Em pouco mais de uma década, a indústria de celulose deixou de ser um segmento em expansão para se tornar uma das principais forças da economia de Mato Grosso do Sul. O avanço do setor foi acompanhado pelo aumento expressivo do número de trabalhadores, da produção e das exportações, colocando a atividade entre os principais responsáveis pela geração de riqueza na indústria de transformação estadual, conforme aponta um levantamento divulgado recentemente.
Entre 2010 e 2025, o número de trabalhadores do setor em Mato Grosso do Sul cresceu impressionantes 249%, saltando de 7.004 para 24.430. As exportações tiveram um salto ainda mais expressivo, passando de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões no mesmo período. Paralelamente, o valor bruto da produção avançou 1.148%, atingindo R$ 20,4 bilhões em 2024, consolidando o estado como um dos principais polos brasileiros do setor. Esses números, divulgados pelo Campo Grande NEWS, dimensionam a transformação econômica vivenciada pelo estado.
O crescimento de 249% no contingente de trabalhadores ligados à indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, entre 2010 e 2025, significa que o setor passou a empregar mais de três vezes o número de pessoas registradas no início da série histórica. Essa expansão reflete a importância crescente da atividade para a geração de empregos diretos e indiretos na região.
Nova locomotiva da economia sul-mato-grossense
Ezequiel Resende, economista-chefe da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), destaca que a celulose representa uma das principais mudanças ocorridas na estrutura industrial do estado nos últimos anos. “A celulose é uma nova locomotiva”, afirma Resende, ressaltando o volume de investimentos, o rápido crescimento e a participação na atividade econômica e industrial do estado.
Segundo o economista, a atividade se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação do Mato Grosso do Sul. Essa nova dinâmica econômica tem impactado positivamente diversos setores, desde o agronegócio, com o fornecimento de matéria-prima, até a logística e os serviços.
O valor bruto da produção de celulose no estado também apresentou um crescimento notável. Entre 2010 e 2024, o indicador passou de R$ 1,63 bilhão para R$ 20,4 bilhões, representando um avanço de 1.148% em 14 anos. Esse expressivo aumento na produção demonstra a capacidade industrial do estado e sua crescente participação no mercado global de celulose.
Exportações batem recordes e diversificam pauta
No comércio exterior, a evolução da celulose é igualmente impressionante. A receita obtida com as exportações saltou de US$ 431,4 milhões em 2010 para US$ 3,12 bilhões em 2025, de acordo com dados compilados pelo Campo Grande NEWS. Esse resultado consolida a celulose como um dos principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense, superando, em muitos casos, commodities tradicionais.
No mesmo período, o volume de celulose exportado pelo estado cresceu de 857,8 mil toneladas para 6,91 milhões de toneladas. Essa expansão não apenas reflete o aumento da capacidade produtiva, mas também o fortalecimento da participação de Mato Grosso do Sul no comércio internacional do produto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esse crescimento é um indicativo da eficiência e competitividade da produção local.
A combinação de crescimento da produção, geração de empregos e expansão das exportações fez com que a celulose ganhasse um espaço cada vez maior dentro da própria estrutura industrial sul-mato-grossense. “Hoje a celulose está entre os segmentos que mais contribuem para a geração de riqueza da indústria de transformação sul-mato-grossense”, afirma Resende.
Valor agregado e sustentabilidade impulsionam o setor
Na avaliação do economista-chefe da Fiems, o desenvolvimento da cadeia de celulose também está relacionado a uma mudança na composição das exportações de Mato Grosso do Sul. O estado, tradicionalmente associado à produção de commodities agropecuárias, tem ampliado a presença de produtos industrializados e de maior valor agregado no mercado externo. Nesse processo, a celulose surge como um dos principais exemplos dessa transformação.
“O melhor exemplo dessa transformação é a celulose. Ganhamos novos produtos de maior valor agregado, alcançamos novos mercados e aumentamos significativamente nossa presença internacional”, destaca Resende. O crescimento das exportações de celulose, portanto, não representa apenas o aumento da quantidade de um produto vendido ao exterior. Ele também está inserido em uma mudança mais ampla na atividade industrial do estado, com maior participação de produtos processados na geração de receitas, algo que o Campo Grande NEWS acompanha de perto.
A expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul está diretamente ligada à disponibilidade de florestas plantadas e à formação de uma cadeia produtiva integrada. Esse modelo tem permitido ao estado ampliar sua capacidade industrial e se inserir de maneira mais forte no mercado internacional de celulose. A atividade tem ocupado uma posição estratégica na economia estadual, especialmente pelo volume de investimentos, capacidade de produção e geração de empregos, consolidando Mato Grosso do Sul como um dos principais polos brasileiros do setor e ampliando sua presença no mercado global.

