Comerciante ameaçado após morte de cliente: “Meu psicológico está abalado”

Comerciante abalado por ameaças após morte de cliente em Campo Grande

A repercussão da morte de David Kauã Vieira Santos Lopes, de 23 anos, em Campo Grande, tem afetado profundamente o proprietário do estabelecimento onde o jovem comprou um lanche dias antes de passar mal. O comerciante, que prefere não se identificar, relatou ao TopMídiaNews ter recebido ameaças sérias, registrado boletins de ocorrência e decidido manter seu comércio fechado em meio à apreensão.

O jovem David Kauã estava internado desde 14 de agosto, apresentando um quadro grave de infecção. Inicialmente, a família suspeitou que o mal-estar pudesse estar relacionado ao consumo de um lanche adquirido no estabelecimento. No entanto, até o momento, não há confirmação técnica de que o alimento tenha sido a causa da infecção ou da morte do rapaz.

A incerteza sobre a causa da morte, aliada à intensa repercussão nas redes sociais, transformou drasticamente a rotina do comerciante. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, foram registrados dois boletins de ocorrência, um deles especificamente por conta das ameaças que o proprietário tem sofrido.

Ameaças e medo constantes

O comerciante expressou o impacto psicológico da situação: “Meu psicológico está abalado. Foi muito difícil. Tomei remédio para dormir, porque você fica com aquele sentimento de tristeza, as pessoas querem julgar sem provas e isso acaba com um estabelecimento”. Ele detalhou o teor das ameaças recebidas, que incluem intimidações como “vai lá botar fogo”, gerando um clima de constante insegurança.

“Você não tem como ficar tranquilo. A gente é forte, só que a gente é feito de carne e osso”, desabafou o proprietário, que também é pai solo e depende do comércio para sustentar seu filho.

O receio é tão grande que o estabelecimento, que completa 10 anos de funcionamento no próximo mês, permanece de portas fechadas. “Eu não consigo trabalhar. Esse medo é constante. Xingaram, ameaçaram, tenho funcionários, meu filho, como manter aberto recebendo tantas ameaças? Só vou conseguir depois de tudo esclarecido”, explicou.

Redes sociais e julgamento antecipado

A avalanche de críticas nas redes sociais também afetou o comerciante, que chegou a evitar o acesso às plataformas devido ao volume de comentários negativos. “O que me metralharam nessa rede social não foi pouco. Tudo isso sem comprovação de nada, por uma publicação”, lamentou.

Ele ressaltou que nem mesmo a família de David ou clientes antigos do estabelecimento apontaram o comércio como culpado, contrastando com a hostilidade online. “Nem a família dele, pai, clientes antigos não apontaram o estabelecimento como tanta gente fez”, detalhou.

Apesar do cenário adverso, o proprietário mencionou ter recebido apoio de clientes fiéis. “Teve muita gente que me estraçalhou, mas teve muita gente me defendendo. Recebi mensagem de cliente falando: ‘Se você precisar, eu estou à sua disposição para te ajudar’. Tenho clientes de 10 anos que conhecem minha história”, contou.

História de trabalho abalada

O estabelecimento, que seria inaugurado em 2016, construiu uma trajetória de uma década que agora se vê ameaçada. “Completo 10 anos mês que vem. Abri em 2016. O que aconteceu é muito triste, só que uma história minha também praticamente morreu. Vai ser difícil começar do zero”, confessou o comerciante.

Segundo informações apuradas pelo Campo Grande NEWS, o estabelecimento passou por uma fiscalização após a repercussão do caso e não foi interditado. O proprietário garante que os alimentos estavam devidamente armazenados e acompanhados de notas fiscais, e que nenhuma irregularidade que impedisse o funcionamento do local foi identificada.

Aguardando laudos e a verdade

David Kauã faleceu em 30 de agosto, após dias de internação. A causa exata da infecção e sua possível ligação com o lanche ainda dependem de laudos e da investigação das autoridades competentes. Enquanto aguarda as respostas, o comerciante busca se reorganizar emocionalmente.

“Eu quero esperar que tudo seja esclarecido. O psicológico da gente fica abalado. Mas eu acredito que a verdade aparecerá”, finalizou, demonstrando esperança em um desfecho justo para a situação, conforme também noticiado pelo Campo Grande NEWS.