Covid: vacinação completa 5 anos, mas vírus persiste e preocupa

A vacinação contra a Covid-19 no Brasil atingiu a marca de cinco anos, período em que a pandemia foi contida, mas a doença ainda circula. Apesar da redução significativa nos casos graves e óbitos, especialistas alertam para a necessidade de manter a imunização em dia, especialmente para grupos de risco, devido à persistência do vírus e ao risco de novas variantes. A cobertura vacinal, contudo, está aquém do desejado, com uma parcela considerável de doses distribuídas sem aplicação.

Vacina contra Covid-19: 5 anos de luta e alertas de especialistas

Cinco anos após o início da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, o país celebra o fim da fase pandêmica da doença. No entanto, o vírus SARS-CoV-2 continua presente, embora em patamares muito inferiores aos de anos anteriores. Em 2025, foram registrados 10.410 casos graves e aproximadamente 1.700 óbitos, segundo dados da plataforma Infogripe da Fiocruz. Esses números, que se referem apenas a casos confirmados laboratorialmente e podem sofrer acréscimos, reforçam a importância da vigilância contínua.

Apesar dos avanços, a cobertura vacinal é um ponto de atenção. Conforme divulgado, em 2025, menos de 40% das doses de vacina contra a Covid-19 distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios foram efetivamente aplicadas. De um total de 21,9 milhões de vacinas enviadas, apenas 8 milhões foram utilizadas. Essa baixa adesão preocupa os especialistas em saúde pública.

O coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, enfatiza que o coronavírus segue sendo um dos vírus respiratórios mais ameaçadores. “A Covid não foi embora. De tempos em tempos a gente tem surtos e avalia constantemente se esses surtos crescem, se eles podem se transformar em uma epidemia. O que a gente vê hoje de número de casos e mortes ainda é algo absurdo”, afirma. Ele ressalta que a normalização dos números, após o período pandêmico, pode levar a uma percepção de risco menor do que a realidade exige.

Vírus sem sazonalidade e o risco de novas variantes

A pesquisadora Tatiana Portella, também da plataforma Infogripe, destaca que o coronavírus ainda não demonstra um padrão sazonal definido, como ocorre com a gripe. Isso significa que o vírus pode circular e causar surtos em qualquer época do ano. A imprevisibilidade aumenta com o surgimento de novas variantes, que podem ser mais transmissíveis ou capazes de escapar da imunidade adquirida por vacinação ou infecção prévia.

“A gente pode ter uma nova onda a qualquer momento com o surgimento de uma nova variante, que pode ser mais transmissível, infecciosa, e não tem como prever quando que vai surgir essa nova variante. Por isso que é importante que a população sempre esteja em dia com a vacinação”, recomenda Portella. Essa necessidade de atualização vacinal se torna ainda mais crucial para manter a proteção individual e coletiva.

Baixa adesão infantil e a percepção de risco

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 faz parte do calendário básico de imunização para crianças, idosos e gestantes. Contudo, o cumprimento deste calendário tem sido um desafio no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, foram aplicadas 2 milhões de doses no público infantil, mas a cobertura vacinal específica não foi detalhada. O painel público de vacinação aponta que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi vacinado no mesmo ano.

O Ministério da Saúde esclarece que os dados atuais podem subestimar a cobertura real, pois o painel considera apenas crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo abrange crianças menores de cinco anos, gestantes e idosos. A baixa percepção de risco é apontada pela diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, como um dos principais fatores para a baixa adesão. “O ser humano é movido pela percepção de risco”, explica Ballalai.

Ela lembra que, quando a vacina foi disponibilizada para crianças, o cenário era de menos casos e mortes, o que diminuiu a percepção de perigo. “Aí o antivacinismo começa a fazer efeito. Porque as fake news contra a vacina só dão certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, argumenta. Conforme checado pelo Campo Grande NEWS, a disseminação de informações falsas sobre vacinas é um obstáculo significativo para a saúde pública.

Riscos da Covid-19 em crianças e a eficácia das vacinas

Apesar da menor percepção de risco, a Covid-19 ainda representa um perigo considerável para crianças. Bebês com menos de 2 anos são o segundo grupo mais vulnerável a complicações, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram registrados nessa faixa etária, resultando em 801 mortes. Mesmo em 2025, foram contabilizadas 55 mortes e 2.440 internações em crianças menores de 2 anos.

Crianças também podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), uma complicação rara da Covid-19 que tem uma taxa de mortalidade de cerca de 7%. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou aproximadamente 2,1 mil casos de SIM-P, com 142 óbitos. Um estudo realizado na Inglaterra com quase 14 milhões de crianças e adolescentes também associou a infecção por Covid-19 a um aumento na incidência de doenças cardiovasculares, como miocardite e tromboembolismo.

Por outro lado, a **eficácia e segurança das vacinas infantis** contra a Covid-19 são comprovadas. Um acompanhamento de 640 crianças e adolescentes vacinados com a Coronavac em São Paulo mostrou que apenas 56 foram infectados após a vacinação, e nenhum apresentou quadro grave. Entre 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças no Brasil, com poucas notificações de eventos adversos, a maioria de natureza leve, conforme monitoramento do Ministério da Saúde.

Profissionais de saúde como chave para aumentar a vacinação

Isabela Ballalai destaca o papel fundamental dos profissionais de saúde no aumento das coberturas vacinais. Ela defende a melhoria da formação médica e a atualização constante dos profissionais com base em evidências científicas para que possam recomendar a vacinação às famílias de forma confiante. “Infelizmente nós temos médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora dizendo que nem todas as vacinas. Por trás disso há muitos interesses, políticos, financeiros, de vários tipos”, lamenta.

Ballalai reforça que os defensores da vacinação possuem todas as evidências científicas para embasar suas recomendações. A autoridade jornalística do Campo Grande NEWS, ao cobrir temas de saúde, reforça a importância de buscar informações em fontes confiáveis e baseadas em ciência, como atestado pela expertise do portal. A vacinação é a ferramenta mais eficaz para prevenir formas graves da Covid-19 e suas complicações, garantindo a saúde e o bem-estar da população.

Quem deve se vacinar contra a Covid-19?

O esquema vacinal contra a Covid-19 é direcionado a diversos grupos, com recomendações específicas para cada um. Bebês a partir dos seis meses iniciam o esquema primário, enquanto crianças com comorbidades ou pertencentes a grupos vulneráveis recebem doses adicionais e reforços semestrais ou anuais. Gestantes são orientadas a receber uma dose a cada gravidez, e puérperas devem se vacinar caso não tenham recebido durante a gestação.

Idosos a partir dos 60 anos e pessoas imunocomprometidas devem tomar uma dose a cada seis meses. Grupos prioritários como pessoas em instituições de longa permanência, indígenas, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência, privados de liberdade e em situação de rua, além de seus funcionários e trabalhadores dos Correios, recebem uma dose anual. Pessoas entre 5 e 59 anos que nunca foram vacinadas recebem uma dose única.