Correios: Empréstimo Bilionário e Plano de Reestruturação para Fugir de Prejuízos

Correios recebem R$ 10 bilhões em empréstimo e revelam plano para reverter cenário financeiro adverso com projeção de perdas em 2026.

Em um movimento para sanar dificuldades financeiras, os Correios receberam nesta terça-feira (30) R$ 10 bilhões de um empréstimo bilionário contratado junto a um consórcio de bancos privados. A operação faz parte de um esforço para melhorar a situação econômico-financeira da empresa, que enfrenta um cenário desafiador.

O orçamento para 2026, divulgado no Diário Oficial da União, aponta para um aumento de 21% nas despesas correntes e uma redução de 26% nas receitas. Este panorama, segundo a diretoria, é reflexo de uma trajetória de prejuízos que a empresa busca reverter com um plano ambicioso.

A meta é equilibrar as contas em 2026 e voltar a operar no azul a partir de 2027. Para isso, um programa de reestruturação que inclui cortes de custos, venda de ativos e otimização de pessoal está em andamento. Conforme informação divulgada pela própria estatal, sem ajustes, a empresa poderia registrar um prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026.

Projeções Orçamentárias Revelam Desafios para 2026

O orçamento dos Correios para 2026 estima receitas correntes em R$ 17,7 bilhões, uma queda significativa em relação aos R$ 24 bilhões previstos para 2025 e aos R$ 20,6 bilhões projetados para 2024. As despesas correntes, por outro lado, devem saltar para R$ 29 bilhões em 2026, um aumento de R$ 5 bilhões em comparação com 2025.

Entre os fatores que impulsionam o aumento das despesas está o programa de demissão voluntária (PDV), que prevê o desligamento de até 10 mil funcionários. A despesa com pessoal também sofrerá um acréscimo, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões. Em contrapartida, os gastos com dirigentes apresentaram a maior redução proporcional, de 33,48%.

Empréstimo Bilionário e Garantia da União

O empréstimo de R$ 12 bilhões contratado com um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal visa fornecer liquidez para a empresa. Dos R$ 12 bilhões, R$ 10 bilhões foram desembolsados nesta terça-feira. O contrato, com validade até 2040, conta com a garantia da União, o que significa que o governo federal cobrirá a dívida caso os Correios não consigam honrar os pagamentos.

Os pagamentos mensais do empréstimo iniciarão em dezembro de 2029, após um período de carência de três anos. A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI, considerada abaixo do teto estabelecido pelo Tesouro Nacional. Há ainda a possibilidade de novos empréstimos, de até R$ 8 bilhões, a serem analisados.

Plano de Reestruturação e Metas Futuras

O plano de reestruturação dos Correios prevê um corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, a venda de imóveis não operacionais no valor de R$ 1,5 bilhão e o fechamento de cerca de mil agências. A meta é reduzir o quadro de funcionários em até 15 mil em dois anos, o que representaria uma diminuição de 18% na folha de pagamentos.

A empresa também planeja reformular o plano de saúde, com uma economia estimada em R$ 500 milhões anuais, e busca ampliar suas receitas. A meta é alcançar R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, a receita total foi de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos anos anteriores. A queda na receita está parcialmente associada ao programa Remessa Conforme, que alterou a tributação de compras internacionais e permitiu a atuação de outras empresas de logística, reduzindo a participação dos Correios no mercado de encomendas para 22% em 2025, contra 51% em 2019.

Investimentos e Recuperação Financeira

Para o período de 2027 a 2030, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. Os investimentos serão direcionados para automação de centros de tratamento, renovação da frota, modernização da infraestrutura de tecnologia da informação e redesenho da logística.

O objetivo principal do plano de reestruturação é reverter a sequência de prejuízos trimestrais e garantir a sustentabilidade da empresa a longo prazo. A expectativa é que as medidas implementadas permitam o retorno à lucratividade a partir de 2027.