Correios registram aumento em receitas de encomendas e mensagens, mas prejuízo bilionário persiste e empresa busca R$ 8 bilhões para reestruturação.
Mesmo diante de um cenário de constantes prejuízos, os Correios apresentaram um crescimento nas receitas provenientes de encomendas e mensagens até setembro de 2025. Este valor é o maior registrado desde 2022, indicando uma recuperação parcial em segmentos chave da operação da empresa.
No entanto, este cenário de receita ascendente não foi suficiente para reverter o quadro financeiro negativo. Os Correios acumularam um expressivo prejuízo de R$ 6 bilhões no mesmo período, um agravamento considerável em comparação com os R$ 2,1 bilhões de prejuízo registrados no mesmo período de 2024.
As informações financeiras divulgadas pela empresa apontam para R$ 7,2 bilhões em receitas de encomendas e R$ 3,6 bilhões de mensagens até o terceiro trimestre de 2025. Contudo, a queda nas postagens internacionais, que representavam mais de 20% das receitas, impactou negativamente o resultado geral, com uma redução de quase R$ 2 bilhões em relação ao ano anterior.
Crescimento tímido em produtos chave e impacto da “taxa das blusinhas”
O segmento de “outros produtos”, que abrange serviços de logística, marketing e venda de chips, foi o que apresentou o maior aumento percentual, de 13,8%, somando R$ 117 milhões. As encomendas, principal fonte de receita, registraram um aumento de R$ 107 milhões, representando um crescimento de apenas 1,5%. Já os serviços de mensagens tiveram um acréscimo de 1,7%, totalizando R$ 58 milhões.
Apesar desses avanços pontuais, a receita total da empresa sofreu uma redução significativa, em grande parte devido ao programa “Remessa Conforme“, instituído pelo Ministério da Fazenda em 2023. Este programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas.
A nova legislação permitiu que empresas de transporte realizassem o frete internacional dentro do Brasil, dispensando a obrigatoriedade de distribuição pelos Correios. Essa mudança resultou em uma perda de R$ 2,2 bilhões nas receitas acumuladas até setembro de 2025, o que representa 66% do valor arrecadado no ano de implantação do programa.
Perda de mercado e plano de reestruturação para reverter prejuízos
Dados apresentados pelos Correios indicam uma perda considerável de participação no mercado de encomendas entre 2019 e 2025, caindo de 51% para 22%. O presidente da empresa, Emmanoel Rondon, destacou que o monopólio de cartas em áreas rentáveis já não é suficiente para cobrir os custos da universalização do serviço postal em regiões remotas e deficitárias.
Diante deste cenário, os Correios buscam captar R$ 8 bilhões para a manutenção de suas operações como parte de um plano de reestruturação. Os recursos podem vir de aportes públicos do Tesouro Nacional ou de um novo empréstimo. Recentemente, a empresa já contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões para quitar dívidas e aliviar o caixa.
O plano de reestruturação prevê um corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, a venda de imóveis e o fechamento de mil agências, além da implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com o objetivo de reduzir o quadro de funcionários em 15 mil pessoas em até dois anos. A reformulação do plano de saúde também visa uma redução de custos anual de R$ 500 milhões.
Metas ambiciosas para o futuro e investimentos em modernização
O objetivo da estatal é reverter os 12 trimestres consecutivos de prejuízos e retornar ao lucro a partir de 2027. Para isso, além das medidas de corte de custos, os Correios planejam aumentar suas receitas e esperam alcançar R$ 21 bilhões em 2027, superando os R$ 18,9 bilhões registrados em 2024.
A empresa também planeja investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. Esses investimentos serão destinados à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística, visando maior eficiência operacional.


