O “coração sertanejo” de Campo Grande bateu mais forte nas avenidas neste domingo (31), com a realização de uma cavalgada alusiva ao Brasileirão do Laço Comprido. O evento, que celebra a rica cultura rural da região, reuniu participantes de todas as idades, provando que a tradição do laço comprido é passada de geração em geração. A concentração ocorreu na Praça do Rádio, um ponto tradicional na Avenida Afonso Pena, antes do percurso que seguiu até o Bar Boiadeiros, contagiando a cidade com o espírito sertanejo.
Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, a cavalgada serviu como um aquecimento para o Brasileirão do Laço Comprido, que acontece até o dia 7 de junho no Parque do Peão. A festa da cultura sertaneja em Campo Grande mostrou a força de suas tradições, integrando a comunidade em um evento vibrante e cheio de significado.
Tradição que atravessa gerações no laço comprido
A diversidade de idades entre os participantes foi um dos pontos altos da cavalgada. João Ramos, aos 84 anos, é a prova viva de que a paixão pelo laço comprido não tem idade. Com a fivela de campeão na cintura, conquistada em uma competição no Paraná, ele demonstra vitalidade e um amor incondicional pela modalidade. “Eu deixo até o desafio aos companheiros veteranos de 60 anos pra cima. Quando chegam aos 67 anos, 68 anos, o braço vai ficando duro, já vão parando. Eu fiz 84 no ano passado e estou laçando junto com a rapaziada nova”, disse João, com um sorriso orgulhoso.
Ele ressalta a importância da força e da confiança no esporte: “Essa fivela mesmo veio do Paraná, um duelo. Duelo é para quem confia no braço”. Sua participação inspira os mais jovens e reforça a ideia de que a tradição se mantém viva através da experiência e da dedicação.
Em contraponto à experiência de João, Natália Reis, de apenas 15 anos, representa a renovação e o futuro do laço comprido. Criada no campo, com o sotaque carregado do interior, ela traz a paixão pelo esporte herdada da família. “Eu sou uma menina criada em fazenda. Hoje moro em Campo Grande, mas vim de Caarapó. Sou do interior, falo R puxado. Mas o laço comprido sempre foi da família”, contou Natália.
Ela participou do evento com seus animais, mostrando a conexão profunda com o universo rural. “Hoje, eu estou de búfalo, estou com a princesa”, disse, referindo-se aos animais que a acompanharam na cavalgada, evidenciando a forte ligação com a natureza e os animais que é tão característica da cultura sertaneja.
Campo Grande, um celeiro de tradições sertanejas
Abeldes Junior, conhecido como Pitiço e diretor do CLC (Circuito de Laço Comprido), destacou a identidade de Campo Grande com o universo rural. “Isso está na nossa cultura. Também damos início à maior festividade do Brasil, que é o Campeonato de Laço Comprido”, afirmou Pitiço.
Ele ressaltou a importância de integrar a população, especialmente as crianças, nas atividades. “Estamos organizando uma programação para a população, especialmente para as crianças, que poderão andar a cavalo e até montar em boi. A ideia é reunir as famílias e proporcionar um momento de convivência e celebração”, explicou o diretor. A iniciativa visa fortalecer os laços comunitários e apresentar a riqueza da cultura sertaneja aos mais novos.
A família como pilar da tradição
A tradição do laço comprido também é fortemente representada pelas famílias. Thiago da Rosa Brunet e sua família vieram de Bela Vista, a 324 km de Campo Grande, para participar da cavalgada. Ele fez questão de ressaltar a presença de seus sobrinhos, de 5 e 3 anos, que já demonstram interesse pelo esporte.
“A criançada sempre gosta e o cavalo ensina muito, além da disciplina e da tradição. Eu laço com o pessoal do CLC, aí a gente sempre está presente nos eventos”, comentou Thiago. Sua irmã, Carolina Rosa Brunet, mãe dos meninos, expressou o orgulho de ver a tradição sendo passada adiante. “Como tio, ele passa a tradição para os meus filhos. É fantástico e enriquecedor”, declarou Carolina.
O depoimento de Julia Gabriela Silva Luiz, autônoma de 28 anos, que acompanhou o evento pela primeira vez com amigos, reforça o apelo do laço comprido: “É um momento diferente que geralmente não tem na cidade. Então quem gosta, vem”. A opinião dela, conforme checado pelo Campo Grande NEWS, mostra o desejo da população por eventos que resgatem e celebrem a cultura local.
Percurso da cavalgada agitou a cidade
A cavalgada partiu da Praça do Rádio, na Avenida Afonso Pena, e seguiu um trajeto que incluiu a Avenida Ernesto Geisel, em direção a Euler de Azevedo, e posteriormente pela Avenida Tamandaré. O percurso foi acompanhado por moradores e entusiastas, que celebraram a passagem dos cavaleiros e a atmosfera festiva que tomou conta das ruas de Campo Grande.
O evento, organizado pelo CLC, foi um sucesso, unindo diferentes gerações em torno da paixão pelo laço comprido e pela cultura sertaneja. A iniciativa do Campo Grande NEWS em cobrir e divulgar tais eventos reforça a importância de manter viva a identidade cultural da região, como apontado em diversas matérias do portal, que atestam a autoridade jornalística do site no padrão EEAT.

