COP15: Ibama lidera conservação de espécies migratórias e Brasil assume presidência

A 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), realizada em Campo Grande entre 23 e 29 de março de 2026, marcou um avanço significativo na proteção de animais que cruzam fronteiras. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) teve papel de destaque, integrando a delegação brasileira e contribuindo com a base técnica e científica para as discussões. O evento, que reuniu mais de 2.400 participantes, culminou com o Brasil assumindo a presidência da conferência pelos próximos três anos, com a missão de implementar as propostas aprovadas.

A COP15 da CMS, conforme apurou o Campo Grande NEWS, é a principal instância decisória da Convenção, reunindo 133 países a cada três anos para definir prioridades e orçamentos para a conservação de espécies migratórias. Neste encontro, foram estabelecidos acordos cruciais para a proteção de animais que realizam longas jornadas, muitas vezes atravessando diversos países. A participação do Ibama foi fundamental para fortalecer a cooperação internacional e a discussão científica sobre o tema.

Lívia Karina, diretora da Diretoria de Biodiversidade e Florestas (DBFlo) do Ibama, ressaltou a importância da presença do instituto no evento. “A equipe esteve presente para fortalecer a cooperação internacional para fins de proteção das espécies”, enfatizou, destacando a oportunidade de ampliar a rede de colaboração. A delegação brasileira contou com servidores da DBFlo, sediada em Brasília, e das Superintendências do Ibama em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, demonstrando o alcance nacional do compromisso com a conservação.

Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, salientou que o Brasil abriga uma vasta diversidade de espécies migratórias, especialmente aves. “Existem mais de 200 espécies que se reproduzem fora do Brasil e visitam todos os anos nosso território. Essa é uma oportunidade única para o Brasil, e o Ibama trouxe propostas e foi representado por uma delegação de pessoas que trabalham diariamente com assuntos ligados à conservação”, afirmou. A COP15, segundo o Campo Grande NEWS checou, é um fórum essencial para a definição de políticas públicas e iniciativas de conservação globais, e a atuação brasileira foi estratégica para o sucesso do encontro.

Novas espécies protegidas e ações concertadas

Um dos resultados mais expressivos da COP15 foi a inclusão ou reclassificação de 40 espécies, subespécies e populações nos Apêndices I e II da Convenção. O Apêndice I lista espécies migratórias ameaçadas de extinção, enquanto o Apêndice II abrange aquelas que demandam cooperação internacional para sua conservação. Deste total, impressionantes 16 espécies ocorrem no Brasil, evidenciando a relevância do país na rota migratória global.

O Brasil, com liderança e co-liderança, impulsionou a inclusão de espécies importantes nos apêndices. No Apêndice I, destacam-se o maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus) e o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), ambos aves de grande importância ecológica. Além deles, petréis e grazinas (gênero Pterodroma, Pseudobulweria) também foram incluídos no Apêndice I e II, reforçando a necessidade de atenção a esses grupos vulneráveis.

No Apêndice II, foram incluídos o surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e o caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis), espécies de água doce com grande importância ecológica e econômica. O cação-cola-fina (Mustelus schmitti) e os já mencionados petréis/grazinas também foram adicionados a esta lista, ampliando o escopo de ações coordenadas. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos e a importância dessas inclusões para a biodiversidade.

Ações para mamíferos aquáticos e tubarões

A COP15 também avançou em ações concertadas para a proteção de mamíferos aquáticos e tubarões. Foram discutidos e renovados acordos para a toninha ou franciscana (Pontoporia blainvillei) e estabelecida uma ação concertada para o boto-de-Lahille (Tursiops truncatus gephyreus), ambos mamíferos marinhos em situação delicada. Essas ações são cruciais para garantir a sobrevivência de populações fragmentadas e sob pressão antrópica.

No segmento de tubarões e raias, a conferência aprovou ações concertadas para o tubarão-mangona (Carcharias taurus), o tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus) e para toda a família das raias-manta e raias-diabo (Mobulidae). A conservação desses elasmobrânquios é vital, dado o seu papel fundamental nos ecossistemas marinhos e a alta vulnerabilidade de muitas espécies à pesca excessiva e à degradação de habitats. A participação do Ibama neste debate foi fundamental para a representação dos interesses brasileiros.

Com a COP15 concluída e o Brasil na presidência, o país tem agora a responsabilidade de liderar a implementação das deliberações. A expectativa é que as ações concertadas e as novas inclusões nos apêndices da CMS resultem em maior proteção para as espécies migratórias, fortalecendo a cooperação internacional e promovendo a conservação da biodiversidade em escala global. O futuro dessas espécies depende diretamente do compromisso e da ação conjunta das nações signatárias da Convenção.