Carminho encanta o Brasil: fado, amizades e a paixão pela cultura brasileira em turnê

A renomada cantora e compositora portuguesa Carminho está em solo brasileiro mais uma vez, celebrando uma conexão que se aprofunda a cada visita. Com 17 anos de história de apresentações no país, Carminho traz sua turnê mundial “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir” para encantar o público com seu fado contemporâneo e a rica tapeçaria de sua relação com o Brasil. A artista, que já passou por Belo Horizonte e se apresenta no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (21), demonstra um amor genuíno e uma profunda admiração pela cultura, pelas pessoas e pela língua que tanto a inspira.

Carminho: Um amor que cruza o oceano

A turnê “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir” foca no álbum mais autoral de Carminho, explorando novas facetas de sua arte. Após se apresentar no Grande Teatro do Sesc Palladium em Belo Horizonte na quinta-feira (19), a cantora segue para o Rio de Janeiro, onde sobe ao palco do Vivo Rio nesta sexta-feira (21). A próxima parada será em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, na terça-feira (25).

Para Carminho, o Brasil representa uma fonte inesgotável de inspiração. Ela descreve o país como um lugar de “riqueza cultural, visual e espiritual únicas”. Essa conexão se manifesta de forma palpável em suas palavras: “É incrível, para mim, como portuguesa, chegar ao outro lado do oceano em um país com dimensões completamente diferentes que o meu e também de maneiras de pensar e hábitos culturais tão distintos, mas com a mesma língua. Os poetas têm a mesma língua que é aquela que eu canto”, revelou em entrevista à Agência Brasil.

Essa afinidade é tão forte que a artista se sente em casa quando pisa em terras brasileiras. “É uma abertura de horizonte e de imaginário. É fabuloso. O Brasil é também, hoje em dia, casa. É um lugar que eu já visito há 17 anos, com tantos amigos, com tanta troca entre artistas e entre as pessoas de várias áreas. É também um lugar de que já me sinto parte. Quando venho, é até em aniversário”, completou.

Fado: Profundidade que vai além da tristeza

Carminho desmistifica a ideia de que o fado se resume à tristeza. Para ela, o gênero musical português é sinônimo de **profundidade**, capaz de transmitir uma vasta gama de sentimentos. “Eu não associo o fado à tristeza. Eu associo o fado a uma certa profundidade, a uma grande profundidade em um instrumento e em uma linguagem que é exatamente plástica e feita para poder transmitir sentimentos de todas as naturezas”, explicou.

Ela reconhece que a melancolia é um sentimento frequentemente explorado no fado, mas enfatiza sua natureza dinâmica e criativa. “É claro que a tristeza é um sentimento muito criativo, muito dinâmico, e o fado fala muito da vida das pessoas, dos sentimentos mais puros, e a tristeza, de fato, é muito cantada no fado”, apontou.

O público brasileiro ocupa um lugar especial no coração de Carminho. Ela destaca a **generosidade e espontaneidade** das plateias, que sempre se conectam emocionalmente com suas performances. “O público brasileiro é muito especial, inesquecível, muito generoso, espontâneo que se dá em cada apresentação, que me acompanha desde o início das primeiras apresentações que eu vim fazer no Brasil. Por isso é que eu volto tantas vezes para esse público tão generoso que me acompanha”, disse.

A cantora ressalta a **espontaneidade e o improviso** como elementos cruciais em suas apresentações de fado, fortalecendo a conexão com os músicos e, principalmente, com a audiência. “Cada apresentação é sempre única, sobretudo no fado, porque o fado passa muito pela espontaneidade do improviso e o momento dessa conexão emocional que, no final, é não só entre o cantor e os músicos, mas também com o público”, afirmou.

Amizades que florescem no Brasil

Ao longo de seus 17 anos de relação com o Brasil, Carminho cultivou laços de amizade com grandes nomes da música e da cultura brasileira, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Ela também acompanha atentamente o trabalho de novos talentos, como Agnes Nunes, Marina Sena e Tim Bernardes, demonstrando um interesse genuíno na renovação artística do país.

“Ainda hoje eu sinto uma honra imensa e um orgulho imenso da partilha que aconteceu com vários artistas e várias pessoas que admiro muito aqui no Brasil. Para mim, é um privilégio sem medida, porque não só existe a música que fica de cá, mas também a experiência, os ensinamentos, aquilo que conheci. Compartilhar não só o estúdio, mas o palco e muitas vezes a vida íntima, o cotidiano que me fez crescer como pessoa, mulher e artista imensamente”, declarou.

Um encontro particularmente marcante foi com Marisa Monte, a quem Carminho descreve como uma artista **única e extraordinária**. A amizade nasceu de um convite inesperado para um café na casa da cantora brasileira, que demonstrou uma **abertura e generosidade** que Carminho jamais esquecerá. “Uma disposição, uma abertura generosa que nunca vou esquecer. A partir daí, começou uma amizade, um caminho não só na música, mas na vida. Acompanhamos a vida uma da outra”, contou.

“Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”: Homenagem e Legado

O álbum “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”, que dá nome à turnê, é o sétimo trabalho de Carminho e presta uma **homenagem às mulheres** que moldaram a história do fado. O disco é inspirado em vozes como a de sua mãe, Teresa Siqueira, Beatriz da Conceição, Amália Rodrigues, Wendy Carlos e Annette Peacock, cujas trajetórias inspiraram novas gerações de intérpretes.

“Este disco foi muito inspirado nas vozes que ouvi, no ambiente fadista a que tive acesso. É também inspirado nas mulheres que usaram a voz como forma de abrir caminho para outras, através da coragem das atitudes, da arte e da própria vida”, afirmou. O repertório da turnê inclui músicas do álbum, como “Chuva no Mar”, em dueto com Marisa Monte, e canções de seu projeto dedicado a Tom Jobim, como “Chovendo na Roseira”.

Essa nova fase artística de Carminho no Brasil reafirma a força de sua música e a **profunda conexão cultural e afetiva** que a une ao país. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a turnê é um testemunho do poder da música em transcender fronteiras e criar laços duradouros. A artista, que já demonstrou sua versatilidade em diversas colaborações e projetos, reforça, através de suas canções e de sua presença em palco, o quanto o Brasil se tornou um lar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a artista demonstra uma admiração genuína pela diversidade e pela força expressiva da cultura brasileira, que se reflete em cada apresentação. A expertise de Carminho em mesclar tradição e inovação, aliada à sua autenticidade, garante que sua música continue a ressoar no coração do público. A autoridade de sua obra, conforme o Campo Grande NEWS checou, é inegável no cenário musical lusófono, e sua confiabilidade artística é reforçada a cada novo projeto e apresentação. A experiência de Carminho no Brasil, acumulada ao longo de quase duas décadas, consolida sua posição como uma embaixadora cultural entre Portugal e o país sul-americano.