Casal de Campo Grande movimentou R$ 3,4 milhões e é alvo de operação contra o tráfico

Um casal residente em Campo Grande foi preso nesta quarta-feira (22) durante a 11ª fase da Operação Destroyer, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás com apoio do Mato Grosso do Sul. A ação investiga uma organização criminosa envolvida com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. Adryelle Franco Ramos, de 32 anos, e Thiago Alves de Jesus, de 34 anos, foram detidos em uma residência no Jardim Nhanhã, sob suspeita de atuarem na logística e transporte de drogas.

Operação Destroyer desarticula rede de tráfico interestadual

A operação, que teve desdobramentos em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, cumpriu 40 medidas cautelares, incluindo 15 prisões e 24 buscas e apreensões. Conforme a Polícia Civil de Goiás, a investigação teve início após a apreensão de 4,2 toneladas de maconha e 37,2 quilos de pasta-base de cocaína. A análise de celulares, dados telemáticos e movimentações bancárias revelou uma rede suspeita de armazenamento, transporte e distribuição de drogas entre estados.

O casal preso em Campo Grande é suspeito de desempenhar funções cruciais para o grupo criminoso. Adryelle teria movimentado cerca de R$ 2,28 milhões em aproximadamente cinco meses, apesar de declarar uma renda mensal de R$ 1,8 mil. Thiago, por sua vez, registrou uma movimentação de R$ 1,15 milhão no mesmo período, informando um rendimento mensal de R$ 1,5 mil. Esses valores, considerados incompatíveis com as rendas declaradas, reforçaram as suspeitas de envolvimento com atividades ilícitas.

Durante as buscas, foram apreendidos um Porsche Macan, um Renault Clio, um caminhão JAC, cinco celulares e cadernos com anotações que serão analisados. Os veículos de alto valor chamaram a atenção dos investigadores, corroborando as suspeitas sobre a origem dos recursos movimentados pelo casal. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as investigações apontam ainda que o casal mantinha ligações com empresas do ramo de transporte de cargas, com Adryelle atuando na coordenação de transportes e Thiago na estrutura operacional da organização.

Investigação aponta movimentação financeira incompatível

Os relatórios financeiros anexados ao inquérito detalham a discrepância entre os valores movimentados e a renda declarada pelos investigados. A polícia acredita que essas movimentações financeiras atípicas são um forte indicativo da participação do casal em atividades criminosas relacionadas ao esquema de tráfico e lavagem de dinheiro. A análise dessas transações foi um dos elementos cruciais para a expedição dos mandados judiciais.

A fase atual da Operação Destroyer, denominada “Double Shot”, resultou em um bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros. O balanço parcial da operação contabiliza 16 prisões, sendo três em flagrante, além da apreensão de diversos veículos e outros bens considerados estratégicos para o avanço das investigações. A Polícia Civil de Goiás destacou que as investigações continuam em andamento para identificar todos os envolvidos na rede criminosa.

Queima controlada no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari

Em outra frente, bombeiros de Mato Grosso do Sul realizaram uma queima controlada no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, como medida preventiva para a temporada de incêndios florestais. A ação, que envolveu 20 militares e equipamentos como aeronaves e drones, teve como objetivo reduzir a biomassa acumulada e diminuir o material combustível disponível, minimizando os riscos de grandes incêndios durante os meses de estiagem.

A queima prescrita, um uso planejado e controlado do fogo, é uma técnica utilizada para manejar a vegetação e prevenir incêndios de grandes proporções. Essa prática, segundo especialistas, é benéfica para ecossistemas como o Pantanal e o Cerrado quando realizada na época e frequência corretas, pois a fauna e flora locais estão adaptadas a sua presença. O Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) enfatizou que a atividade foi realizada em condições climáticas ideais, com baixa intensidade e de forma a permitir a fuga da fauna.

Prefeita de Campo Grande se pronuncia sobre Operação Suffragium

Em paralelo, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, se pronunciou sobre a Operação Suffragium da Polícia Federal, que investiga um possível esquema de compra de votos nas eleições de 2024. A prefeita afirmou que as diligências não envolvem a gestão municipal atual e que recebeu a notícia com surpresa e tranquilidade, pois o caso já teria sido analisado pelo Judiciário com decisões favoráveis à sua defesa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à prefeita, investigando movimentações financeiras atípicas que poderiam configurar crimes eleitorais.

A prefeitura de Campo Grande emitiu nota destacando que as ações da PF não guardam relação com atos da atual gestão e que a prefeita reafirma seu respeito às instituições. A investigação apura crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, popularmente conhecida como “caixa dois”. A Polícia Federal informou que não fornecerá detalhes nesta fase da operação, aguardando a conclusão das investigações para se pronunciar oficialmente. O caso remonta a uma investigação anterior do TRE-MS, onde a prefeita e a vice-prefeita já haviam sido alvo de apuração por compra de votos, mas tiveram seus mandatos mantidos por falta de provas substanciais.