Comércio local reage à isenção de impostos em compras internacionais

Comerciantes buscam estratégias para atrair clientes após fim da “taxa das blusinhas”

O fim da isenção de impostos para compras internacionais de até US$ 50, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, trouxe um novo cenário para o comércio de rua em Campo Grande. Lojistas da Rua 14 de Julho agora se mobilizam para reconquistar consumidores, apostando em um atendimento mais próximo e promoções atrativas. A medida, que zerou o imposto federal de 20% para essas compras, reacende a antiga preocupação de como competir com a agilidade e os preços baixos das plataformas estrangeiras.

A decisão do governo federal, anunciada na noite de terça-feira, impacta diretamente a estratégia de muitos estabelecimentos que já enfrentavam dificuldades para se manterem competitivos. A expectativa agora é entender se o consumidor voltará a priorizar o comércio local ou se a comodidade das compras online prevalecerá, mesmo com a redução de custos para as empresas internacionais.

Conforme apurou o Campo Grande NEWS, a concorrência com o comércio eletrônico não é novidade para os vendedores da região. No entanto, a experiência de compra presencial, o contato direto com o produto e a possibilidade de sair da loja com a mercadoria na hora são pontos fortes que os comerciantes esperam explorar para fidelizar seus clientes.

A força da experiência presencial e o “comércio no gogó”

Luiz Bento, comerciante de 62 anos, ressalta que a possibilidade de o cliente ver, tocar e experimentar o produto é um diferencial que o online ainda não consegue replicar. “O cliente continua valorizando a possibilidade de pegar o produto na mão, conferir tamanho, qualidade e sair da loja com a compra pronta”, afirma ele. Essa experiência, segundo Bento, é crucial, especialmente para consumidores mais velhos.

Para enfrentar a concorrência, os comerciantes têm resgatado estratégias antigas. O uso de locutores na porta das lojas, por exemplo, tem se mostrado eficaz para atrair a atenção de quem passa. “É um marketing antigo, mas funciona. A pessoa entra por causa de uma promoção e acaba levando outras coisas”, explica Bento. Ele acredita que o comércio físico, com seu atendimento personalizado, nunca deixará de existir.

A gerente Ana Cláudia Martinez Corrêa, de 28 anos, concorda que a internet virou o primeiro ponto de pesquisa de preços para muitos. Por isso, a loja onde trabalha na 14 de Julho tem investido em promoções mais visíveis e na montagem de kits de roupas, além de expor as peças na entrada para capturar o olhar de quem circula. “O pessoal passa e olha muito o que chama atenção na frente da loja. Então temos que conquistar aos poucos”, comenta.

Redes sociais como aliadas na disputa online

A presença nas redes sociais tornou-se praticamente obrigatória para o comércio de rua. Ana Cláudia conta que a loja intensificou suas postagens no Instagram. “Hoje praticamente precisa de uma pessoa só para cuidar disso”, relata. Essa estratégia busca criar um relacionamento mais próximo com o consumidor, mesmo que a compra final não ocorra pela plataforma.

A percepção de perda de clientes para a internet se intensificou desde dezembro, segundo Ana Cláudia. No entanto, ela reforça que o comércio físico aposta na proximidade e no relacionamento. “Tem que conversar, fazer amizade, chamar o cliente para dentro da loja”, defende.

Custos fixos desafiam a competitividade do comércio local

Emily Gonzaga, vendedora da Rede Preço Único, aponta que a disputa é desigual devido aos custos fixos do comércio físico. “Quem vende pela internet tem menos despesas. Loja física paga aluguel, água, luz e imposto. Isso quebra bastante o lucro”, afirma. Apesar disso, a loja investe tanto em divulgação online quanto em estratégias tradicionais, como o uso de locutores.

O fluxo de consumidores na loja de Emily continua alto, especialmente entre o público mais velho, que valoriza a possibilidade de experimentar os produtos pessoalmente antes de comprar. Essa preferência demonstra que, mesmo com a ascensão do e-commerce, o comércio de rua ainda tem um espaço garantido, desde que saiba explorar seus diferenciais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a adaptação a novas realidades de mercado é constante para os lojistas da região.

O futuro do comércio de rua em Campo Grande

Ainda que a isenção de impostos para compras internacionais possa representar um desafio adicional, a análise do Campo Grande NEWS indica que o comércio local em Campo Grande está empenhado em encontrar caminhos para prosperar. A combinação de atendimento humanizado, promoções estratégicas e o uso inteligente das redes sociais são as principais apostas para manter a relevância em um mercado cada vez mais digital.

A expertise em oferecer uma experiência de compra única, onde o cliente pode interagir com os produtos e receber atenção personalizada, continua sendo o grande trunfo dos lojistas. A confiança construída ao longo do tempo, como destacado pelo Campo Grande NEWS em outras reportagens sobre o comércio local, também desempenha um papel fundamental na fidelização do público.