Construtor é acusado de aplicar golpe em clientes e causar prejuízo de mais de R$ 100 mil
Um grupo de moradores de Mato Grosso do Sul relata ter sido vítima de um golpe envolvendo a construção de chalés e serviços de carpintaria. O suspeito, que se apresenta como construtor nas redes sociais, é acusado de causar prejuízos superiores a R$ 100 mil após abandonar obras ou nem iniciá-las, mesmo após receber pagamentos antecipados. Um grupo de seis vítimas relata experiências semelhantes desde 2022, conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS.
O construtor atraía clientes com fotos de chalés prontos e prometia entrega em todo o Estado. Após fechar acordo, solicitava valores antecipados para compra de materiais e início da obra. No entanto, as vítimas afirmam que os trabalhos eram abandonados ou sequer iniciados. Algumas pessoas chegaram a fazer empréstimos de até R$ 30 mil para contratar os serviços, que nunca foram concluídos.
A situação tem gerado profundo abalo emocional nas vítimas, que se sentem envergonhadas e impotentes. Segundo relatos obtidos pela reportagem do Campo Grande NEWS, o suspeito continuaria oferecendo serviços normalmente nas redes sociais, mesmo após as denúncias. O caso foi registrado como estelionato e algumas vítimas também procuraram o Procon.
Sonho de chalé vira pesadelo para casal
Uma das vítimas, que prefere não se identificar, contou que perdeu R$ 14,8 mil após contratar a construção de um chalé em uma chácara na região de Jaraguari. O casal havia decidido investir no espaço por questões de saúde e qualidade de vida. O contato com o construtor começou após o marido encontrar publicações na internet.
Após dias de conversa e fechamento do contrato, o homem foi até o local, roçou o terreno, começou a obra e chegou a levantar os alicerces. No entanto, após receber parte do valor para compra de materiais, a situação mudou drasticamente. “Depois disso ele começou a desaparecer. Respondia mensagens com muita dificuldade, inventava desculpas e não voltava para terminar o serviço. Hoje não atende mais ligações”, relatou a vítima.
A mulher relatou que a frustração tem provocado um impacto emocional profundo em sua vida. “Temos vivido um pesadelo. Meu psicológico está destruído. Eu sinto culpa por ter acreditado. Tenho vergonha de contar para a família e amigos”, desabafou. Ela criou um grupo com outras vítimas, que juntas estimam um prejuízo total superior a R$ 100 mil.
Outras vítimas relatam perdas e processos judiciais
Viviane da Cunha Pereira Dourado, de 49 anos, é outra vítima. Ela contratou o profissional em agosto de 2024 para construir uma varanda de madeira, com um custo total de R$ 7 mil. Ela pagou R$ 4 mil de entrada em dinheiro e o restante seria parcelado no cartão.
O construtor prometeu iniciar a obra em poucos dias e entregar em 20 dias. Ele chegou a levar algumas vigas e iniciou parte da estrutura, mas abandonou o serviço. “Ele colocou três vigas e nunca mais apareceu. Passei meses cobrando. Sempre tinha uma história diferente”, disse Viviane.
Cansada da situação, ela entrou com um processo judicial e ganhou a causa pela Defensoria Pública, mas, segundo ela, a decisão ficou apenas no papel e o dinheiro não foi recuperado. Viviane também registrou boletim de ocorrência, mas ainda não obteve sucesso em reaver os valores.
Modus operandi e orientação aos consumidores
Segundo pessoas que participam do grupo criado para reunir vítimas, há relatos semelhantes desde 2022. O modus operandi seria sempre o mesmo: divulgação de serviços nas redes sociais, visita ao local da obra, pedido de pagamento antecipado e abandono do serviço. Diversos boletins de ocorrência já foram registrados, mas, de acordo com os relatos, o homem continua atuando.
Especialistas orientam que consumidores sempre verifiquem referências e histórico de serviços prestados, além de evitarem pagamentos antecipados elevados antes da execução das obras. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, vítimas que passaram por situações parecidas podem procurar órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça para tentar reaver os prejuízos.
A reportagem do Campo Grande NEWS tentou contato com o construtor, mas a ligação não foi atendida. O espaço permanece aberto para manifestações.

