O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso novamente nesta quinta-feira (3), em Campo Grande. A prisão ocorreu 14 dias após o médico ser solto pela Justiça, marcando sua terceira detenção desde a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos. A Polícia Civil aponta Jazbik Neto como o autor do feminicídio de sua companheira, que foi encontrada morta em maio deste ano.
Cardiologista é preso novamente após soltura em Campo Grande
Fabiola Marcotti foi encontrada sem vida em 18 de maio, na chácara onde o casal residia, na região da Chácara dos Poderes. Na ocasião, João Jazbik Neto acionou as autoridades e relatou que a esposa teria tirado a própria vida. No entanto, após uma investigação que durou três meses, a Polícia Civil descartou a hipótese de suicídio e concluiu que Fabiola foi vítima de feminicídio, indicando o cardiologista como o principal suspeito do crime.
Anteriormente, a defesa do médico negou o envolvimento de Jazbik Neto na morte de Fabiola e contestou as conclusões da investigação policial. Conforme apurado pelo g1, a conclusão da polícia se baseou em laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal, além de depoimentos de testemunhas e dados extraídos de celulares apreendidos. As provas reunidas apontaram para um cenário de violência doméstica e familiar.
O cardiologista chegou a ser preso preventivamente em agosto, logo após a conclusão das perícias. A prisão foi determinada pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Jazbik Neto permaneceu detido por seis dias e foi liberado em 20 de agosto, mediante a apresentação de um habeas corpus pela defesa. Nesta quinta-feira, duas semanas após deixar a prisão, ele voltou a ser detido.
Caso começou a ser investigado após divergências na versão inicial
No dia em que Fabiola foi encontrada morta, João Jazbik Neto chamou a polícia e apresentou a versão de que a esposa teria cometido suicídio. Contudo, essa narrativa começou a ser questionada durante o andamento da investigação. No dia seguinte, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) informou sobre a existência de divergências entre os depoimentos do médico, de testemunhas e de outras pessoas ouvidas no caso.
Uma perícia preliminar realizada na época também indicou que a lesão na cabeça de Fabiola não era compatível com a versão apresentada pelo marido. Além da investigação sobre a morte, a polícia também apurou uma tentativa de ocultação de armas encontradas na propriedade. Segundo a Polícia Civil, João Jazbik Neto teria solicitado a um caseiro e a um ex-funcionário que retirassem um armário contendo armas e munições para outro imóvel na chácara. Essa ação foi considerada pela polícia como fraude processual.
João Jazbik Neto, o caseiro e o ex-funcionário foram presos em flagrante. O médico também foi autuado pela posse de armas sem documentação na propriedade. Posteriormente, sua prisão foi convertida em preventiva. Em 23 de maio, cinco dias após a morte de Fabiola, João obteve um habeas corpus e deixou a prisão, passando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa foi uma das primeiras vezes que o médico saiu da unidade prisional.
Polícia descarta suicídio e aponta feminicídio em Campo Grande
Nos meses seguintes, a Polícia Civil deu continuidade às investigações, ouvindo testemunhas, analisando celulares apreendidos e aguardando a conclusão dos laudos periciais. Em agosto, os resultados das perícias levaram os investigadores a descartar definitivamente a versão de suicídio. A polícia então concluiu que Fabiola Marcotti foi vítima de feminicídio e apontou João Jazbik Neto como o autor do crime.
A defesa de João Jazbik Neto contesta a conclusão da investigação e sustenta a inocência do médico. Em manifestações anteriores, o advogado José Belga Trad afirmou que o cardiologista mantém a versão de que a esposa tirou a própria vida e que a defesa apresentará seus argumentos durante o processo judicial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a família de Fabiola nunca acreditou na hipótese de suicídio, mesmo antes da conclusão oficial da investigação policial.
Familiares de Fabiola relataram ao g1 que ela planejava deixar Campo Grande e recomeçar a vida perto de sua família, no litoral de São Paulo. A notícia da nova prisão de João Jazbik Neto foi confirmada nesta quinta-feira (3). O g1 procurou a defesa do médico para comentar a prisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O caso continua sendo acompanhado de perto pelas autoridades e pela comunidade de Campo Grande, que busca justiça para Fabiola Marcotti, conforme o Campo Grande NEWS checou em suas reportagens exclusivas.

