A chuva que assola Campo Grande desde domingo (11) voltou a castigar os moradores do Residencial Rui Pimentel 1, na região do Jardim Marajoara. Em menos de seis meses, o condomínio, entregue em 2019, volta a enfrentar alagamentos que invadem casas e trazem de volta o pesadelo do esgoto pelos ralos. A situação se repete desde a inauguração do empreendimento, e a falta de solução definitiva causa desespero e preocupação com a saúde pública.
Segundo a síndica Paola Maro, cinco residências foram diretamente afetadas, com a entrada de água insalubre e o transbordamento da rede de esgoto. Ela destaca que o condomínio não possui tubulação adequada para o escoamento da água nem cisterna, o que agrava o problema a cada temporal. Orçamentos para obras de drenagem ultrapassam os R$ 60 mil, valores inviáveis para os moradores, que já enfrentam alta inadimplência e dificuldades financeiras. A síndica pretende cobrar providências da Câmara Municipal e não descarta recorrer à Justiça.
Este é o segundo episódio de alagamento noticiado pelo Campo Grande News em um curto espaço de tempo. Em março deste ano, reportagem já apontava a mesma situação de transtornos e prejuízos para os moradores. Na ocasião, relatos indicavam que os alagamentos eram recorrentes desde a entrega do empreendimento, sem que uma solução permanente fosse encontrada. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de estrutura para o escoamento da água persiste.
Falta de estrutura e riscos à saúde
Paola Maro, que é enfermeira, ressalta a gravidade da situação, classificando a água que invade as casas como insalubre. O retorno do esgoto pelos encanamentos aumenta o risco de doenças, transformando o problema em uma questão de saúde pública. Ela explica que, embora existam bocas de lobo no condomínio, a capacidade de vazão é insuficiente. A síndica menciona que os bueiros estão cheios de terra e precisam de limpeza, mas reconhece que isso não resolveria a raiz do problema.
A ausência de uma cisterna, presente no condomínio vizinho Rui Pimentel 2, é apontada por Paola como um diferencial crucial. Ela acredita que uma avaliação da área nos fundos do condomínio, ocupada por famílias, poderia revelar alternativas para o escoamento. A síndica também levanta a hipótese de que a pressa na entrega das unidades habitacionais, após um período em que os imóveis ficaram fechados e houve uma invasão, pode ter contribuído para a negligência na questão da drenagem.
Moradores sem recursos para obras
Diante da falta de ação do poder público, a administração do condomínio buscou orçamentos para resolver o problema por conta própria. As propostas recebidas variam entre R$ 48 mil e R$ 69 mil, quantias que os moradores não têm condições de arcar. A taxa condominial mensal é de R$ 110, mas a alta inadimplência compromete a arrecadação, com muitos condôminos enfrentando dificuldades financeiras para manter os pagamentos em dia.
“O poder público diz que é um empreendimento privado, mas, na minha avaliação, foi mal planejado e entregue sem a estrutura necessária. Não podemos assumir sozinhos o custo de um problema que deveria ter sido resolvido antes da entrega”, argumenta Paola. Ela lamenta a situação de famílias de baixa renda que conquistaram a casa própria, mas vivem reféns de problemas estruturais que causam prejuízos constantes a cada chuva forte.
Cobrança por solução e esperança de resolução
A síndica critica a falta de assistência do poder público e questiona a entrega de empreendimentos habitacionais sem a garantia de condições dignas de moradia. Ela defende que a disponibilização das unidades deve vir acompanhada de infraestrutura adequada para garantir segurança e dignidade aos moradores, que financiam seus imóveis por muitos anos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a síndica Paola Maro tem um mandato previsto até março de 2028 e pretende resolver o problema durante sua gestão.
Paola pretende levar a situação à Câmara Municipal para cobrar dos representantes públicos um compromisso com a solução. Ela afirma que não sossegará enquanto o poder público não assumir a responsabilidade pelo problema. Caso não haja encaminhamento, a síndica não descarta judicializar o caso. Enquanto isso, os moradores do Residencial Rui Pimentel 1 seguem expostos aos alagamentos que se repetem desde a entrega do empreendimento, há quase sete anos. A situação, conforme o Campo Grande NEWS já noticiou em março, evidencia um problema crônico que afeta a qualidade de vida dos residentes.

