Centro POP no Amambaí: Moradores e comerciantes protestam contra transferência e temem por segurança de crianças

Moradores e comerciantes do bairro Amambaí, em Campo Grande, voltaram a protestar nesta segunda-feira (10) contra a transferência do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) para um imóvel localizado próximo à Escola Municipal José Rodrigues Benfica. A manifestação ocorreu em frente à Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS).

O grupo expressou descontentamento com a proximidade do Centro POP de uma unidade escolar e alegou falta de diálogo com a comunidade sobre a decisão. Faixas, cartazes e narizes de palhaço foram utilizados pelos manifestantes para reforçar o protesto, que já havia ocorrido anteriormente, em julho.

A prefeitura, por sua vez, informou que a nova unidade do Centro POP tem previsão de conclusão para o final de agosto e que a intenção é oferecer um ambiente mais adequado e acolhedor para a população em situação de rua.

Comerciantes e moradores expõem preocupações

José Roberto Moura, comerciante e morador do bairro Amambaí, de 55 anos, relatou que a região já enfrenta dificuldades. “Nós já sofremos. Esse bairro é o mais antigo de Campo Grande e não somos assistidos em nada. Não temos uma praça revitalizada no bairro Amambaí. Só praça que tem, infelizmente, usuários de droga. Não temos um posto de saúde”, desabafou.

Ele expressou preocupação com o funcionamento do Centro POP, que, segundo a informação recebida pelos moradores, operaria das 7h às 17h. “Aí põe todo mundo para fora e fecha. E das sete da noite às sete do outro dia, eles vão ficar aqui na frente. Precisa ser melhor estudado, melhor conversado”, disse.

Moura sugeriu que o Centro POP fosse realocado para um bairro com maior carência de serviços públicos, como a Vila Nha Nhá. “A nossa sugestão do Centro POP, e que nós estudamos um pouco, é num bairro com uma deficiência do poder público. A Vila Nha Nhá. Por que que não leva para lá?”, questionou.

Segurança das crianças é o principal receio

Rosane Nely, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Amambaí, de 58 anos, classificou a mudança como uma “tragédia anunciada”. Ela defende a realização de um estudo de impacto social e argumenta que um equipamento como o Centro POP não deveria ser instalado no centro da cidade, especialmente ao lado de uma escola.

“A gente está pedindo respeito. O Bairro Amambaí é o primeiro da cidade, faz parte da história. Campo Grande começou aqui”, ressaltou. A falta de diálogo com a comunidade foi um dos pontos mais criticados pelos manifestantes.

Daniela Zanetti, 33 anos, mãe de um aluno de 6 anos, compartilhou sua apreensão quanto à segurança das crianças. “O Centro POP não deveria estar do lado da escola. Deveria estar em um outro ambiente. A minha preocupação é a segurança das crianças. O exemplo que elas vão ter”, afirmou.

Ela exemplificou a situação de seu filho, que é autista e questiona o que vê. “Meu filho é autista, então ele questiona muitas coisas, ele vê, ele pergunta. Então como é que eu vou explicar todo dia alguém usando droga ou deitado bebendo”, relatou.

Prefeitura garante segurança e melhorias

A Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) informou que o novo Centro POP tem previsão de conclusão para o final de agosto. A pasta assegura que o imóvel, que pertence à prefeitura, está sendo preparado para oferecer atendimento diário a pessoas em situação de vulnerabilidade social, proporcionando um ambiente acolhedor e funcional.

Segundo a prefeitura, a nova unidade representa uma **melhoria concreta** tanto para a população atendida quanto para as equipes de trabalho, garantindo mais estrutura e qualidade nos serviços socioassistenciais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a SAS está em alinhamento com a Segurança Pública do município para que as rondas sejam intensificadas na região com a implementação da unidade.

A pasta também destacou que o local já abriga, há mais de um ano, o Serviço Especializado em Abordagem Social, responsável pelo atendimento à população em situação de rua, o que já gera uma movimentação pontual desse público na área. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) acompanhou o protesto, monitorando o trânsito. Atualmente, o Centro POP funciona na Rua Joel Dibo, e a transferência para a Rua dos Barbosas foi anunciada em maio, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.