Censo inédito revela retrato da população em situação de rua em Campo Grande
Um levantamento pioneiro realizado em Campo Grande trouxe à tona o perfil detalhado de 1.476 pessoas que vivem em situação de rua ou em abrigos na Capital. O censo, divulgado no Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, revela que quase metade dessas pessoas é natural da própria cidade, enquanto 17% são imigrantes e 56 são crianças. O uso de drogas e conflitos familiares despontam como as principais causas que levaram esses indivíduos à vulnerabilidade social. A iniciativa, conduzida em 30 de setembro por 32 equipes, buscou oferecer um panorama abrangente da realidade enfrentada por essa parcela da população, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
A falta de documentos é uma barreira significativa para a reintegração social e o acesso a benefícios. Dentre os dados alarmantes, o censo aponta que um quinto dos entrevistados alega possuir algum transtorno mental, e pouco mais de 30% está nessa condição há mais de seis anos. A realidade dessas pessoas é marcada por desafios diários, incluindo acesso limitado à alimentação, água potável e banheiros públicos, como destacado pela defensora pública estadual, Thaísa Raquel Defante. Ela ressalta a necessidade de serviços de assistência que funcionem também nos finais de semana e feriados, períodos em que a vulnerabilidade tende a se agravar.
O levantamento, que utilizou georreferenciamento para mapear os pontos de maior concentração, indicou que as regiões Central e Anhanduizinho são as mais afetadas. O estudo também revelou que a maioria dessas pessoas não possui trabalho formal, e cerca de 40% obtém alguma renda informal, muitas vezes proveniente da venda de materiais recicláveis. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o acesso a benefícios sociais, que poderiam prover o mínimo necessário, alcança pouco mais da metade desse público.
As causas da vulnerabilidade e a realidade dos abrigos
O uso de drogas é apontado como o principal motivo que levou 1.476 pessoas a viverem nas ruas de Campo Grande. Em seguida, aparecem os conflitos familiares como fator determinante. Um exemplo dessa realidade é um homem de 36 anos, que nasceu na fronteira com o Paraguai e trabalhou como barman, mas que acabou se tornando parte dessa estatística inédita após o uso de cocaína e abuso de álcool. Ele encontra-se acolhido em uma Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (Uaifa), onde tem acesso a alimentação, banho e cuidados de saúde, mas almeja a reintegração profissional e social.
Apesar dos esforços, a capacidade de acolhimento das instituições em Campo Grande é insuficiente para atender à demanda. São 420 vagas nas Uaifas, e a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que existem outras vagas em instituições conveniadas, mas o número exato não foi divulgado. Essa disparidade entre o número de pessoas em situação de rua e as vagas disponíveis evidencia a urgência de expandir e fortalecer as políticas públicas de assistência social. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos deste censo.
Um retrato multifacetado da população em situação de rua
O censo inédito de Campo Grande revelou dados surpreendentes sobre a população em situação de rua. Quase metade dos 1.476 indivíduos identificados é natural da própria capital, desmistificando a ideia de que a maioria é de outras cidades ou estados. Além disso, um percentual expressivo não possui documentos, o que representa um obstáculo considerável para a obtenção de auxílios e oportunidades de trabalho. Essa falta de documentação é uma das principais barreiras para que consigam se reerguer e sair da condição de vulnerabilidade.
Outro dado que chama a atenção é a presença de 56 crianças nesse universo, sendo que seis delas não estão sequer protegidas em abrigos. Os imigrantes também compõem uma parcela significativa, representando 17% da população em situação de rua. A defensora pública Thaísa Raquel Defante ressalta a importância de um olhar atento para essa população, especialmente para os estrangeiros, e a necessidade de políticas que garantam sua integração produtiva na sociedade. O papel da Defensoria Pública foi crucial na organização e divulgação destes dados, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Desafios e caminhos para a solução
A vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social de Campo Grande, Camilla Nascimento, reconheceu a necessidade de aprimoramento da assistência oferecida à população em situação de rua. Ela destacou que o censo é o primeiro grande passo para a formulação de políticas públicas mais eficazes, permitindo um diagnóstico preciso da realidade. A revisão do plano municipal de assistência social já está em andamento, com base nas informações coletadas.
Sobre os recursos disponíveis, a secretária admitiu que a assistência social, diferentemente da saúde, não possui um orçamento fixo ou percentual definido por lei, o que representa uma luta histórica da área. No entanto, afirmou que o Executivo municipal está empenhado em otimizar os recursos existentes para atender às demandas e garantir a execução das políticas públicas. A busca por soluções e a melhoria contínua dos serviços são prioridades para a gestão, que busca superar os desafios apresentados pelo censo. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir assuntos locais garante a credibilidade desta notícia.

