A cesta básica em Campo Grande atingiu o preocupante valor de R$ 841,19 em maio de 2026, posicionando a capital sul-mato-grossense como a oitava mais cara do país. O aumento de 1,73% em relação a abril reflete uma pressão generalizada nos preços dos alimentos em todo o Brasil, conforme aponta a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Dieese em parceria com a Conab. Este cenário impacta diretamente o orçamento das famílias campo-grandenses, que agora precisam dedicar mais tempo de trabalho para garantir o sustento básico.
Campo Grande tem cesta básica entre as mais caras do país
Em maio de 2026, todas as 27 capitais brasileiras registraram aumento no custo da cesta básica. Em Campo Grande, o valor médio alcançou R$ 841,19, um aumento de 1,73% em relação ao mês anterior. Este patamar coloca a cidade na oitava posição no ranking nacional, ultrapassando capitais como Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Salvador. Os dados, divulgados pelo Dieese e Conab, evidenciam a dificuldade crescente para o trabalhador brasileiro.
A análise detalhada revela que os principais vilões da alta em Campo Grande foram a batata, com um expressivo aumento de 46,71%, seguida pelo tomate (21,37%) e pelo feijão carioca (8,37%). Esses produtos, essenciais na mesa do brasileiro, tiveram seus preços elevados devido a fatores como redução da oferta, encerramento de safra e problemas climáticos em regiões produtoras.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, o impacto na renda do trabalhador é significativo. Em maio, um trabalhador que recebe o salário mínimo precisou de 114 horas e 10 minutos para adquirir a cesta básica, um aumento em relação às 112 horas e 13 minutos de abril. O custo da cesta comprometeu 56,10% do salário mínimo líquido do campo-grandense, um percentual superior à média nacional de 52,01%.
Produtos que mais pressionaram os preços em Campo Grande
Entre os 13 produtos que compõem a cesta básica pesquisada em Campo Grande, a batata e o tomate foram os que mais impactaram o bolso do consumidor. A valorização da batata está ligada ao fim da safra das águas e ao início da colheita da safra de inverno, enquanto o tomate sofreu com a menor oferta decorrente do clima mais frio e da incidência de pragas. O feijão carioca também contribuiu para a alta, com um aumento de 8,37%.
Por outro lado, alguns itens apresentaram queda nos preços médios na capital sul-mato-grossense. O destaque foi a banana, com recuo de 10,84%, seguida pelo café em pó com 7,86% de redução. O óleo de soja, leite integral e carne bovina de primeira também registraram quedas pontuais, mas insuficientes para compensar o aumento geral.
É notável que Campo Grande foi a única capital do país a registrar queda no preço da carne bovina de primeira em maio, com um recuo de 1,11%. Em outras capitais, o produto teve aumento devido à demanda externa aquecida e à oferta restrita de animais para abate. O café em pó, que teve a maior redução entre as capitais, foi influenciado pelo avanço da colheita e boas perspectivas para a safra brasileira.
Acumulado anual e impacto na renda do trabalhador
Olhando para o acumulado de 12 meses, o feijão carioca lidera os aumentos em Campo Grande com 46,62%, seguido por tomate (29,93%) e batata (29,86%). No período de dezembro de 2025 a maio de 2026, a pressão sobre o orçamento familiar foi ainda maior, com tomate (92,64%), batata (80,15%) e feijão carioca (47,05%) disparando.
O comprometimento da renda do trabalhador campo-grandense com a cesta básica é um ponto de atenção. O percentual de 56,10% do salário mínimo líquido destinado à alimentação básica demonstra que mais da metade dos rendimentos de quem recebe o piso salarial é consumida apenas para garantir os itens essenciais. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação exige atenção das autoridades e dos consumidores.
Embora a alta em Campo Grande em maio tenha sido menor do que em diversas outras capitais, o custo de vida, especialmente o de alimentação, permanece elevado. A pesquisa do Dieese e Conab, checada pelo Campo Grande NEWS, reforça a necessidade de políticas públicas que visem à estabilização dos preços dos alimentos e ao aumento do poder de compra da população.

