Construtora Rial acumula R$ 96,7 milhões em aditivos e vira alvo de operação

A Construtora Rial Ltda., sediada em Campo Grande, tornou-se o centro das atenções da Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12). A empresa, cuja atividade principal desde sua abertura em 2023 é obras de terraplanagem, é suspeita de **fraudar contratos de manutenção de vias públicas** com a prefeitura. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a construtora acumula um montante expressivo de R$ 147,6 milhões em contratos ativos, sendo que R$ 96,7 milhões são referentes a aditivos contratuais.

A investigação, conduzida pelo Ministério Público, aponta para **desvios de R$ 113,7 milhões** no período entre 2018 e 2025. Sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão foram cumpridos durante a operação, que visa desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar sistematicamente a execução de serviços de manutenção de vias públicas no município.

Investigação aponta para pagamentos indevidos e desvio de verba pública

O modus operandi investigado envolve a manipulação de medições e a realização de pagamentos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as evidências coletadas indicam que a empresa amealhou um total de R$ 113.702.491,02 em contratos e aditivos entre 2018 e 2025. Essa prática teria como objetivo o desvio de dinheiro público e o enriquecimento ilícito dos envolvidos, resultando na má qualidade das vias municipais.

A Prefeitura de Campo Grande, em nota, afirmou que acompanha os trabalhos do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), colaborando para a lisura e transparência dos fatos. Servidores públicos investigados estão sendo exonerados para que apresentem suas defesas.

Construtora Rial possui histórico de contratos com a prefeitura desde 2011

Uma consulta ao Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) revela que a Construtora Rial figura em contratos firmados com o município **desde pelo menos 2011**. Atualmente, a empresa possui R$ 147.621.717,54 em contratos ativos, originados de licitações abertas a partir de 2022. Deste valor total, **R$ 96.765.646,84 são provenientes de aditivos**, que representam acréscimos ao contrato original justificados por aumento de serviços, prazos ou custos.

O capital social da Rial é de R$ 10 milhões, e seu sócio-administrador, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, é um dos alvos da operação. Outras seis pessoas foram presas na ação. A prefeitura, contudo, contextualiza que a investigação abrange contratos de manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017.

Aditivos contratuais somam quase R$ 97 milhões em contratos recentes

Os contratos mais recentes com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), abertos em 2022, totalizam R$ 147.621.717,54. A maior parte desses valores, R$ 96.765.646,84, corresponde a aditivos. Um exemplo notório é o contrato para manutenção na região urbana do Anhanduizinho, que saltou de R$ 10,2 milhões para R$ 52.157.356,45 após aditivos totalizando R$ 41,8 milhões.

Outro contrato para manutenção de pavimento asfáltico na região do Imbirussu teve seu valor inicial de R$ 5,4 milhões acrescido em R$ 24,3 milhões, alcançando R$ 29.783.245,48. Conforme o Campo Grande NEWS checou, há também um contrato para manutenção de pavimento asfáltico e recomposição de capa asfáltica, com vigência prevista até 2026/2027, que após R$ 2 milhões em aditivos, atingiu R$ 9.037.564,25.

Em uma licitação de 2024, a empresa obteve um contrato para manutenção de vias não pavimentadas que, após aditivos de R$ 9,1 milhões, elevou o valor de R$ 7,4 milhões para R$ 16.576.939,65. É importante ressaltar que, embora os valores aditivados sejam significativos, nem todo o montante representa dinheiro já desembolsado pela prefeitura. Dados da Transparência indicam que parte dos recursos ainda está como ‘empenhada’, aguardando futura execução e pagamento. Os desembolsos identificados até o momento somam R$ 74.896.278,49, com parcelas ainda classificadas como ‘a executar’. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a prefeitura colabora com a investigação para garantir a lisura e transparência dos processos.