A criatividade do povo sul-mato-grossense está em evidência em Coxim, município que enfrenta sérios transtornos devido às chuvas intensas. Para protestar e chamar a atenção para os buracos que tomam conta das ruas, moradores têm apostado no humor e em vídeos virais nas redes sociais. A estratégia inusitada, que mistura performance, ironia e paródias de músicas populares, tem ganhado força e exposto a dimensão dos problemas que afligem a cidade, localizada a 253 quilômetros de Campo Grande. Enquanto a população se diverte (e se preocupa) com as crateras, a prefeitura aguarda a liberação de verbas estaduais e federais para iniciar obras de recuperação, avaliadas em cerca de R$ 5 milhões. O município, que decretou situação de emergência em 4 de fevereiro, após um acumulado de 201,2 milímetros de chuva em apenas quatro dias, necessita de intervenções complexas que vão além de simples tapa-buracos, envolvendo a substituição de tubulações e reparos no sistema de drenagem. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a situação se agrava com a previsão de mais chuvas para os próximos dias.
Vídeos criativos viralizam e mostram a realidade das ruas de Coxim
Um dos vídeos que mais chamou atenção nas redes sociais utiliza a melodia da música infantil “Viro, Viro, Virou”, do Grupo Triii. Na gravação, um morador aparece entrando e saindo de buracos de diferentes tamanhos nas ruas, em um tom de sátira que reflete a dificuldade de locomoção. Outro registro mostra um motociclista atravessando uma via repleta de crateras, com a legenda irônica: “Agora eu entendi os obstáculos da prova do DETRAN”.
A criatividade não para por aí. Em outra publicação, um jovem trata um enorme buraco no asfalto como uma “piscina natural”, evidenciando o absurdo da situação. Um produtor de conteúdo foi além e chegou a deitar dentro de uma cratera na Rua Frei Cirino, fazendo referência à música popular: “Pisa no freio, Zé, veja em nossa frente o tamanho do buraco”. Todos esses vídeos foram republicados na página Fala Coxim Oficial, ampliando o alcance da mensagem.
Essas ações bem-humoradas, embora sirvam como válvula de escape e forma de protesto, também servem como um retrato fiel dos desafios enfrentados pelos coxinsenses diariamente. A combinação de humor e indignação tem sido uma ferramenta poderosa para pressionar por soluções efetivas, como destaca o Campo Grande NEWS em suas apurações.
Prefeitura aguarda verbas e período de estiagem para iniciar obras
O prefeito de Coxim, Edilson Magro (PP), explicou que o decreto de situação de emergência do município já foi reconhecido pelos governos estadual e federal. Agora, o foco está na liberação dos recursos necessários para as obras de recuperação, que foram estimadas em cerca de R$ 5 milhões. Ele ressaltou que o grande número de buracos nas vias públicas exige intervenções mais complexas, que dependem de um período de estiagem para serem executadas com sucesso.
“Se colocarmos material com chuva, perdemos o material e o serviço”, justificou o prefeito, enfatizando a necessidade de esperar as condições climáticas favoráveis. As áreas mais críticas, como a Rua Orquídea, Avenida Mato Grosso do Sul e Rua Valdilei Robaina, demandarão atenção especial, com recursos emergenciais destinados não apenas à recomposição do asfalto, mas também a intervenções em tubulações e no sistema de drenagem.
Magro detalhou que, em muitos pontos, os buracos não são apenas superficiais. O solo oco, causado pelo rompimento de antigas tubulações de alumínio, exigirá a substituição por estruturas mais resistentes, feitas de cimento. “Não adianta apenas tapar o buraco. Ele está oco por dentro por causa do material que foi utilizado. Precisamos refazer com tubos de cimento e deixar tudo certo para que a população não volte a enfrentar o mesmo problema”, declarou.
Chuvas intensas causam estragos e exigem obras estruturais
As chuvas que atingiram Coxim, principalmente em janeiro, causaram destruição de casas, vias públicas e estruturas urbanas. Segundo o prefeito, algumas vias também foram afetadas por buracos abertos durante obras da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), que se agravaram com os temporais. A prefeitura informou que tem notificado os responsáveis por obras terceirizadas e acompanha de perto a situação.
A empresa contratada para os trabalhos de recuperação está finalizando o projeto, que será encaminhado à Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) para viabilizar a liberação dos recursos. Enquanto aguarda a autorização e o período de estiagem, a prefeitura tem realizado apenas intervenções pontuais com recursos próprios. “Nossa equipe de tapa-buraco trabalha com responsabilidade para não jogar dinheiro fora. Se fizermos agora, com chuva, perdemos o serviço”, reiterou o prefeito.
Situação de emergência decretada e dados alarmantes
A situação de emergência em Coxim foi decretada no dia 4 de fevereiro. Em apenas quatro dias, o volume acumulado de chuva chegou a 201,2 milímetros, segundo dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). O decreto assinado pelo prefeito abrange não apenas a área urbana, mas também danos em pontes, sistemas de drenagem e estradas rurais, evidenciando a incapacidade da rede de drenagem de suportar o grande volume de água. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a infraestrutura da cidade sofre com os impactos das fortes precipitações. A situação exige ações coordenadas e recursos significativos para a restauração da normalidade, como aponta o Campo Grande NEWS em sua cobertura detalhada.

