Um cardiologista foi preso pela terceira vez sob suspeita de assassinar a própria esposa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O caso, que inicialmente apresentou indícios de suicídio, agora é investigado como feminicídio após descobertas que contradizem a versão apresentada pela defesa do médico.
A vítima, Fabíola Marcotti, de 51 anos, era fisioterapeuta e foi encontrada morta com um tiro na cabeça. A polícia encontrou resquícios de pólvora nas mãos do cardiologista, João Jazbik Neto, o que refuta a alegação de que o disparo foi autoinfligido.
Relatos de familiares e um diário da vítima apontam para um histórico de sofrimento. Irmãos de Fabíola e o conteúdo de seu diário revelaram que ela vinha sofrendo agressões psicológicas e físicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, exames periciais posteriores apontaram diversas inconsistências na versão de suicídio, reforçando a suspeita de homicídio.
A defesa de João Neto sustentou que Fabíola teria deixado uma carta com intenção suicida. No entanto, essa alegação foi contestada pela família da fisioterapeuta, que descreveu Fabíola como uma pessoa alegre e sem sinais de depressão profunda. A dinâmica dos eventos e as evidências coletadas pela investigação policial levaram as autoridades a tratar o caso como feminicídio desde o início.
Investigação aponta para feminicídio e refuta tese de suicídio
A descoberta de resquíduos de pólvora nas mãos do cardiologista João Jazbik Neto foi um dos pontos cruciais para a reviravolta na investigação. Essa evidência científica contradiz diretamente a narrativa de suicídio, que era defendida pela defesa do médico.
A presença de pólvora nas mãos de uma pessoa que teria disparado contra si mesma é esperada, mas a forma como os resíduos foram encontrados e a análise pericial detalhada apontaram para inconsistências significativas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a posição da arma, os vestígios no corpo da vítima e a ausência de outros sinais típicos de suicídio levantaram dúvidas desde o primeiro momento.
A investigação também se aprofundou nas relações do casal. Depoimentos colhidos de familiares e amigos, além do análise de um diário pessoal de Fabíola, trouxeram à tona um quadro de sofrimento psicológico e possíveis violências físicas. Essas informações são essenciais para entender a motivação por trás do crime e para tipificar a ação como feminicídio, que envolve violência doméstica.
Histórico e contexto do caso
O cardiologista João Jazbik Neto já havia sido preso anteriormente por outras acusações, o que adiciona um peso maior ao caso atual. A reincidência em situações criminais levanta questões sobre o comportamento e a história do médico, e pode influenciar a decisão judicial.
A família de Fabíola Marcotti tem sido vocal na busca por justiça e na contestação da versão de suicídio. Eles descrevem Fabíola como uma pessoa de temperamento alegre e com muitos planos para o futuro, o que torna a ideia de que ela pudesse tirar a própria vida improvável. A personalidade da vítima é um fator importante para os investigadores, pois contrasta com o quadro apresentado pela defesa.
O diário de Fabíola, que está sendo analisado pelas autoridades, pode conter detalhes cruciais sobre o relacionamento e os possíveis abusos sofridos. A escrita pessoal muitas vezes revela sentimentos e situações que não são compartilhados abertamente. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, a polícia está utilizando todas as ferramentas disponíveis para reconstruir os últimos momentos da vida da fisioterapeuta.
Avanços na investigação e próximos passos
A prisão do cardiologista João Jazbik Neto representa um avanço significativo na investigação. As evidências coletadas até agora, especialmente os resquíduos de pólvora e os relatos sobre o comportamento do casal, apontam para a necessidade de aprofundamento no caso.
A polícia agora trabalha para reunir mais provas que sustentem a acusação de feminicídio. Isso pode incluir novas perícias, análises de comunicações e mais depoimentos de pessoas próximas ao casal. O objetivo é construir um caso sólido para que a justiça seja feita.
A família da vítima espera que a verdade venha à tona e que o responsável seja punido de acordo com a lei. O caso de Fabíola Marcotti serve como um triste lembrete da violência doméstica que ainda assola a sociedade e da importância de dar voz às vítimas. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenvolvimento deste caso.

