COP15 da ONU em Campo Grande: 133 países unem forças pela conservação de espécies migratórias

Campo Grande está prestes a se tornar o palco de um dos mais importantes eventos globais de conservação. Entre os dias 23 e 29 de março, a cidade sediará a COP15 da CMS (Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), reunindo ministros, autoridades e representantes de nada menos que 133 países. O encontro tem como objetivo principal fortalecer a proteção de animais que cruzam fronteiras e estabelecer novas cooperações internacionais para enfrentar os desafios da biodiversidade.

A expectativa é alta para a conferência, que contará com a presença confirmada da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e de outros membros importantes do governo brasileiro, como João Paulo Capobianco, secretário-executivo do MMA e presidente da COP15. Segundo Capobianco, a escolha de Campo Grande como sede reflete o desejo de apresentar aos participantes um modelo de convivência harmoniosa entre seres humanos e a natureza, destacando a infraestrutura da cidade e seus espaços públicos de qualidade. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a cidade foi escolhida por sua capacidade de sediar um evento de tal magnitude e por representar um elo importante com o Pantanal, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta.

Um marco para a conservação global

A Convenção sobre Espécies Migratórias, em vigor desde 1979, é o único tratado internacional dedicado exclusivamente à conservação dessas espécies, que são particularmente vulneráveis às mudanças climáticas. Atualmente, a convenção protege 1.189 espécies, abrangendo uma vasta gama de animais, desde aves e mamíferos terrestres e aquáticos até peixes, répteis e insetos. O Brasil, reconhecido por sua megadiversidade, tem um papel crucial na ampliação dessa lista e na busca por mais países signatários.

O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, ressaltou a importância do evento, afirmando que a proposta é que Campo Grande sirva de exemplo de convivência entre o homem e a natureza. Ele destacou que a cidade possui infraestrutura adequada e espaços públicos de alta qualidade, fatores que foram determinantes para a escolha. Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, acrescentou que o Brasil já solicitou a inclusão de espécies relevantes de Mato Grosso do Sul que ainda não constam nas listas da CMS, demonstrando o compromisso do país com a expansão da proteção animal. O encontro visa fortalecer a cooperação, formar coalizões e aprovar planos de ação eficazes para a proteção dessas espécies em rota.

Estrutura e Legado para Campo Grande

A organização da COP15 mobiliza diversas secretarias do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. O planejamento logístico é abrangente, incluindo segurança, operações no aeroporto em parceria com a Aena e companhias aéreas, além de articulação com os setores de hotelaria, alimentação, cultura e turismo. O Bosque Expo será o principal centro das atividades, abrigando a chamada “blue zone”, área oficial da ONU onde ocorrerão negociações, plenárias e reuniões ministeriais. Um sistema de transporte coletivo exclusivo para os participantes está em estudo para conectar o local aos hotéis da cidade.

Eventos paralelos estão programados para o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, o Bioparque e a Casa do Homem Pantaneiro, enriquecendo a experiência dos visitantes e promovendo a cultura local. Além do caráter técnico da conferência, o governo estadual aposta na visibilidade internacional do Pantanal como um dos legados do evento. A expectativa é de um aumento significativo no interesse turístico pela região, com muitos participantes aproveitando para conhecer o bioma antes ou depois da conferência. A criação do Bosque da COP15 e ações voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa também estão entre as iniciativas planejadas, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

O Brasil na linha de frente da conservação

O Brasil, um dos países com maior biodiversidade do mundo, tem buscado ativamente ampliar tanto o número de espécies protegidas quanto o de países signatários da convenção. Atualmente, países como Estados Unidos, México, Canadá e Rússia ainda não aderiram ao acordo, e o país busca incentivá-los a se juntar a este esforço global. A COP sobre espécies migratórias teve um marco inicial no Brasil em 1992, durante a ECO-92 no Rio de Janeiro, e desde então é realizada a cada três anos, promovendo a cooperação e a implementação de medidas sustentáveis para garantir a livre movimentação e proteção das espécies migratórias em seus habitats e rotas.

A COP15 em Campo Grande representa uma oportunidade única para reforçar o compromisso global com a conservação da vida selvagem e para destacar a importância da cooperação internacional na proteção de espécies que não conhecem fronteiras. A escolha do Brasil e, especificamente, de Mato Grosso do Sul, reforça o papel estratégico do país na agenda ambiental mundial e a sua capacidade de sediar eventos de grande relevância para o futuro do planeta.