CBV proíbe Tifanny de jogar; Osasco promete apoio e anuncia medidas jurídicas

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma nova política de elegibilidade que impede a participação de atletas transgênero nas competições femininas da entidade. A decisão, divulgada na sexta-feira (14), gerou surpresa e forte reação do Osasco São Cristóvão Saúde, clube que conta com a oposta Tifanny, a primeira atleta trans a disputar a Superliga. Tifanny representa o Osasco desde 2021 e foi peça fundamental na conquista do título da temporada 2024/2025.

O clube paulista, em nota oficial, declarou ter sido “surpreendido” pela medida, ressaltando que a decisão foi tomada “sem qualquer participação ou opinião prévia do clube”. O departamento jurídico do Osasco já está analisando a normativa para definir os próximos passos, e o clube reafirmou seu “integral apoio a Tifanny”.

Nova regra da CBV gera polêmica e impacto para Tifanny

A nova política de elegibilidade da CBV estabelece que somente atletas do sexo biológico feminino poderão competir nas categorias femininas. Essa diretriz busca, segundo a entidade, estar em conformidade com as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Os critérios incluem a apresentação de um resultado negativo para o gene SRY.

Anteriormente, a regra permitia que mulheres trans atuassem desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite específico. A nova determinação, que entra em vigor nas próximas edições da Superliga (nas duas principais divisões), da Supercopa, da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027, muda drasticamente esse cenário.

A Federação Paulista de Volleyball (FPV) também se pronunciou sobre o caso. A entidade informou que, como o Campeonato Paulista já teve início antes da publicação da nova política, “eventuais medidas” serão tomadas apenas “para as próximas competições”. Essa análise será feita “após manifestação das áreas jurídica e de saúde”.

Dessa forma, Tifanny segue liberada para disputar o Campeonato Paulista. Neste sábado (15), o Osasco estreou na competição contra o Pinheiros, às 21h30 (horário de Brasília), no Ginásio José Liberatti, em Osasco (SP). A participação da atleta na liga estadual, no entanto, não garante sua presença em futuras competições nacionais sob a nova regra.

Histórico e decisão judicial anterior

Tifanny fez história ao se tornar a primeira atleta trans a disputar a Superliga em dezembro de 2017. Sua trajetória no esporte tem sido marcada por avanços e, por vezes, controvérsias regulatórias. Em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que permitiu a participação de Tifanny na Copa Brasil, atendendo a um pedido da própria CBV.

Essa decisão do STF ocorreu após a Câmara de Vereadores de Londrina (PR), cidade sede da Copa Brasil, aprovar um requerimento em regime de urgência que buscava regulamentar a participação de atletas trans em eventos esportivos no município. O caso Tifanny tem sido um ponto focal nas discussões sobre inclusão e regulamentação no esporte.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a nova política da CBV levanta questões sobre a interpretação de regras internacionais e a aplicação de critérios biológicos em detrimento de políticas de inclusão. O clube de Osasco, ao demonstrar apoio irrestrito a Tifanny, sinaliza que a luta por seus direitos e sua permanência nas competições está longe de terminar. A expectativa agora recai sobre as ações que o departamento jurídico do clube irá empreender nos próximos dias, buscando reverter ou mitigar os efeitos da nova e restritiva norma da CBV.

O impacto da decisão da CBV pode ser sentido em diversas frentes, desde o aspecto esportivo, com a possível exclusão de atletas talentosas, até o social, com o debate sobre os direitos das pessoas trans no esporte. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a comunidade esportiva e os defensores dos direitos LGBTQIA+ acompanham atentamente os desdobramentos, esperando que a justiça e a equidade prevaleçam. A situação de Tifanny se tornou um símbolo dessa luta, e o desfecho poderá abrir precedentes importantes para o futuro do vôlei e de outros esportes no Brasil. A posição do Osasco, como reportado pelo Campo Grande NEWS, demonstra um compromisso com a inclusão e um desafio direto à nova diretriz da CBV.