expectativa da população sobre quem serão os membros”, afirmou Papy, conforme divulgou o Campo Grande NEWS.

Disputa por cadeiras e articulações partidárias

Entre os nomes que já manifestaram interesse em integrar a CPI estão Ana Portela (PL), Dr. Lívio Leite (União Brasil), Luiza Ribeiro (PT), André Salineiro (PL), Wilson Lands (Avante), Leinha (Avante), Maicon Nogueira (PP), Beto Avelar (PP) e Riverton de Souza (PP). Rafael Tavares (PL) também confirmou seu desejo de participar da investigação, elevando para dez o número de vereadores explicitamente interessados, segundo o levantamento.

No Partido Liberal (PL), os três vereadores da bancada aparecem entre os interessados. Rafael Tavares destacou que o partido terá direito a uma vaga pela proporcionalidade, mas a indicação interna ainda será definida. “Vou conversar, logicamente, com os demais vereadores para a gente definir o nome. O meu nome está à disposição. Também vou conversar com o presidente para saber como será essa composição”, comentou o vereador.

Tavares ressaltou que a CPI é um instrumento necessário após tentativas anteriores de resolver a questão dos buracos por meio de indicações, ofícios e requerimentos. “Agora, só sobrou a ferramenta da CPI para a gente conseguir dar uma resposta à população de Campo Grande em relação aos buracos”, declarou.

Avante e PSDB buscam espaço na investigação

No partido Avante, Wilson Lands e Leinha estão entre os vereadores mencionados. Wilson Lands confirmou que assinou o pedido de abertura e pretende formalizar sua solicitação por uma cadeira. “Pretendo, sim, protocolar um ofício e solicitar ao presidente uma vaga nessa CPI, porque acho que, no meu caso, seria muito importante”, disse.

Lands também questionou a qualidade dos reparos e a fiscalização das empresas contratadas, relatando que em um bairro visitado, os mesmos buracos persistiam cerca de um mês após a passagem de um mutirão. “Quem acompanha isso? Quem fiscaliza isso? Será que as empresas têm que ir lá refazer o serviço sem onerar os cofres públicos?”, indagou o vereador.

A maior bancada da Câmara, o PSDB, com cinco vereadores, fará uma reunião para definir sua indicação, conforme o líder do partido, Dr. Victor Rocha. Ele afirmou que a escolha será democrática e discutida em conjunto. “A gente trabalha de maneira democrática, então vamos reunir a bancada, ver quem tem interesse e definir em conjunto quem vai ser o membro para compor a CPI”, declarou.

Victor Rocha relatou que houve consenso para que todos os 29 vereadores assinassem o pedido de abertura, embora 24 assinaturas tenham sido formalizadas inicialmente. Para ele, a comissão é fundamental para identificar as causas dos problemas e propor soluções. “A CPI do Tapa-buraco é uma necessidade do município de Campo Grande hoje”, enfatizou.

PT mira presidência e PP avalia composição

O Partido Progressista (PP), com quatro vereadores e três nomes citados entre os interessados, ainda não discutiu internamente a indicação. O líder da bancada do PP, que também lidera a prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara, avaliou que PSDB, PP, PT e PL deverão ter representantes na comissão, considerando o tamanho de suas bancadas.

Ele destacou a legitimidade da CPI como ferramenta de fiscalização, ressaltando o clamor popular por soluções para os problemas de infraestrutura. “A CPI, eu acho que é uma forma de fiscalização, está dentro das atribuições dos vereadores e é legítima, até mesmo pela condição a que Campo Grande chegou. Há um clamor popular pedindo que se resolva esse problema”, declarou o líder do PP.

Além das vagas, a presidência da CPI já é alvo de articulação. O PT, autor do pedido de investigação, defende que a vereadora Luiza Ribeiro comande os trabalhos. O vereador Landmark Rios disse que não pretende disputar uma vaga e que a prioridade da bancada é apoiar Luiza. “A bancada se reuniu e definiu como nosso foco, como nossa estratégia principal, que a vereadora Luiza seja a presidente da CPI do Tapa-buraco”, afirmou Landmark.

Landmark também pretende cobrar esclarecimentos sobre os recursos do Fundersul, que Campo Grande recebia em cerca de R$ 3 milhões mensais e que deveriam contribuir para a manutenção das vias. Ele reconheceu que o tema não está entre os fatos determinados da CPI e que fará os questionamentos como vice-presidente da Comissão de Orçamento.

O requerimento apresentado por Luiza prevê um prazo inicial de 120 dias para a investigação. Os pontos a serem apurados incluem a redução do orçamento destinado à manutenção das vias nos últimos dois anos, especialmente os recursos previstos para 2026, possíveis irregularidades em contratos e o descumprimento de prazos para responder a pedidos de informação aprovados pelo plenário, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A expectativa é que a CPI do Tapa-buraco, com a devida apuração e fiscalização, traga melhorias significativas para a infraestrutura de Campo Grande, atendendo às demandas da população. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa investigação.