carne de MS para China dispara antes de nova tarifa, setor busca saídas

As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para a China apresentaram um crescimento impressionante de 57,45% entre janeiro e abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo diante de restrições impostas pelo país asiático, o volume embarcado alcançou 41.642.061 quilos, gerando uma receita de US$ 250,574 milhões, quase o dobro dos US$ 130,602 milhões registrados no ano anterior. Esses dados, compilados pelo economista Daniel Massen Frainer, professor da UEMS e doutor em Economia, baseiam-se em estatísticas do MDIC e foram divulgados pelo Campo Grande NEWS, revelando um desempenho estadual que superou em quase três vezes a média nacional de crescimento de 19% no mesmo período. A alta performance é atribuída a um ganho de mercado, e não necessariamente a uma antecipação de contratos antes do esgotamento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas anuais, que ao ser excedida, passará a ter uma tarifa de 55%, contra os atuais 12%.

A iminência do fim da cota chinesa e a introdução de novas restrições sanitárias pela União Europeia a partir de setembro lançam sombras sobre o futuro do setor pecuário de Mato Grosso do Sul. A cota de importação da China, que deve se esgotar em junho, e as barreiras impostas pela UE, que podem impactar um mercado de US$ 2 bilhões, forçam os produtores a buscar alternativas e a repensar suas estratégias de exportação. Especialistas apontam que os grandes frigoríficos com foco internacional serão os mais afetados, enquanto os menores, voltados ao mercado interno, tenderão a sentir menos o impacto.

Desafios iminentes e estratégias de mercado

A partir do segundo semestre, os pecuaristas de Mato Grosso do Sul começarão a sentir os efeitos da cota chinesa. Apesar disso, Frainer avalia que os embarques podem se manter em patamares elevados, superando as projeções iniciais, como já demonstrado nos primeiros quatro meses do ano. A estratégia para contornar as dificuldades passa pela **diversificação de mercados**. Os Estados Unidos, por exemplo, surgem como uma alternativa, visto que, ao contrário de 2025, não há barreiras impostas à carne brasileira no momento.

O economista explica que a **tarifa chinesa recai sobre o comprador**, não sobre o exportador. Ou seja, o impacto financeiro maior será para o mercado chinês, que terá um custo mais elevado para importar a carne brasileira após o esgotamento da cota. Essa medida, embora vise restringir as compras, não impede a importação, apenas a encarece. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o volume permitido pela cota representa cerca de 600 mil toneladas a menos em comparação com os embarques de 2025, quando a China importou aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira.

Impacto diferenciado para grandes e pequenos frigoríficos

A estrutura das empresas exportadoras ditará o quão severo será o impacto. Grandes frigoríficos como a JBS, com forte direcionamento para o mercado internacional, sentirão mais os efeitos das novas políticas comerciais chinesas. Já os grupos menores, com atuação mais concentrada no mercado interno, devem ser menos afetados. A JBS, em particular, enfrenta um desafio significativo, pois o mercado chinês é crucial para suas operações, embora o custo adicional da tarifa recaia sobre o consumidor final na China.

A situação atual guarda semelhanças com o período de tarifas impostas pelo governo Trump, quando houve uma redução nas compras, mas não um colapso. Frainer ressalta que, na ausência de mercados alternativos viáveis, os compradores tendem a adquirir o produto mesmo com custos mais altos, o que sugere que medidas restritivas como a cota chinesa podem não se sustentar a longo prazo. O governo brasileiro, por meio do MDIC, busca negociar com Pequim para reverter ou flexibilizar essa cota para os próximos anos.

Barreiras sanitárias europeias agravam o cenário

Somando-se às preocupações com a China, as **restrições sanitárias da União Europeia**, previstas para 3 de setembro, adicionam mais um obstáculo ao setor exportador. O bloco europeu excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal, alegando falta de garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. Caso as exigências não sejam atendidas, a entrada de diversos produtos brasileiros no mercado europeu será proibida, com potencial impacto de quase US$ 2 bilhões.

Apesar da gravidade da situação, o professor da UEMS demonstra otimismo quanto à reversão da decisão europeia. Ele acredita que essa barreira, por ser fitossanitária e não tarifária, tende a ser superada com mais facilidade, especialmente com a comprovação da redução do uso de medicamentos na produção pecuária. O Campo Grande NEWS, ao analisar o contexto, observa que o Brasil se tornou um alvo da pressão política e econômica europeia, em parte como uma forma de proteger produtores locais diante da competitividade dos produtos do Mercosul, intensificada após o acordo comercial com a UE.

A exclusão do Brasil, enquanto outros países do acordo não sofreram a mesma restrição, evidencia a preocupação europeia com o **tamanho do mercado produtor brasileiro**. A medida pode ser uma tática para ganhar tempo para os produtores europeus se reorganizarem. No entanto, a expectativa é que essa barreira não tarifária seja superada, dada a competitividade e a qualidade da carne brasileira. Diferentemente das barreiras chinesas, que refletem um cenário de incertezas no mercado global e a busca da China por autossuficiência alimentar, as barreiras europeias parecem mais ligadas a disputas comerciais e proteção de mercado. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o Brasil busca ativamente reverter essas imposições, negociando com os blocos econômicos para garantir a continuidade de suas exportações e a força de seu agronegócio no cenário internacional.