A revolução dos carros elétricos avança em Mato Grosso do Sul, mas a maioria dos consumidores ainda hesita em trocar os motores a combustão pela tecnologia limpa. Uma enquete realizada pelo Campo Grande News revelou que a falta de infraestrutura e o preço elevado são os principais fantasmas que impedem a popularização desses veículos no estado. Enquanto os emplacamentos de elétricos puros dispararam mais de 144% entre janeiro e agosto de 2026, a percepção pública ainda é de cautela e desconfiança.
A enquete, que perguntou aos leitores se consideravam os carros elétricos uma opção viável para compra em Mato Grosso do Sul, obteve respostas que pintam um cenário de resistência. A opção “Não, falta infraestrutura” foi a mais escolhida, com 31% dos votos. Em seguida, 26% dos participantes declararam preferir veículos a combustão, e outros 25% afirmaram que só considerariam a compra se os preços fossem menores. Apenas 18% dos leitores veem os carros elétricos como uma alternativa viável no cenário atual, conforme apurado pelo Campo Grande News.
A infraestrutura como gargalo
A preocupação com a infraestrutura de recarga é um ponto crucial para a maioria dos consumidores. O leitor Amauri Oliveira, em comentário na enquete, resumiu a apreensão geral: “Como fica a situação de quem precisa viajar por regiões afastadas e eventualmente fica sem carga?”. Essa dúvida reflete o receio de ficar na mão longe dos grandes centros urbanos, onde os pontos de recarga ainda são escassos. A autonomia e a segurança de poder percorrer longas distâncias sem a preocupação de encontrar uma estação de energia são fatores decisivos na hora da compra.
Essa percepção contrasta fortemente com o ritmo acelerado de crescimento do mercado de veículos eletrificados em Mato Grosso do Sul. Dados do Detran-MS indicam um aumento impressionante de 144,4% nos emplacamentos de veículos 100% elétricos entre janeiro e agosto de 2026, saltando de 408 para 997 unidades. Se somarmos os veículos elétricos e híbridos, o estado registrou 3.432 novas unidades no mesmo período, um crescimento de 87,3% em relação ao ano anterior.
Campo Grande lidera a expansão
A capital, Campo Grande, é o epicentro dessa expansão. Dos 997 veículos elétricos puros emplacados nos primeiros oito meses de 2026, impressionantes 640 foram registrados na capital, o que representa 64,2% do total estadual. Dourados aparece em segundo lugar, com 237 unidades. Juntas, essas duas cidades concentram 88% de todos os novos carros elétricos registrados em Mato Grosso do Sul no período analisado, conforme informações compiladas pelo Campo Grande News.
Outro levantamento, desta vez da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), aponta que Mato Grosso do Sul já conta com 7.366 veículos eletrificados em circulação, incluindo diferentes tecnologias. É notável que todos os 79 municípios do estado possuem ao menos um veículo eletrificado. Contudo, a frota também se mostra concentrada, com Campo Grande reunindo 4.684 veículos, o que equivale a 63,59% do total estadual.
Híbridos ainda dominam a frota eletrificada
Os próprios dados ajudam a explicar a cautela dos consumidores. Embora o mercado de elétricos esteja em franca expansão, os veículos totalmente elétricos ainda representam uma parcela menor da frota eletrificada total. Um levantamento divulgado em junho revelou que os modelos 100% elétricos correspondiam a apenas 23% dos eletrificados em Mato Grosso do Sul. Os híbridos plug-in lideravam, com 41%, seguidos pelos híbridos convencionais. Essa predominância dos híbridos pode indicar uma transição mais gradual para os consumidores, que se sentem mais seguros com a tecnologia híbrida como um passo intermediário.
A combinação de um preço de compra ainda considerado alto para a maioria da população e a percepção de uma infraestrutura de recarga insuficiente, especialmente para viagens longas e fora dos grandes centros, são os principais obstáculos a serem superados. A confiança do consumidor na viabilidade e praticidade dos carros elétricos no dia a dia de Mato Grosso do Sul ainda precisa ser construída, um desafio que o mercado e o poder público precisarão enfrentar para acelerar a adoção em massa da mobilidade elétrica.

